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A Kroll entregou relatório ou rascunho?

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POR: Luis Nhachote

Cópias de ume-mail(correioelectrónico), que o aPrimeira Mãoteve acesso e que terão sido enviados ao ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, pela Kroll indiciam que esta firma de auditoria ainda não terminou o seu trabalho. O documento nas mãos da Procuradoria Geral da República (PGR), desde 13 de Maio de 2017, pode ser um “rascunho”.

Uma leitura transversal ao conteúdo, enviado ao ministro Maleiane, revela que o trabalho da Kroll ainda está por concluir, apesar de dois adiamentos na entrega do documento. O e-mail requisita vários documentos associados à EMATUM, MAM e PROINDICUS. As três empresas foram objectos da auditoria que devia estar concluída até o passado 09 de Junho, prazo definido após a divulgação da entrega formal do relatório por parte da Kroll a PGR.

Do e-mail à Maleiane 

De acordo com referido e-mail a Kroll solicita ao ministro de Economia e Finanças mais informação e estipula como prazo o dia 09 de Junho, nos seguintes termos:

“Prezado Excelentíssimo Ministro Maleiane,

Muito obrigada pelo seu apoio até esta data. Apenas como actualização, a Kroll enviou o rascunho do relatório da Auditoria Independente, o qual está sendo revisado pela PGR…”  Adiante o referido e-mail faz um breve enquadramento, adiantando que “a PGR solicitou a Kroll que concluísse alguns trabalhos adicionais – para concluir estes trabalhos, a Kroll precisa de documentação adicional pertencente ao Ministério da Economia e Finanças. Por gentileza, o senhor poderia providenciar para que as seguintes informações sejam obtidas e fornecidas o mais rápido possível, no mais tardar, até 09 de Junho de 2017.”

De seguida são enumerados por ordem os documentos que a Kroll precisa e que são exigidos ao ministro:

  1. a) detalhes de todos os consultores nomeados pela EMATUM e/ ou pela República de Moçambique para a emissão de títulos soberanos relacionados à dívida da EMATUM;
  2. b) cópia de todos os acordos de mandato ou acordos de representação do consultor; c) detalhes de todas as taxas ou outros fundos pagos aos consultores, incluindo cópias de confirmação de pagamento, e;
  3. d) detalhes de quaisquer taxas ou outros fundos que devem ser pagos a qualquer consultor em relação a emissão de títulos soberanos”.

São “exigidos” também cronogramas actualizado de todos os valores pendentes em relação aos contratos de empréstimos pelas empresas EMATUM, MAM e PROINDICUS, incluindo cópias de todas as solicitações de pagamentos que tenham sido feitos pelas supramencionadas empresas. Exige-se ainda a identidade dos “membros” conhecidos dos sindicatos dos empréstimos da PROINDICUS e MAM”.

Depois dos sucessivos adiamentos, foi dado a perceber a opinião pública e comunidade internacional, que a entrega efectuada do relatório, no passado dia ….era a versão final do mesmo, criando expectativas em todos os interessados.

Este facto denota lacunas de profissionalismo, idoneidade e lisura, por parte dos envolvidos na realização da auditoria e produção do relatório, o que pode indiciar a ocultação da verdade, ou parte dela.

Kroll um gigante de pês de barro?

Se o atrás descrito revela que a Kroll ainda está à procura de informação sobre os joelhos, então algo vai mal e representa um enorme beliscão na reputação da firma.

Refira-se que a Kroll foi selecionada depois da solicitação dos Termos de Referência, procedeu-se a selecção do Auditor, por via do regime especial estabelecido no artigo 7 do Regulamento de Contratação de Empreitadas de Obras Públicas, Fornecimento de Bens e Prestação de Serviços ao Estado, aprovado pelo Decreto nº 5/2016, de 8 de Março.

A PGR explicou na altura que a alternativa pelo regime especial de contratação do auditor cingiu-se à urgência na realização da auditoria para os fins do processo de instrução preparatória em curso naquela instituição, da natureza confidencial do mesmo, bem assim da necessidade da restauração urgente da confiança para estabilização da economia do país.

O que diz a PGR?

O porta-voz da PGR quando chamou a imprensa disse que “a publicação e circulação de documentos daquela natureza com o objetivo de desvirtuar a verdade podem consubstanciar infracções de natureza criminal, estando em curso a investigação visando a identificação e responsabilização dos seus autores”, afirmou Orlando Generoso na ocasião em que a instituição se distanciou dos documentos, cujo conteúdo menciona os nomes de dirigentes moçambicanos no caso das dívidas ocultas.

De acordo com o porta-voz da PGR, a investigação para apurar a origem destes documentos decorre em parceria com empresas internacionais ligadas às tecnologias de informação.

“A Procuradoria-Geral da República de Moçambique pretende, mais uma vez, distanciar-se destes supostos ofícios e relatórios que circulam nas redes sociais”,

“Toda a informação da auditoria realizada pela Kroll a pedido da PGR que não for comunicada ao público pela instituição [PGR] deve ser considerada irrelevante”, reiterou o porta-voz.

Orlando Generoso disse que a instituição “está ciente da expectativa que paira sobre a sociedade”, apelando à calma porque “em momento oportuno a informação será divulgada dentro dos termos de referência”.

“É um trabalho aturado e as equipas estão neste momento a trabalhar. A PGR e os auditores estão a trabalhar e esperemos pelo progresso”, afirmou. Em contacto com este jornal, Georgina Zandamela, responsável das comunicações da PGR, disse que “ o nosso comunicado quando recebemos o relatório foi claro. Nos recebemos o relatório da Kroll”.

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