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Congresso de nomes

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Por: Boaventura Mandlate

O facto de o Décimo Primeiro Congresso da Frelimo decorrer num período de transição geracional torna inevitável que nos novos órgãos sociais e serem eleitos no evento predomine muitas caras novas.

É que dificilmente Filipe Nhusi, teria como evitar fazer deste Congresso um momento ímpar para finalmente, a nível do Partido, se fazer rodear de figuras da sua preferência, sem que isso implique prejudicar os interesses soberanos do conjunto e do Partido.

Os órgãos sociais que vão ao Congresso são herança de um figurino montado na perspectiva do anterior Presidente, Armando Guebuza, sendo pouco provável que Filipe Nhusi queira uma herança eterna.

Estamos perante um processo normal em fase de transição geracional, desde que essa transição mantenha o espírito de coesão interna, a marca de eleição da Frelimo em todas as batalhas que o Partido no poder sempre evidenciou em todas as batalhas enfrentadas, desde a sua criação.

Há, evidentemente, enorme expectativa em volta deste Congresso, tendo em conta os vários fenómenos em curso, que vão desde os projectos de gás, passando pelo famoso relatório da Kroll, ora em debate profundo, e o público vai atirando as soluções ou os caminhos de solução para o Congresso e depois do Congresso.

Haverá no entanto que duvidar se o Congresso terá um grande enfoque deste ponto de vista, que o evento visa resolver ou atender às questões de uma forma incisiva. É de crer que talvez seja um pouco diferente.

Este evento, pelo contexto em que decorre, assume-se, sobretudo, como um Congresso de nomes e não de programas, em que devemos esperar novos órgãos refrescados, porque os actuais resultam de uma governação de um outro Presidente (Armando Emílio Guebuza). A partir deste Congresso, Filipe Nhusi e a sua governação terão órgãos refrescados, que reflectem os desafios do presente.

Estamos perante um Congresso de refrescamento dos órgãos da Frelimo, que vão orientar a política económica dos próximos 7-8 anos. Não se espera grandes discussões ao nível do Congresso, de grandes temas de actualidade económica.

É pouco credível que no Congresso haja espaço para grandes debates de grandes temas como as chamadas dívidas ocultas, discussão que levaria a uma solução ou recomendação. Este é aliás um tema do Governo e quando muito pode haver espaço para debate a nível da Comissão Política, na perspectiva de alguma orientação ao Governo ou ao Comité Central.

Ao nível do Congresso, com tantos delegados, a discussão seria infinita. Não haverá espaço para debates para grandes temas como a s chamadas dívidas ocultas, projectos de gás, nem outros grandes temas que se relacionam com o posicionamento geopolítico de Moçambique na África Austral.

Ainda não houve um Congresso da era em que Filipe Jacinto Nhusi é Presidente. Este é o seu primeiro Congresso de arrumação ou rearrumação dos homens chave que vão conduzir os destinos do país nos próximos 7-8 anos, e quiçá, serão essas novas equipas que vão também apoiar Nhusi na redefinição do programa económico do país.

Cheque em branco

Durante a preparação do Décimo Congresso da Frelimo, de 26 de Setembro a 1 de Outubro, assistiu-se a debates indiciando algumas mexidas nas percentagens de provimento de vagas nos órgãos sociais.

São debates que não foram conclusivos, mesmo em relação às questões da renovação, fixada nos Estatutos actuais em 60 por cento e continuidade em 40 por cento. Aliás, este debate ganhou eco foi m relação às percentagens dos órgãos sociais do Partido.

Não se sabe se esses debates serão continuados pelo Congresso, mediante o endossamento a ser feito pelo Comité Central, por via do competente relatório deste órgão ao Congresso.

Tudo quanto se possa dizer são percepções, e não se enganou quem um dia sugeriu “saber esperar é uma virtude”! (x)

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