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Porquê não somos competitivos?

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Por: Boaventura Mandlate

A falta de cadeia de produção no país pode até certo ponto resultar do que o país herdou das políticas do colonialismo. O colonialismo português deixou Moçambique com um figurino que não permite competitividade, quer a nível interno quer a nível regional do ponto de vista da cadeia de produção.

As projecções actuais indicam que Moçambique vai permanecer mais 15 anos sem poder ser competitivo na região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, SADC. Até lá, não se vislumbra qualquer milagre que possa amortecer os elevados custos de operação nos nossos portos, ditados essencialmente pelo actual figurino das infra-estruturas dos transportes e pela incidência de impostos e procedimentos aduaneiros.

O país paga assim uma herança histórica de uma infra-estrutura concebida para servir países vizinhos sem acesso ao mar e não para servir a economia doméstica. Com a actual configuração, que levará 15 anos a mudar, o poder colonial português quis assegurar a ocupação efectiva de países de maior dimensão física, a exemplo de Angola e Moçambique.

A fraqueza do capital português para garantir uma ocupação efectiva como rezava a Conferência de Berlim, obrigou que a infra-estrutura dos transportes fosse virada para o hinterland, a origem do capital que podia ajudar a conseguir esse objectivo. Uma configuração incompatível com o contexto actual e pensa-se hoje num novo figurino capaz de pôr o país a ser competitivo na região. As nossas linhas férreas mantêm a tradicional orientação este-oeste, ligando os portos moçambicanos à África do Sul, ao Zimbabwe e ao Malawi.

Uma clara inversão na utilização com eficiência dos quatro modos de transporte: marítimo, ferroviário, rodoviário e aéreo. A estrada é a via (mais cara) mais preferida em detrimento do mar, que representa uma preferência quase zero. A seguir à estrada vem a média cara, a ferrovia. Grande parte dos portos moçambicanos são de chegada de carga internacional, que transita de e para os países do hinterland, e não de cabotagem. O país nunca teve uma estrutura marítima permitindo que o mar, do norte ao sul, seja a via preferida de transporte. Em consequência, Moçambique continua amarrado a uma infra-estrutura de transporte ineficiente, em comparação, por exemplo, com a África do Sul.

Um país como Moçambique devia ter como primeira opção de transporte, o mar, seguindo-se a ferrovia e a estrada seria a terceira opção, basicamente para alimentar as ferrovias.

Aliás, a dominação do sistema de transportes rodoviários induz a distorções que se repercutem sobre o desenvolvimento económico e muitas vezes contribuem para a perpetuação dos desequilíbrios regionais. Há estudos provando que em muitos países e ao longo do tempo a eficiência do transporte rodoviário nas melhores condições de gestão só se verifica quando a distância percorrida não ultrapassa os 500 quilómetros. (x)

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