Início Sociedade Desnutrição corrói PIB Moçambicano

Desnutrição corrói PIB Moçambicano

423
0
COMPARTILHE

Por: Boaventura Mandlate

O Governo acaba de confessar incapacidade de reduzir os níveis de desnutrição para projecções inicialmente idealizadas, justificando-se com as mais diversas razões.

A desnutrição representa, para já, uma emergência nacional com níveis dramáticos e alarmantes em Moçambique. As taxas são elevadas, com impacto negativo no Produto Interno Bruto (PIB), em consequência da debilidade do capital humano.

Marcela Libombo, especialista, diz que nos últimos em cinco anos o país registou melhorias, mas muito ténues. O país partiu de uma taxa de desnutrição crónica de 44 por cento, reduzida para 42.3 por cento, uma modesta redução de apenas 1.7 por cento em cinco anos,

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera de um modo geral, que a partir de 40 por cento a situação é alarmante. Significa que se Moçambique quer melhorar o estado nutricional da sua população tem de fazer reduções significativas da desnutrição.

A desnutrição crónica na fase adulta contribui para uma redução do PIB em 2-3 por cento em Moçambique. Uma em cada duas crianças sofre de desnutrição crónica, o que corresponde a uma taxa de 42,3 por cento, contra os cinco por cento recomendados pela OMS.

Malnutrição é um estado patológico que resulta do consumo de dietas deficientes, provocando desnutrição, bem como do consumo das dietas em excesso, dando lugar à sobrenutrição, de um ou mais nutrientes.

O problema mais grave em Moçambique é a desnutrição, em particular a desnutrição crónica, que se manifesta através de baixa altura para a idade da criança. A desnutrição crónica resulta de deficiências nutricionais durante um longo período de tempo e pode ser agravada por doenças. Uma criança de cinco anos com desnutrição mede entre 10 e 15 centímetros a menos que uma criança bem nutrida com a mesma idade.

Entre as consequências da desnutrição crónica destaca-se o desenvolvimento limitado do cérebro, atraso no desenvolvimento psicomotor, fraco desempenho escolar, vulnerabilidade a doenças infecciosas e não transmissíveis, a exemplo das diabetes.

“A desnutrição crónica em Moçambique é responsável pela mortalidade infantil. Mais tarde, no desenvolvimento do capital humano, verifica-se que as pessoas que cresceram com esta problemática (falência de crescimento), não são altamente produtivas. São susceptíveis a ter ciclos de doenças constantes e não contribuem para o desenvolvimento da economia. Portanto, se não fazemos nada para reduzir a desnutrição crónica, no fim do dia nós pagamos, por não sermos tão eficientes”.

Das doenças relacionadas com a desnutrição crónica aponta-se a anemia, que mata perto de nove mil mulheres, enquanto a deficiência de vitamina “A” mata cerca de 163 mil crianças. A desnutrição proteico-energética é responsável pela morte de mais de 208 mil crianças/ano. Além das mortes, regista-se perto de 1.5 milhão de recém-nascidos com diferentes níveis de atraso mental devido à deficiência de iodo.

“Significa que realmente, se queremos melhorar o estado nutricional, nós temos que fazer reduções significativas de desnutrição, porque os níveis são alarmantes e em algumas províncias como Cabo Delgado, estamos com cerca de 56 por cento, muitíssimo alto mesmo, quer dizer, demasiadamente alto, inaceitável”, disse Macela Libombo.

A província de Maputo é a que detém menor índice de desnutrição crónica (cerca de 23 por cento, enquanto Maputo Cidade detém 28 por cento, Gaza e Inhambane com 30-35 por cento.

A situação nutricional descrita como sendo dramática e alarmante (desnutrição crónica) no país, compreende dois estágios: mal nutrição e desnutrição, segundo Josina Mónica Mussengue, médica especialista.

Por sua vez, Cláudia Mutaquia, médica, afirma que a desnutrição é um fenómeno com peso significativo. Frisa que a gestão da desnutrição acaba representando um importante fardo para os escassos recursos disponíveis para o funcionamento do sector. “Nós temos tido realmente muitos casos de desnutrição aguda e alguns de desnutrição crónica. Os casos da desnutrição aguda são mais preocupantes, porque podem levar à morte rápida”.

