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Imperou a democracia interna 

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Por: Boaventura Mandlate 

Algumas correntes da sociedade encontram surpresas nos órgãos saídos do Décimo Primeiro Congresso da Frelimo. Quer parecer que os surpreendidos tinham baseado os seus vaticínios nas suas próprias expectativas e especulações, porque de facto os resultados mostram que vingou a democracia interna do partido no poder.  

Os órgãos eleitos democraticamente transmitem espírito de que os congressistas procuraram valorizar a experiência e maturidade ao mesmo tempo que era consolidada a continuidade. O Presidente da Frelimo, Filipe Nhusi, levou ao Congresso, uma nova abordagem para os mesmos processos e problemas diferentes.  

Igualmente não surpreendeu a transição geracional, pois a renovação não precisou de se socorrer necessariamente da geração do 25 de Setembro.   

Nota dominante na reunião magna da Frelimo foi o espírito de unanimidade provado na forma como Filipe Nhusi foi eleito Presidente desta organização política e candidato a Presidente da República nas Eleições Gerais de 2019. O mesmo se verificou na eleição de Roque Silva, para Secretário-geral e de Raimundo Diomba, para Secretário do Comité de Verificação do Partido.  

O pensar diferente não quebrou a doutrina partidária de coesão, que sempre está presente no longo percurso histórico da Frelimo. Se à entrada havia vozes discordantes em relação a uma e outra visão estratégica, à saída os congressistas transmitiam sinais de maior coesão, vitalidade e fortalecimento, com o interesse colectivo a suplantar o interesse individual.   

O Presidente do Partido fez questão de recordar que a disciplina partidária manda que os seguidores da Frelimo devem saber ajustar-se aos interesses de grupo em detrimento de interesses individuais. “A Frelimo e os interesses do Povo devem estar sempre e em primeiro lugar. No XI Congresso ficou provado que a Frelimo sobrevive e prospera não por causa de indivíduos, mas sim de gerações dos seus militantes, que zelam e observam energicamente os seus princípios fundamentais” lembrou Filipe Nhusi.  

A convergência dos congressistas relativamente ao imperativo da unidade terá sido determinante para que no final da jornada política que acabaria entrando para o sétimo dia pela noite adentro, dos seis inicialmente previstos, viesse cá para fora uma Frelimo mais reforçada.  

Ao novo Secretário-geral, Roque Silva, joga a seu favor, entre outros atributos, o facto de ser uma figura ponderada e com capacidade de mobilizar os membros do partido a encontrarem solução para problemas múltiplos e avançarem nos desafios que se seguem. A esta qualidade de liderança de Roque Silva, junta-se a sua experiencia de trabalho com as bases e com o povo. 

Roque Silva Samuel estará em frente de uma equipa desafiada a assegurar a continuidade num trabalho colectivo e não individual. Dessa equipa espera-se incremento nos níveis de realização do trabalho em iniciado. 

Trabalho colectivo significa que nos desafios pela frente, todos os militantes e os membros da Frelimo a vários níveis terão de formar corpo único para a máquina lubrificar e produzir os resultados esperados.   

São três os desafios nobres e imediatos para os quais órgãos que saíram do Congresso terão de dar todo o seu saber, a começar pela conquista da paz efectiva, uma tarefa que aliás é de cada moçambicana, não interessa a cor partidária, nem a opção religiosa ou de outra índole.  

Aliás, Filipe Nhusi fez questão de sublinhar no enceramento, que a busca da paz efectiva e da reconciliação nacional é uma missão inadiável que compete a todos nós, independentemente da inclinação política, crença religiosa ou posição social.  

O segundo desafio, entretanto imediato, tem a ver com o combate à corrupção. Este é um desafio que não se revela novo do ponto de vista da reunião da Frelimo àquele nível. Se estamos recordados, o fenómeno corrupção foi mencionado àquele nível, no Novo Congresso da Frelimo, realizado em Quelimane, na Zambézia.  

Finalmente, o desafio da conquista das Eleições Autárquicas de 2018 e Gerais de 2019.  

São desafios para cuja abordagem é desejável que se mantenha o espírito de abertura, transparência e reconciliação. 

Numa só palavra, os resultados gerais do grande evento político afasta espaço para dúvidas de que o Décimo Primeiro Congresso trouxe uma nova perspectiva, um novo alento e a reconfirmação das suas lideranças no contexto do velho adágio de renovação na continuidade.  

Doravante o mais importante é a operação de mudanças que se impõem, inadiáveis. Haverá que reconhecer que não é nem nunca foi exercício fácil muito menos simples. É um processo, é uma luta. Tremenda! (x)  

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