Os eleitores de Nampula votaram sob pressão de guerra na segunda volta da eleição intercalar para o edil local.

Um dia antes da votação ficaram a saber que se o candidato da Renamo voltasse a perder na segunda volta, Afonso Dlhakama abandoaria o diálogo com o Chefe do Estado, Filipe Nyusi, num claro prenúncio de retorno à guerra.

Naquilo que pode ser visto como mais uma acção subtil e tendenciosa da “A Voz da América”, VOA, a emissora norte-americana trouxe na véspera da votação de Nampula, o líder da Renamo, Afonso Dlhakama, a ameaçar abandonar as conversões de paz com o Presidente da República, Filipe Nyusi, caso haja pretensa fraude no pleito.

Dlhakama volta à mesma alegação de época eleitoral, de falar de planos de fraude, com a desculpa de que jovens provenientes das províncias de Maputo, Manica, Sofala, Tete e distrito de Moma (Nampula) foram contratados para votarem a favor do candidato da Frelimo, Amisse Cololo, em troca de valores monetários e sob a protecção de uma força alegadamente enviada de várias províncias.

O líder da Renamo vai mais longe ao alegar, igualmente, tentativa de sequestro do candidato do seu partido, Paulo Vahanle, por um suposto grupo operativo enviado a Nampula, antes da votação do dia 14, sendo que terá havido um suposto plano inicial de sequestro que falhou, durante a campanha eleitoral.

Sem surpresa, a emissora norte-americana assumiu as alegações de Dlhakama como pura verdade a tal ponto que dispensou qualquer esforço de algum equilíbrio, buscando outros factos no terreno. Sem surpresa porque a emissora norte-americana sempre nos habitou a tratamento de situações similares da mesma forma, com total parcialidade intencional, pelo menos no que aos acontecimentos em Moçambique diz respeito.

No passado recente foi capaz de “forjar” provas na sua óptica irrefutáveis, colocando Moçambique a violar as sanções das Nações Unidas contra a Coreia do Norte.

E se o faz desta maneira não será porque a VOA desconhece as regras jornalísticas, nem tão pouco. A emissora norte-americana está a cumprir uma missão clara de colocar Moçambique sempre em alvoroço, até que um dia se consiga instituir um regime fantoche em

Moçambique, numa clara neocolonização sempre desejada por forças hostis que nunca se conformaram com a independência do país.

Podemos garantir que não houve plano algum, nem de infiltrados nem de sequestro. Os pronunciamentos de Afonso Dlhakama, sempre convenientemente na VOA, representam apenas um discurso de antecipação e justificativo, de eventual derrota do candidato da Renamo.

Olhando para a história do país pós 4 de Outubro de 1992, muitos moçambicanos nunca esconderam o seu cepticismo relativamente ao presente diálogo entre o Presidente da República e o líder da Renamo, pois se não é por uma razão, há-de ser por outra! Para a Renamo e o seu líder o que conta é o PODER! Não importa quantos moçambicanos morreram e quantos ainda vão morrer nas matas e nas estradas deste país! Ponta Vermelha é o objectivo final, não interessa por que vias. Qual democracia qual o quê? Onde está a democracia neste processo negocial bipartidarizado?

O pronunciamento de Dlhakama na véspera da votação para a segunda volta da intercalar de Nampula encerra claramente um ambiente de terror para a votação. Os eleitores vão às urnas com a mensagem clara de que a Renamo tem de vencer ou então retorna à guerra. Simplesmente com muita pena, a VOA patrocinou a publicidade ciente desta pressão psicológica sobre os eleitores. E sempre os mesmos veículos da mensagem a mostrarem a sua hipocrisia! Quem iria sequestrar o candidato da Renamo? Até se confunde a pacífica Nampula com uma cidade de gangsters, que não! (x)

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