A desnutrição é uma das principais causas de internamento em muitos Centros de Saúde, com médias mensais que podem variar de 4-5 crianças internadas. A maioria padece de desnutrição aguda, associada a outras patologias como HIV/SIDA, problemas respiratórios. Em todos os casos a doença primária é a desnutrição.

Por outro lado, várias unidades sanitárias atendem igualmente adultos abraços com a desnutrição, com uma média mensal de internamento de 10-15. Esta é apenas a situação hospitalar. “Para a situação geral seria necessário um estudo mais aprofundado para uma informação que se aproxima da realidade”, disse Cláudia Mutaquia, médica.

As estatísticas sobre a situação nutricional do país pecam por defeito. Sabe-se que por várias razões, muitos casos de diversas doenças começam e acabam na comunidade. Entre as razões figura a fraca cobertura da rede sanitária agravada por usos e costumes num país bastante ruralizado.

As crianças, para além de serem co-infectadas pelo HIV, são vítimas dos hábitos culturais nas comunidades. As mães saem de casa para machamba cerca das quatro horas da madrugada, levando como merenda, comida do dia anterior. A criança só vai comer ao meio dia e só volta a ter uma nova refeição à noite. Em condições normais, uma criança menor de cinco anos precisa de 4-5 refeições diárias, incluindo muitas frutas, verduras.

“Quando pergunto às mães o que é que as crianças comem, apontam chima para o período da manhã, almoço e jantar. Não quero dizer que chima não tem nutrientes, mas não tem todos e os outros só se encontram na fruta, carne, peixe, leite. Mas a base aqui é só chima, verdura, alguma mandioca, nem sempre batata-doce, e talvez só come peixe e carne quem está em centros urbanos ou perfiferia. Algumas pessoas têm fruteiras em casa, mas por razões culturais não têm o hábito de comer fruta”.

Cláudia Mutaquia destaca a importância de nas conversas e palestras com os doentes e nas comunidades se enfatizar os aspectos nutricionais, porque muitos pensam que a solução está no comprimido, quando de facto, a comida é, muitas vezes, a melhor terapia.

“Infelizmente, não sei se é para todos os moçambicanos, mas em algumas zonas do país as crianças não tomam leite, quando o ideal é todas as crianças, menores de cinco anos, tomarem pelo menos um copo de leite por dia”.

Em algumas unidades sanitárias depara-se com um fenómeno novo, nas causas que concorrem para a desnutrição. A enfermeira Quelda Abdul contou que das conversas com as mães, fica-se a saber que elas prestam mais atenção aos maridos, para assegurar o lar, em detrimento das crianças. Isto causa irregularidade no ciclo alimentar das crianças, acabando em desnutrição.

O país desenvolveu bastante a prevenção da transmissão vertical do vírus do HIV, causador da Sida, ou seja, de mãe para o filho durante o serviço de parto. Qual será a razão do elevado número de crianças infectadas?

“As mães não vão à consulta pré natal durante a gravidez, descobrem tarde o seu estado serológico, muitas têm parto em casa. Se vão à consulta pré natal muitas vezes não seguem as recomendações. Só vêm ao hospital quando a criança já está doente”.

A enfermeira Quelda Abdul lamenta o facto de serem muitas as situações de crianças desnutridas infectadas pelo vírus do HIV, que chegam ao hospital na fase terminal. Observa que os casos de desnutrição associados ao HIV podem ser tratados com sucesso, desde que cheguem ao hospital em tempo útil.

A situação nutricional é quase comum para todas as unidades sanitárias sobretudo no meio rural, sendo que em todos os casos peca por defeito. São muitos os casos que não chagam ao hospital, ou seja, começam e acabam nas comunidades. Mesmo uma análise limitando-se aos registos hospitalares, ilustra a gravidade da situação. A agravar ainda mais a situação, a associação da doença ao vírus do HIV, causador da Sida.

