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Educação a Chave do Sucesso! 

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NEXIALISTA – Saidul Rahman Mahomed

Moçambique sai bastante chamuscado do episódio dos empréstimos. Incrível é ver membros do governo tentarem minimizar o episódio como uma ação normal e trivial, sem convencer ninguém.

Depois da Independência e com o fim da euforia da libertação, o País caiu na realidade. Percebeu que as conquistas somente poderiam ser traduzidas em avanços caso conseguisse a paz e abrisse o País para as parcerias público-privadas.

Obteve o apoio internacional de um grande grupo de países que, entendendo o momento, resolveram ajudar no patrocínio de recursos financeiros para complementar o orçamento governamental. 

Moçambique ainda gera pouca receita, por falta de indústrias de base, por melhor controle fiscal e tributário. 

Estamos no limiar de uma nova fronteira. Uma oportunidade para guindar o País para o caminho do desenvolvimento. Mas antes é preciso resgatar a confiança perdida dos parceiros, que sempre suportaram, financiaram e auxiliaram nas metas orçamentárias da nação. Hoje esses parceiros estão ressabiados e olham com enorme desconfiança as ações governamentais. 

Os atos ilegais devem ser responsabilizados para que os futuros investidores sintam que os seus investimentos serão amparados legalmente e aplicados em fins a que se propõem. 

Moçambique se prepara para dar o seu maior salto em rumo desse tão desejado desenvolvimento. E isso acontecerá, porque já se vê o interesse de grandes corporações nos recursos naturais do País. Suas minas de rubis (geram hoje mais lucros para a empresa parceira do que para o próprio País, parceiro do negócio) cobiçadas pela alta qualidade, as areias pesadas que buscam mercados mais atraentes e de grande demanda, os maiores reservatórios de gás do mundo, que aguardam ser explorados. 

Nos últimos anos foram criadas algumas infraestruturas para aproveitar todas estas potencialidades, como a construção de barragens para a geração de energia, portos para escoar os insumos, aeroportos para facilitar deslocamentos e algumas estradas para facilitar a integração e a circulação de mercadorias. 

Olhando mais de perto, mal ou bem o dever de casa, em certo sentido, foi feito. É obvio que isso não caiu do céu e há ônus a serem quitados a médio e longo prazos. 

Felizmente a riqueza que o País tem permite olhar com alguma tranquilidade esse horizonte. 

Porém o País vem falhando fortemente no cuidado do seu principal ativo, que são os seus recursos humanos. 

O atual presidente, ao assumir o governo, no seu pronunciamento inicial, empolgou o País ao defender que iria promover fortes melhorias no setor de educação. Ficou apenas no discurso!  

Na realidade, pouco se avançou nesse sentido. O que se viu foram algumas danças de cadeiras e os resultados alcançados foram pífios. Continuou estagnado! 

Há a necessidade urgente de se pensar, a curto e médio prazos, numa revolução no setor educacional, para que não se percam mais gerações. Infelizmente os indicadores do ensino em Moçambique são muito baixos, resultados da má formação educacional. Isso reflete fortemente no mercado de trabalho, com profissionais mal preparados, baixa formação educacional e com alto índice de analfabetismo funcional.  

Há a necessidade de se investir em educação, de modo que em poucos anos se forme uma quantidade suficiente de profissionais, necessários e vitais para a exploração desses recursos naturais. 

Países em desenvolvimento buscam incessantemente melhorar seus indicadores educacionais. Sabem que eles são a chave do sucesso. 

Uma revolução em busca da automação e da robotização cresce exponencialmente, o que demanda profissionais gabaritados para que possam manuseá-las. 

O País tem que colocar como sua principal prioridade a educação.  

Vejamos o caso de alguns países que no final do século passado apresentavam péssimos indicadores e, após uma dura reflexão, perceberam que o caminho para o sucesso necessariamente passa pela educação. 

Esses países, ao apostarem numa melhor qualidade de educação, conseguiram em poucas décadas inverter a situação e se tornaram ícones da modernidade. Hoje geram riquezas, utilizam seus talentos, obtêm renda pelas suas patentes e inovações. 

Moçambique precisa fazer benchmark com alguns desses países: Irlanda, Coreia do Sul, Japão, Alemanha, Finlândia, Noruega, somente para citar alguns. Conhecer o que eles estão fazendo nesse setor, usar suas boas práticas, investir mais na capacitação do magistério, melhorar a infraestrutura escolar, gerar oportunidades de se avançar na obtenção das metas. 

Moçambique precisa definir claramente suas metas nessa área e trabalhar arduamente para que as mesmas sejam factíveis. 

Precisa mobilizar e conscientizar a sociedade nesse sentido, oferecer condições para que as oportunidades de melhorias aconteçam, buscar recursos que sejam aplicados de forma correta nesse objetivo, senão corre o risco de ver a janela da oportunidade se fechar sem gerar a tão desejada mudança e, por consequência, melhorar a distribuição de riqueza. 

Pôr em prática um plano estruturado e metas simples, buscar novos conhecimentos e metodologias para acelerar esse aprendizado, fechar parcerias com ONGs e instituições académicas que já evoluíram nessa área e que dispõem de fartos materiais, informatizar as escolas com bom sinal de internet para que possam usufruir as vantagens dessa tecnologia e trabalhar arduamente para que as metas traçadas sejam atingidas, com disciplina e seriedade. 

Podem apostar, se houver esforço e vontade nesse sentido, os resultados aparecerão! Que se busque uma educação de qualidade e certamente teremos o resgate da cidadania. 

Hora de agir!  

Saidul Rahman Mahomed é moçambicano de nascença, presidente e editor da Qualitymark Editora, uma das mais respeitadas e conceituadas do mercado brasileiro. 

Contato: editor@qualitymark.com.br

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