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“Quo Vadis RM”

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O título desta reflexão é nos emprestado pela expressão latina que na língua portuguesa significa “para onde vais?”, e no caso concreto a pergunta é dirigida à nossa Rádio Pública.

Por ocasião dos três anos do primeiro mandato Constitucional do Presidente da República, Filipe Nhusi, grande parte da Comunicação Social dedicou com toda a justiça, espaços nobres para a devida e inevitável reflexão e avaliação.

Numa com objectividade, imparcialidade e rigor e noutra nem tanto. Pura e simplesmente se pontapeou a regra da profissão que proíbe o juízo de valores na peça jornalística, salvo quando há demarcação clara de se tratar de opinião do jornalista.

No caso que inspira esta reflexão estávamos perante uma peça jornalística, que não deve ser confundida com comentário, opinião, crónica ou editorial.

Neste pontapear da regra universal e sagrada, encontramos dois grandes objectivos: agradar ou ofender.

Na tentativa de agradar, acabamos deparando com excessos que no lugar do objectivo pretendido, o resultado foi totalmente contrário e desastroso, com a figura do Chefe do Estado, Filipe Nhusi, a ser colocada numa situação bastante desagradável e embaraçosa.

Não cremos que Nhusi se sinta confortável quando comparado aos seus antecessores, pois cada um liderou e dirigiu no seu tempo.

Ouvimos isto na Rádio nossa Pública, quando um jornalista iniciava a sua peça de balanço dos três anos de governação de Nhusi, dizendo: “Desta vez os moçambicanos acertaram na escolha de um líder comprometido com a causa da Nação. Um líder que quer ver o seu povo a viver bem”.

Isto saiu da boca do jornalista, que igualmente foi infeliz, quando mais adiante atribui sem sucesso, as afirmações a um dos seus entrevistados, pois em nenhum deles se ouviu algo similar.

O jornalista pretendeu insinuar que os moçambicanos não acertaram na escolha de Eduardo Mondlane, Samora Machel, Joaquim Chissano e Armando Guebuza! Gravíssimo!

No âmbito da liberdade de expressão até pode ser que a esse jornalista assista o direito Constitucional de fazer tais comparações, mas que o faça num género compatível e não naquela peça que visava dar a voz aos sem voz, metendo-nos numa confusão tremenda!

A história de Moçambique, desde a Luta Armada de Libertação Nacional, que não pode ser branqueada, ensina-nos que os líderes foram escolhidos pelos moçambicanos, sendo que cada um liderou e dirigiu no seu tempo, ou seja em contextos totalmente distintos.

Por assim dizer, representa grave ofensa estabelecer comparações, pelo menos nos moldes aqui citados.

Apenas alguns exemplos para elucidar: Eduardo Mondlane fundou a Frente de Libertação de Moçambique, foi obreiro da Unidade Nacional iniciou e dirigiu a Luta Armada de Libertação Nacional até ao seu assassinato.

Coube a Samora Machel herdar a luta até à proclamação da Independência Nacional e ser o primeiro líder de Moçambique independente, também até ao seu assassinato, quando enfrentava a guerra de desestabilização.

Joaquim Chissano, sucessor de Samora Machel, herdou o país em guerra, conduziu as negociações que culminaram com o Acordo Geral de Moçambique, ficando-lhe a marca de Paz.

A auto-estima dos moçambicanos foi a grande marca de Armando Guebuza, em cujo mandato foi notório o esforço no desenvolvimento de infra-estruturas, ao mesmo tempo que resgatava as bases do seu Partido.

Filipe Nhusi iniciou a governação enfrentando a forte contestação dos resultados eleitorais que se traduziu no reacender da guerra e teve que se empenhar no resgate da paz, apoiando-se em todos os moçambicanos, ao mesmo tempo que vinha ao de cima a asfixia económica, a pretexto das chamadas “dívidas ocultas”.

Logo, é de uma injustiça gritante estabelecer comparações do tipo “Desta vez os moçambicanos acertaram na escolha de um líder comprometido com a causa da Nação. Um líder que quer ver o seu povo a viver bem”. Há que respeitar as virtudes de cada um.

Por outro lado, nenhum dos líderes não esteve comprometido com a causa da Nação e todos eles quiseram e mantêm o desejo de ver os moçambicanos a viverem bem.

Em sistemas democráticos como o nosso, os cidadãos em idade eleitoral escolhem livremente os seus líderes ou representantes, no gozo dos seus direitos Constitucionais, longe de qualquer coacção ou instrumentalização.

Tratando-se de escolha livre, com que autoridade algum membro da Comunicação Social teria de julgar e concluir que numa ocasião os moçambicanos escolheram o melhor e noutras fizeram má escolha?

Rigor precisa-se na nossa nobre profissão! (x)

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