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Asfixia económica

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(161219) -- PARIS, diciembre 19, 2016 (Xinhua) -- Imagen de archivo del 22 de junio de 2016 de la directora gerente del Fondo Monetario Internacional (FMI), Christine Lagarde participando durante una conferencia de prensa en Washington, D.C., Estados Unidos de América. El Tribunal de Justicia de la República de Francia halló el lunes a Christine Lagarde, directora del Fondo Monetario Internacional (FMI), culpable de negligencia por un pago estatal hecho en 2008, pero no la sentenció. (Xinhua/Yin Bogu) (rtg)

O ano de 2017 fica marcado, entre outros indicadores, pela pouca confrontação directa entre o Governo e os parceiros externos.

O mérito vai para o Governo, que encontrou uma estratégia governamental adequada com o objectivo final de afirmar a soberania do Estado moçambicano.

Por outro lado, dentro do Estado moçambicano as decisões são tomadas em respeito à soberania do Estado, ao mesmo tempo que os moçambicanos respeitam os compromissos com os parceiros e não aceitam imposições.

O Governo já veio a público reiterar que os moçambicanos devem viver com os seus próprios recursos, poucos ou muitos, num claro sinal de afirmação da soberania de um Estado jovem, que entretanto ainda precisa dos seus parceiros.

Pouca confrontação mas de uma forma suave de mostrar que nós estamos juntos, mas é chegado o momento de nós os moçambicanos darmos os nossos passos para a nossa sobrevivência.

Não ouviu no discurso do Governo, a ideia de que parte dos problemas que temos em Moçambique foi por causa da assessoria que vocês, os nossos parceiros nos deram. Aqui podemos ir buscar os casos do caju, do negócio da Vidreira, aquela nossa indústria incipiente mas que existia, entretanto destruída em parte por causa das imposições do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

O ano de 2017 viveu de afirmação da soberania por parte do Governo, e uma relativa aproximação dos parceiros para compreender esse lado da soberania de Moçambique. No discurso dos parceiros ouviu-se uma certa confrontação de alguns, mas também um discurso mais pragmático de outros parceiros internacionais.

Todavia, no caso concreto do FMI persiste o braço de ferro, que se vai manter pelo menos até 2019, ano das Eleições Gerais.

Aliás, o último pronunciamento do Fundo Monetário Internacional citado pela revista britânica The Economist, mostra claramente que o FMI é dos parceiros que ainda está a fazer valer a sua confrontação com o Governo, a pretexto das chamadas dívidas não declaradas.

Nota-se claramente um interesse político muito forte do FMI, que à semelhança de outros parceiros, tem a plena consciência de que enquanto a Frelimo estiver no poder, este partido vai ser uma força política muito importante para defender um certo Nacionalismo, sobretudo nos recursos naturais.

Não é de estranhar que para o FMI nada melhor que usar a teoria de asfixia económica para fragilizar o Governo da Frelimo até chegar às eleições de 2019.

Se chegar essa asfixia económica se perpetuar até às eleições de 2019, provavelmente o Governo da Frelimo vai se sentir na obrigação de justificar aos moçambicanos as condições (difíceis) sociais e económicas desfavoráveis, o que pode ser transportado para a mesa de voto.

Se não for no Governo central, pelo menos esta medida de asfixia económica vai se reflectir na diminuição do poder do Governo da Frelimo no controlo de todas as províncias.

Secundando o FMI, a Suécia surpreendeu-nos com pronunciamentos muito fortes através da Comunicação Social, algo pouco comum deste país nórdico, pois há alguns anos atrás não se podia esperar algo semelhante de um representante diplomático!

Tudo isto deve ser entendido no quadro da teoria de asfixia económica, à luz da estratégia de diminuição do poder da Frelimo ou em última instância da mudança forçada do regime político em Moçambique.

Até certo ponto não se pode excluir em absoluto que o próprio FMI pode não ser totalmente inocente na engenharia das chamadas dívidas ocultas, para os objectivos que hoje se clarificam com a asfixia económica.

São grandes movimentações de dinheiro, e onde há USD dólar o orgulho americano não pode ficar ferido, Washington tem de ter um rasto da circulação da sua moeda que comanda o mundo, fora da soberania dos Estados Unidos da América (EUA) que deve ser preservada.

Se os americanos perdem o controlo da circulação do dólar, incluindo da sua produção no mundo, pode ser um descalabro para o seu próprio poderio. O poder dos EUA está igualmente no seu dólar.

Por outro lado, em condições normais, as transacções do nível das chamadas dívidas ocultas ocorrem em bancos que têm um circuito de comunicação eficiente.

Para o benefício da dúvida pode-se admitir por outro lado, que era possível “fintar” os americanos, porque todo o negócio das chamadas dívidas ocultas foi preparado com um objectivo político e de segurança.

Todavia, no final do dia é extremamente difícil este tipo de negócios passarem sem se saber de alguma coisa, mesmo que não se saiba ao detalhe. Logo, a teoria de que o FMI não sabia nada em absoluto, pode ser questionada. Era preciso que se conseguisse um pretexto para forçar alternância política em Moçambique.

Trata-se de uma hipótese muito forte que não pode ser descartada. Aliás, esta hipótese não pode ser totalmente descartada, tendo em conta todo o contexto da África Austral. Nesta região todos os partidos libertadores estão sob fogo cruzado, uns mais fortes do que outro.

A tese da mudança de regime já foi inclusivamente denunciada pelo antigo Presidente da África do Sul, Thabo Mbeik. “Um líder reformado das Forças Armadas Britânicas disse que devemos continuar a pressionar. O antigo Primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse ao líder das Forças Armadas que deviam pôr em marcha um plano para derrubar fisicamente o Presidente Robert Mugabe. E porque estávamos debaixo da mesma pressão, nos dissemos não, porque você vem de Londres e não gosta de Robert Mugabe e sei que as pessoas lá também não gostam dele. Querem remove-lo para colocar lá outra pessoa, mas porquê essa decisão deve vir de Londres?”, indagou Mbeik, numa entrevista a uma prestigiada cadeia internacional de televisão.

Como hoje já não se pode fazer a mudança de regime de forma política agressiva como se fazia no passado, hoje as teorias de asfixia económica revelam-se como sendo a fórmula mais subtil de se chegar a este objectivo.

Enquanto nas décadas 60-80 as grandes potências internacionais patrocinavam golpes de Estado com militares no activo ou por via de mercenários, hoje é extremamente difícil realizar esta engenharia, sobretudo na zona da África Austral, não se encontrando, por conseguinte, outra alternativa mais simpática, mas muito poderosa, que não seja a dimensão económica (asfixia económica).

Entre os parceiros externos, os partidos libertadores na África Austral, nomeadamente em Moçambique, Angola, Zimbábue, África do Sul, Namíbia e na Tanzânia, não colhem simpatia. O pretexto é de que estão há muito tempo no poder e é difícil lidar com eles, quanto

mais eles se consolidam no tempo no poder, mais difícil é o poder do capital internacional interferir na governação daqueles países para alcançar os seus interesses.

Em conclusão, a asfixia económica, não tanto na Tanzânia, é a estratégia que está a ser usada em Moçambique como aconteceu no Zimbábue. (x)

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