Sobre malnutrição

Marasmo e kwashiorkor são os dois tipos de desnutrição conhecidos cientificamente e muito frequentes em muitas unidades sanitárias, principalmente na pediatria, igualmente associados ao HIV.

Uma criança sofrendo de desnutrição do tipo marasmo apresenta-se bastante magrinha, muito caquéctica, seca. Por sua vez, a criança padecendo de desnutrição kwashiorkor aparenta estar gordinha, tem os pés com edemas (pés inchados). Há situações em que as duas patologias estão associadas. Neste caso a criança apresenta-se toda magra, com a cara que às vezes se chama de cara de macaco, ou cara de velho, em que é toda pele e osso.

São crianças muito apáticas, não gostam de brincar, desinteressam-se por tudo que têm em volta, apresentam cabelo leve e fino, com uma coloração amarelada ou amarela avermelhada. Em ambos os casos as crianças perderam apetite.

A médica Josina Mussengue diz que as crenças são o maior entrave no tratamento da desnutrição e de outras doenças. Nas comunidades rurais quase todas as doenças são associadas à feitiçaria. O tratamento é feito na comunidade em função desta crença. Quando se decide ir ao hospital muitas vezes já é tarde.

Do total das crianças testadas no primeiro num semestre 37 por cento são HIV positivas, em províncias como Gaza, a título de exemplo.

Sofre de malnutrição a pessoa que não se alimenta correctamente. “Nós sabemos que temos proteínas, os carbohidratos e as vitaminas. Temos que consumir isto em quantidades certas e numa dieta correcta. Na malnutrição enquadramos também aqueles que têm uma supernutrição, que provoca a obesidade. É alguém que tem comida em excesso – quantidade calórica elevada”, disse Marcela Libombo. Na desnutrição há carência alimentar, sendo que se distingue a desnutrição crónica de aguda.

A desnutrição aguda é aquela que resulta da carência de alimentos de forma imediata. É frequente em épocas de grande carência de alimentos, por alguma calamidade, ou quando uma criança, por força de uma nova gravidez, deixa precocemente, de consumir leite materno, ou quando a mãe encontra morte precoce. Aí a família fica numa situação crítica que muitas vezes desencadeia desnutrição aguda na criança. A criança fica inchada, com edemas. A desnutrição crónica leva mais tempo, a criança não vai consumindo as comidas apropriadas. Geralmente essa desnutrição crónica se reflecte na altura da criança, na altura pela idade, no desenvolvimento escolar, algumas doenças são mais frequentes nesse caso da desnutrição crónica.

A taxa de desnutrição crónica é a mais alta, com uma média nacional de cerca de 43 por cento, contra os cinco por cento recomendados pela OMS. A desnutrição aguda tem uma taxa de 5,6 por cento. Quase a totalidade das causas da desnutrição no país estão associados ao HIV, vírus causador da Sida.

Desnutrição crónica

Uma razão fundamental ou mais perniciosa são as gravidezes precoces que são muito frequentes no país, sobretudo no meio rural. A outra causa é o espaçamento entre os bebés, sobretudo quando a alimentação não é correcta nas mães. A outra causa tem a ver com dieta alimentar (dietas monótonas). Não são dietas ricas, com proteínas ricas em micro nutrientes.

Não basta consumir em quantidade, sem acompanhantes muito ricos. Considera-se também a qualidade de água. Há muita parasitose no país, alguns falam de cerca de 90 por cento de parasitoses, que não permitem a retenção de alimentos no organismo, roem dentro do estômago e causam uma saída contínua de sangue das paredes do estômago, o que mais tarde pode contribuir para as úlceras, os cancros. No rol das principais causas da desnutrição crónica no país encontramos também as condições de saneamento, que não é adequado. Concorre igualmente o facto de, principalmente no meio rural, alguns maridos recusarem o espaçamento das gravidezes.

A estas principais causas da grave desnutrição crónica em Moçambique, juntam-se outras tantas: o não cumprimento do aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida, a interrupção do aleitamento materno antes dos dois anos de vida e as infecções nas crianças e na mãe antes e durante a gravidez. Considera-se que 1000 dias podem mudar uma vida, numa clara alusão ao período que vai da concepção até aos dois anos de vida da criança.

