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Prevenção e combate à SIDA a luta continua!

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Por: Boaventura Mandlate

Muito dinheiro investido, muitos discursos, muita publicidade, muito enriquecimento, incluindo imoral e ilícito, mas os resultados não aparecem! Afinal o que é que estará a falhar nos esforços de prevenção e combate ao HIV/SIDA? Eis a questão.

Os níveis de infecção continuam a aumentar. Este quadro conduz-nos a uma simples conclusão como esta: o pouco ou o muito que se fez até agora, não representa estratégia certa.

Todos os dias há novas infecções às centenas. O que é que haverá de errado? Uma questão ainda sem resposta.

“Realmente essa é a preocupação de todos nós, mas de facto eu não tenho informação sobre qual seria a principal causa deste contínuo crescimento da infecção pelo HIV, principalmente ao nível da zona sul, aquela que por sinal tem maior acesso aos órgãos de comunicação. Em termos de rede sanitária está muito concentrada pelo menos na cidade de Maputo, mas a capital do país está em terceiro lugar a nível do país, em termos de prevalência de infecção do HIV”, lamenta Páscoa Whate, médica e antiga Directora da Saúde na Cidade de Maputo (2008).

Páscoa Whate confessa ser difícil saber o que é que está por detrás do quadro prevalecente. Em situação de desespero chega-se a culpar as emigrações, com a alegação de que pessoas de Maputo e Gaza se deslocam com frequência para a África do Sul e Swazilândia, ao mesmo tempo que muitos turistas cruzam a capital moçambicana. Tudo não passa de especulação, pois ainda não foi produzido um estudo que revele indicações claras e objectivas do motivo da ascendência da seroprevalência ao nível da zona sul.

Perto de 20 anos depois de início da vigilância epidemiológica (1998), em Moçambique continua por identificar a melhor via que levará cada moçambicano a assumir a pandemia do HIV/SIDA, como uma realidade e saber lidar positivamente com o fenómeno.

Para Páscoa Whate, a principal dificuldade é a mudança de comportamento. “Eu acho que nós, como moçambicanos, ainda não descobrimos qual é a melhor forma de fazer com que as pessoas assumam um comportamento responsável. Pessoas de todas as idades e todas as esferas sociais. Até agora não sabemos de que formas fazer com que as pessoas mudem de atitude”.

Recuando no espaço e no tempo, podemos concluir que as coisas falharam logo no início. A médica Páscoa Whate socorre-se de um exemplo concreto arrancado do país real, o campo, lá onde vive grande parte da população moçambicana, por sinal a maioria e mais desfavorecida. “Até parecia uma anedota, mas aconteceu. Ouvi em comício popular, numa província onde eu era Directora. Estava com o Governador e outros membros do governo. Perguntava-se se o SIDA já lá havia chegado. Queríamos introduzir o assunto sida para falarmos com aquelas pessoas que estavam no comício. Alguém se levantou e disse em língua local, que o SIDA talvez chegou, mas distribuíram-se entre eles (confusão com comida ou outros bens básicos). A pessoa não fazia ideia de que é que se estava a falar. E como as pessoas acham que qualquer coisa que chega é para ser distribuído entre as pessoas, achava que o sida fosse algum bem material que pudesse ser utilizado”.

Provavelmente a velocidade com a qual a informação chegou não ajudou. “Lembro-me que quando começamos a falar de casos de sida, ao nível dos órgãos de comunicação social, quando se entrevistasse alguém, a pessoa dizia que eu não posso ficar ou estar infectada. A gente diz sempre é aquele que está infectado. As pessoas não acreditavam que o sida podia ser também algo que as pudesse afectar, todos pensavam que era problema de outra pessoa. Só que neste momento acho que a maior parte das pessoas já se aperceberam disso, mesmo na área rural. Contudo, ainda existem aquelas pessoas que mesmo com franco acesso à informação teimam em não mudar de comportamento”, lamenta Páscoa Whate.

Hoje serão poucos os que ainda não sabem do drama que representa o HIV/SIDA. Contudo, persiste a resistência à mudança de comportamento individual. A avaliar pela prevalência de elevados números de novas infecções diárias [estimativas de novas infecções para 2016, todas as idades (83 mil), sendo 70 mil para faixa etária dos 15 aos 49 anos e 13 mil para crianças dos zero aos mil], com tendência para agravamento em algumas regiões, com destaque para o sul do país. As estimativas podem inclusivamente pecar por defeito. Isto significa que mesmo recebida a mensagem, ela é simplesmente ignorada. Porquê?

