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Recomenda-se solução angolana

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Por: Boaventura Mandlate

As medidas que vêm sendo tomadas para salvar a nossa floresta continuam a revelar-se insuficientes para os resultados desejados e as autoridades não escondem o desespero. 

É que à medida que se aperta o cerco, os ilegais também vão sofisticando a sua perícia para contornar as autoridades, nem que para isso seja necessário investirem balúrdios, incluindo na corrupção de alguns dos nossos, para deixarem passar ou facilitar as acções furtivas, pois na hora de balanço os lucros continuam fabulosos.

Talvez a solução angolana nos ajude. Os angolanos acabam de decretar a proibição de corte e exportação de madeira do país.

Este só pode ser um acto corajoso de um país que já se consciencializou da gravidade da desflorestação do seu território, que entretanto pode até não ter atingido os nossos níveis de deflorestação.

Olhando para a gravidade das coisas entre nós, e a tudo que se seguiu a múltiplos esforços, pode-se concluir que a proibição de corte e exportação seria talvez a medida certa para Moçambique.

Seria até uma medida fácil para Moçambique, porque em muitas das razões do país abundam similitudes.

Depois de tudo que já se fez, continuamos a ver camiões e camiões, contentores e contentores carregados de diferentes espécies de madeira em situação ilegal e as autoridades vão lamentando. E aqueles camiões e camiões, contentores e contentores que conseguem contornar a barreira das autoridades? Pode ser que superem o pouco que se consegue neutralizar.

São árvores que levam centenas de anos a chegar à maturidade apetecível para a exploração da sua madeira. Quando se abate essas árvores sem direito à reposição com outras espécies que só daqui a 100 anos atingirão maturidade, estamos caminhando para uma tragédia ambiental que periga a nossa sobrevivência como seres humanos e outros.

Quer isto dizer que com a prevalência da situação actual estamos a comprometer o futuro de toda uma geração dos próximos 100 anos, o que é condenável a todos os títulos.

Não temos qualquer legitimidade para sacrificar gerações para alimentar os tais 80/100 trabalhadores que nem sequer se sabe se têm, na verdade, os benefícios dessa exploração.

Se a medida angolana é de extrema coragem, pelo menos tem o mérito de assegurar a manutenção de uma soberania.

Não pode haver dúvidas de que a floresta é hoje uma soberania, pois quando se derruba toda ela também se derruba o clima, e quando muda o clima os impactos são maiores e podem afectar a soberania nacional. (x)

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