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Austeridade severa precisa-se  

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Em 2017 o Governo lançou uma campanha de poupança de água, na cidade de Maputo e periferia, na sequência da escassez do recurso na barragem dos Pequenos Libombos, fonte principal. 

A capital chegou a enfrentar dias difíceis, passando por um fornecimento em dias alternados, por zonas e por bairros e não faltaram ocasiões em que durante dias seguidos a água não jorrou em algumas torneiras de alguns bairros.

Estranhamente já não se ouve falar tanto dessas medidas de austeridade, como se a situação se tivesse normalizado.

As medidas de poupança são dadas como ultrapassadas, pelo menos em termos práticos, na mesma altura em que os grandes depósitos de água registam níveis dos mais baixos. Já não se ouve slogan algum apelando à racionalização de água.

É surpreendente que não haja uma medida, uma política e uma divulgação ou mesmo uma campanha forte de poupança ao consumo e alerta sobre o facto de que podemos não ter água até para beber nos próximos meses.

Não precisamos de chuvas torrenciais, que provoquem outros estragos, para que os níveis desejados voltem.

O que precisamos é que a chuva caia a montante, na África do Sul e Swazilândia, nascente dos nossos rios.

Por enquanto a situação mostra que a gravidade dos volumes de água disponíveis para consumo na cidade de Maputo é tão grande, que as autoridades estão a fazer muito pouco ou quase nada para levar o povo à consciência do quadro prevalecente, tal como está a acontecer na cidade sul-africana do Cabo.

Aqui as filas de água crescem diariamente, em consequência da crescente diminuição da disponibilidade do recurso sem o qual não há vida.

Os habitantes da Cidade do Cabo passam noites junto às poucas fontes públicas, na esperança de conseguir alguma quantidade da escassa água.

Entretanto, as autoridades sul-africanas já alertaram sobre a possibilidade de o abastecimento público de água vir a ser cortado pura e simplesmente, em Abril, se o quadro actual continuar, conduzindo para uma situação em que as barragens do país atinjam um nível histórico de 13 por cento, o mais baixo de sempre na África do Sul.

Na Cidade do Cabo já não se autoriza a lavagem de carros, que se regue jardins, entre outras utilizações que embora necessárias, são julgadas dispensáveis, face à escassez exacerbada. Em Moçambique, particularmente na cidade de Maputo e arredores, gasta-se água por tudo e por nada, culminando com níveis de desperdício impressionantes e assustadores.

As nossas autoridades precisam de relançar uma campanha muito forte de poupança no consumo de água.

A escassez de água é um problema ambiental universal, cujos impactos tendem a ser cada vez mais graves caso a gestão dos recursos hídricos não seja revista e repensada.

A pecuária, que por vezes contamina rios e lençóis freáticos, contribui de maneira decisiva para a escassez de água, uma vez que de acordo com relatório publicado em 2003 pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, FAO, para se produzir um quilograma de carne são consumidos cerca de 15000 litros de água, contra apenas 1300 litros para se produzir a mesma quantidade de grãos. (x)

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