Para o Sheik Aminudine Mahamade, da Comunidade Muçulmana, a resposta é tão simples quanto isto: “nós ainda não atacamos aquilo que deve ser atacado (medidas precaucionais) e talvez só estamos nas medidas cosméticas. Por isso que a gente não está a conseguir eliminar este mal”.

Das palavras do Sheik depreende-se que nas inúmeras estratégias de combate ao HIV/SIDA em Moçambique algo está errado. O que será? “Eu acho que o que falhou é na estratégia

mesmo de abordagem e algumas vezes de identificação dos verdadeiros problemas”, responde David Abílio, antigo Director da Companhia Nacional de Canto e Dança.

“Eu sou de crer que em termos de mensagem o SIDA existe, mata e faz essas coisas, essa mensagem está efectivamente disseminada. Já é raro encontrar alguém que não saiba disso. Na área da cultura, por exemplo, mesmo no interior, encontramos esse conhecimento nas canções das pessoas. Mas o grande problema é como prevenir-se de SIDA fora da estratégia do preservativo. Não há dúvidas que o preservativo é uma das formas mais seguras, mas ao mesmo tempo é a coisa que poucas pessoas ligam. Embora sabendo, as pessoas não usam o preservativo. Primeiro, por causa dos problemas culturais. Geralmente os africanos têm mais do que uma parceira. Para além da esposa tem sempre uma amiga. Mas essa amiga não é uma amante, como a gente diz, é uma palavra que estamos a impor por causa dos conceitos. Se a pessoa tem duas mulheres, se não é polígamo é porque é amante, mas que por razões várias a gente não admite isso. Quando isso acontece dissemos que temos confiança. Se tenho confiança com uma pessoa que não é amante, não preciso de usar preservativo, não faz sentido, porque é tão minha mulher como outra, embora não seja oficial. E as coisas começam a complicar-se por ai, porque nós temos confiança com a segunda ou com a terceira mulher… teremos que encontrar outras formas de abordagem que, enfim, possam ajudar as pessoas a compreender que neste tipo de circunstâncias da nossa realidade cultural, em que o homem africano, regra geral, tem mais do que uma mulher, como fazer com que possa se adaptar a um novo contexto em que temos esta coisa do HIV/SIDA”, opina David Abílio.

Remédio santo precisa-se para mudar o quadro que o HIV/SIDA nos proporciona na actualidade. Do que se fez até agora não há resultados, ou se há, estão ainda muito aquém das expectativas. Há que encontrar novos caminhos que levem a sociedade ao sucesso, porque desanimar seria uma rendição mais fatal ainda.

“Já que o que estamos a gastar não está a surtir resultados, em contrapartida as consequências, em forma de perdas económicas são superiores ao que se gasta, alguma coisa está mal. Enquanto não se atacar o mal pela raiz, nós estamos a enfrentar uma guerra perdida. Temos que atacar o mal pela raiz. Canta-se e repete-se que a prevenção é a melhor cura, mas como prevenir? A prevenção deve ser através de abstenção. A propaganda que está a ser feita é de prevenção com meios precaucionais, com recurso ao preservativo. Isto não resolve o problema, pelo contrário, gera outros problemas. O uso do preservativo está a propagar a imoralidade, está a promover o sexo livre e está a propagar a perda de lares, os divórcios, e

muito mais consequências que só nos criam problemas. Portanto, eu acho que do ponto de vista islâmico, nós temos que dizer que a melhor prevenção é através da abstenção total”, defende Aminudine Mahamade, da Comunidade Muçulmana.

O Sheik identifica o que designa de males concretos que enquanto a sociedade moçambicana não atacar, o SIDA jamais será vencido. “A pornografia, o lesbianismo, a promiscuidade, o divórcio, infanticida, aborto, sodomia, homossexualismo. Enquanto todos não voltarmos aos nossos valores morais puros, genuínos e simples, herdados dos nossos pais, avôs e bisavôs, e não mudarmos o estilo de vida que estamos a levar actualmente, duvido que a gente possa sair vencedora desta batalha contra o SIDA, que exige contribuição de todos”.

O HIV/SIDA não escolhe idade nem extracto social. Era suposto que pessoas letradas adoptassem um modo de vida que ajudasse na redução das novas infecções, porque detentoras do saber e do conhecimento até científico. A médica Paula Whate sugere que não parece que este desenho encontre eco na sociedade.

“Já vi doentes (de SIDA) de todos os extractos sociais, de todos os níveis de escolaridade, então ainda não encontrei uma relação entre o nível de escolaridade e a probabilidade de a pessoa se infectar”, lamenta a médica. Dai que um combate bem-sucedido só será alcançado quando um dia, finalmente cada indivíduo assumir o HIV/SIDA e os seus efeitos dramáticos como uma realidade, e ai cada um adoptar um novo estilo de vida conforme o seu estado de seroprevalência.

“A partir de casa, o próprio pai, a própria mãe, devem ter uma oportunidade, devem ter coragem, porque muitas vezes as pessoas sentem dificuldades de fazer este tipo de abordagem com os seus filhos, principalmente quando são menores, porque pensam que vão educa-los quando tiverem 18 anos ou quando estiverem quase para casar. Mas eles aos 18 anos já começaram com a relação sexual. Nós temos que actuar a partir de casa, nas escolas, os professores devem passar a mensagem. É claro que temos que saber como passar a mensagem, dependendo do grupo alvo para quem nos dirigimos. Não vamos falar da mesma forma para uma criança de cinco anos assim como vamos falar para um jovem de 25 anos. Não vamos juntar, por exemplo, a sogra e o genro e falar deste assunto. Provavelmente teremos que encontrar meios próprios ou formas próprias de passar a mensagem, dependendo do aspecto sociocultural das pessoas com quem vamos falar. Há certas sociedades aonde facilmente podemos juntar pessoas de diferentes idades e falarmos de determinados assuntos.

Mas há certas sociedades onde não é possível. É tabu falar de sexo onde há pessoas de diferentes idades”, afirma Páscoa Whate.

Naquele tempo, a voz da mãe e da avó, complementadas na escola pela voz do professor, era algo sagrado cumprido com carinho e amor. Bastava dizer algo como isto: não Faça isto, “swaila” (não é admissível/não se faz), na língua de sul de Moçambique, ninguém ousava. Dava-se exemplo de acto sexual antes de uma certa idade que uma determinada linhagem ou comunidade assumia como consensual. A justificação é que podia contrair tuberculose quase sem cura (estereotipe), altamente mortífera.

Não era preciso investir sequer um centavo para campanhas do que quer que fosse. As coisas pegavam com uma naturalidade tal, sem pressão nem esforço de espécie alguma. A juventude de então assumia a mensagem com total orgulho de ser filho de boa gente. Não contavam valores materiais. Hoje, pouco ou nada disto acontece. Os valores morais e culturais era uma vez. A sociedade moçambicana não estará hoje a pagar pesado fardo de algo que se assemelha à destruição consentida ou não, dos seus valores morais e culturais?

“Há muita coisa que contribuiu para a desintegração moral dentro da sociedade. A Media está a contribuir muito também através dos programas de televisão, nudismo, concurso de beleza e tudo mais. Por isso que hoje, enquanto no nosso tempo não havia televisão, não havia nada, quando anoitecia você fechava-se dentro da casa e acabou, nem rádio tínhamos. O sistema era mais caseiro, mais confinado dentro da casa. Hoje está-se a tornar um bocadinho difícil, depois da globalização das coisas, mesmo se você proibir a sua criança de sair de casa, dentro de casa você tem internet, revistas, ou é jornal que pega, o mal já nos atingiu. Neste combate é preciso incluirmos a todos, fazendo o tal triângulo casa-escola-sociedade. Enquanto não houver colaboração das três partes, as coisas vão falhar”, adverte o Sheik Aminudine Mahamade.

Mais de USD 300 milhões foram gastos de forma directa num período de três anos (2005-2007) em acções de prevenção e combate ao HIV/SIDA. Muitos outros investimentos foram feitos e continuam a ser feitos de forma indirecta, mas nem por isso os resultados aparecem, porque a arma principal continua subestimada: o comportamento individual exemplar face ao drama.

Estatísticas insistem que a relação sexual irresponsável continua a ser a principal causa de contaminação pelo vírus do HIV causador da SIDA. Um quadro simplesmente e

extremamente lamentável. A realidade no terreno, a vários níveis, mostra que não parece que estamos a fazer progresso na luta pela prevenção e combate ao HIV/SIDA.

Dom Dinis Singulane, aponta como causa deste quadro, o modus vivendo que o homem insiste em adoptar, apesar de tudo que o HIV/SIDA representa. “ Quer parecer a mim que podemos olhar para a questão da sexta-feira como dia do homem. É algo que se usa e se diz por ai, gratuitamente. E, claro, se sexta-feira é dia dos homens, vão gostar do que fazem na sexta e vão voltar a fazer no sábado, na segunda, na terça, na quarta-feira. Torna-se um hábito normal, como se fosse comportamento normal do ser humano. Então, a mensagem de sexta-feira ser o dia dos homens, acima de tudo a prática que se faz com esta ideia tem que ser imediatamente tratada com seriedade, acima de tudo pelos próprios homens”.

Dom Dinis Sengulane entende que o hábito de sexta-feira dia do homem transporta consigo muitas imoralidades. Será por isso legítimo perguntar, enquanto se passa a sexta-feira dia do homem, quantos lares não ficam destruídos, e quantas novas infecções pelo vírus do HIV causador da SIDA a sociedade não soma em cada sexta-feira passada como dia do homem.

“A própria mensagem, dizer: ‘SIDA mata!’, ponto e final, não vamos para muito longe. Por um lado, aqueles que por ventura sejam seropositivos, vão dizer, ‘então vou sentar aguardar a morte’, por outro, aquele que ainda não fez o teste, começa a pensar valerá apena saber que ‘estou para morrer’. Então temos que mudar este tipo de mensagem, darmos outro tipo de mensagem, como ‘não se deixe contaminar’, ou dar aquela vida positiva que é necessária para o nosso comportamento”.

Apesar da disponibilidade do tratamento e o encorajamento para doentes e ou os infectados acederem a esse tratamento, ainda que insuficiente, a Estratégia Nacional mantem o seu enfoque na prevenção. Uma prevenção dirigida principalmente aos grupos mais vulneráveis, a exemplo de jovens, mulheres, crianças e outras pessoas com alta mobilidade. Contudo, a experiência tem estado a mostrar que a prevenção representa ainda um grande desafio.

O facto de os programas de consciencialização estarem a disseminar as mensagens sobre a prevenção, e haver mais informação disponível sobre os perigos que o SIDA representa, não parece traduzir-se na redução dos índices de contaminação. Isso pode significar que algo está errado na Estratégia de prevenção e combate à pandemia.

“A profissionalização da luta contra SIDA não ajuda. Precisamos de tomar uma atitude de que estamos a fazer um trabalho de que devia nos levar a terminar com a nossa actividade e

não uma coisa que fica institucionalizada. Ao mesmo tempo temos que olhar para a maneira como fazemos a publicidade sobre determinadas coisas. Há uma publicidade sobre um cigarro, sobre cerveja, sobre um certo tipo de roupa, sobre um produto qualquer que não tem nada a ver com o corpo humano. É acompanhado e precedido de apresentação duma moça indecentemente vestida, como se por ventura para alguém se sentir realizado tem que se meter sexualmente com aquele tipo de pessoa. Essas coisas todas prejudicam grandemente a nossa mensagem sobre o HIV/SIDA”, observa Dom Dinis Sengulane.

Dissemos que naquele tempo, a voz da mãe e da avó, complementada na escola pela voz do professor, era algo sagrado cumprido com carinho e amor. Cacilda Buque, idosa residente em Mulotane, Distrito de Boane, Província de Maputo, lamenta que a juventude de hoje não esteja para ensinamentos dos mais velhos, e o resultado é a desgraça espalhada pela sociedade inteira.

“É preocupante o tipo de vida que se leva hoje. A juventude não dá ouvido aos ensinamentos da família, nem à voz da razão. Para a juventude de hoje é tão normal um acto amoroso, mesmo perante os pais. A maneira de vestir deixa muito a desejar. Nos nossos tempos as partes íntimas da menina eram preservadas com todo rigor. Não temos onde queixar, depositamos tudo no governo. Nos nossos tempos o governo estabelecia as regras, respeitando no entanto tudo o que fosse julgado sagrado ou tabu. Hoje nada é sagrado, nada é tabu. Já não há o inadmissível, o não se faz (swa yla). Esta é a razão da proliferação de muitas doenças, cuja origem se desconhece. Muitas famílias enlutam-se todos os dias por causa da SIDA, uma doença sem cura. Insistimos com os nossos filhos, porque o SIDA tem origem no pecado consentido por Adão e Eva. Não há respeito mútuo entre os mais novos e os mais velhos. Devemos resgatar os nossos valores morais e culturais, dentro e fora da família”.

Por sua vez, Eduardo Moye, igualmente idoso residente em Mulotane, lamenta a perda dos usos e costume de antigamente. “Perdemos autoridade perante a juventude. Nós começamos com educação moral transmitida pelo padre. O governo terá contribuído, ao multiplicar o discurso de que não há tabu, mesmo perante traje indecente. E aqui começa a perda dos valores. A escola também já não ajuda na educação. Naquele tempo o início de actividade sexual tinha regras. Não podia começar sem prévia autorização familiar, porque era inadmissível ou não se devia fazer. Os jovens respeitavam esses ensinamentos. Depois de casamento a noiva observa regras rígidas para iniciar com a actividade sexual com o noivo.

Quando o noivo confirmasse a virgindade da noiva, validava-se o lobolo e o casamento. Caso contrário a noiva era vaiada”.

Dom Dinis Sengulane, por seu turno, considera fatal e perigosíssimo, no mínimo, o que apelida de exclusão de Deus da vida da sociedade moçambicana. “O que nós perdemos, nós e as famílias, abandonámos a nossa posição de educadores e moralizadores da gente mais nova, não só os nossos filhos, mas todos aqueles que são mais novos ou mais jovens do que nós. A escola, como centro da moralização, o facto de o professor ter deixado, em muitos casos, infelizmente, de ser o segundo pai, aquele a quem respeitamos, porque ele se comporta para nós como pai e nós olhamos para ele e tratamo-lo neste mesmo sentido, não está a ajudar para termos uma sociedade sã. A própria igreja sentir-se que quando se pronuncia sobre aspectos de carácter moral, por um lado, nem está a fazer favor a ninguém, essa é a sua vocação, e por outro, qualquer pessoa que oiça pronunciamento da igreja não deve pensar que lá estão eles a interferir, pois a igreja é chamada a intervir. Então existem todos estes intervenientes que parece terem recuado de alguma maneira ou fala, agora, um pouco timidamente”.

Sengulane conclui que gente jovem acaba não sentindo aquela pressão moral que devia estar sobre si quanto ao seu comportamento, saber que “nós somos guardadores uns dos outros, como dizia Caim depois de ter morto o seu irmão Abel. Quando se diz swaila, isto não se faz, encontramos essas referências mesmo na bíblia, porque na nossa terra, na nossa tradição isso não se faz. Não ouvimos esta linguagem hoje e isso prejudica-nos e nós ficamos todos a perder com esse tipo de atitude”.

Com o HIV/SIDA perdem-se igualmente valores morais. Assiste-se hoje a enriquecimento imoral e questionável à custa dos programas de prevenção e combate à pandemia, não interessa a preocupante falta de retorno dessa luta.

Se se destina rios de dinheiro para este drama é porque o HIV/SIDA não escolhe entre o primeiro e o terceiro mundo. Cobra pela mesma moeda, desde que quebradas as regras de jogo que a chamada doença do século impõe: prevenção, que passa pela abstinência e fidelidade, já que o recurso ao preservativo parece estar votado ao insucesso, como o resto das estratégias conhecidas, tal como correntes da sociedade anteviram e advertiram em tempo útil, mas ignoradas.

Essas correntes parece que tinham e têm as suas razões, porque elas preservam o seu compromisso com a fidelidade conjugal, valores que dificilmente poderão ser exaltados com o preservativo, que enuncia uma relação sexual fora de casamento.

Dom Dinis Sengulane encontra maior mal na profissionalização da luta contra o HIV/SIDA. “Os esforços de luta contra SIDA não se profissionalizam como se por ventura se tratasse de uma actividade distinta, separada de ser médico, engenheiro, padre. Precisamos de trazer esta intervenção nossa, a partir dos vários ângulos onde estamos inseridos. Certamente que será necessária uma certa organização, uma certa administração, mas sem ser tão grande que ultrapasse a própria intervenção nossa”. (x)

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