Se durante este período a criança não recebe a quantidade suficiente de nutrientes apropriados, os danos físicos e cognitivos tornam-se permanentes. A desnutrição crónica não tem cura, mas pode ser prevenida e a baixo custo.

Em tempos não muito distantes, uma mulher vivendo com o HIV só podia amamentar o seu bebé até aos seis meses. Hoje a criança continua o aleitamento materno até onde a mãe poder, fazendo um xarope para ajudar a prevenir a transmissão do vírus do HIV durante o aleitamento. Esta medicação continua até uma semana depois da interrupção do aleitamento materno, ao mesmo tempo que são prosseguidas análises para descartar a possibilidade de uma eventual infecção pelo HIV. Em caso de infecção confirmada, até aos dois anos, a criança é imediatamente submetida ao tratamento anti-retroviral.

Mas será que a prevenção da transmissão vertical, de mãe para o filho, tem eficácia total? “Cem por cento não direi, isto é um conjunto de medicamentos e de medidas que a gente vai fazendo, mas os resultados são muito bons e encorajadores, não chegam a 100 por cento, mas por ai 90 por cento, naquelas mulheres que fazem o seguimento de acordo com as normas do Sistema Nacional de Saúde”, disse Josina Mussengue.

Atacar o problema

Mulheres com baixa educação são mais susceptíveis de gerar filhos com alto teor de desnutrição. Só com acções coordenadas e articuladas multissectorialmente e também com vários autores, incluindo a sociedade civil, que trabalha ao nível da comunidade, Moçambique poderá acelerar as entradas em termos de intervenção para cortar este grande mal que é a desnutrição.

Paradoxo

A província moçambicana de Cabo Delgado produz muita comida. Contudo, detém a mais elevada taxa de desnutrição crónica a nível do país (56%). Para Marcela Libombo, esta é uma lição dura para os moçambicanos, porque mostra visivelmente que a redução não pode só ter uma intervenção. É um problema transversal que requer uma intervenção complexa.

“Posso ter alimentos suficientes, mas se não estou a variar e fazer uma boa combinação alimentar, pelos hábitos, usos e costumes, não vou crescer, não vou crescer condignamente. Temos que reeducar as nossas comunidades para fazer melhor aproveitamento alimentar”, adverte Marcela Libombo.

Hábitos e costumes

Marcela Libombo reconhece o pesado fardo que representa a busca de solução do problema da desnutrição em Moçambique. Trata-se de uma sociedade com enorme peso de hábitos e costumes que interferem de forma significativa e negativa em quase todos os modelos que a ciência pode conceber.

“Esse é o trabalho mais difícil de realizar. Temos que envolver sociólogos, antropólogos, sobretudo na fase de desenho dos materiais e de estudos. Mas os Media têm um papel muito importante. Na Tanzânia, por exemplo, bastou passarem mensagens radiofónicas pequenas nas manhãs para lograrem grandes modificações. Também temos que sair dos nossos gabinetes e trabalhar com os líderes locais”.

A agricultura é uma das importantes fontes de solução da problemática da desnutrição, uma emergência nacional em Moçambique. Todavia, o sector está muito longe de dar a sua contribuição, por força dos baixos níveis de produção e da produtividade.

“Ao nível da agricultura temos uma pressão maior para reduzir défices. Tem que aumentar rentabilidade em termos de produção, o que significa ter tecnologia, sementes melhoradas e também técnicas acertadas de produção. O desafio é enorme, não restam dúvidas. O país tem muito boas condições em termos de solos, clima. O que precisa é um conjunto de políticas, implementadas, não só ficando no gabinete (esse é outro grande desafio), para ver revertidos os problemas que temos, e a agricultura tem potencial. A irrigação é uma das áreas que vai ter outro tratamento ao nível do país, para garantir que haja mais produção alimentar para auto-sustento e o excedente para estimular o mercado ao nível da região e fora do país”.

A Segurança Alimentar Nutricional, SAN, está consagrada no Direito Internacional. As convenções mais importantes que se referem à SAN são: Convenção Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais de 1966, Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a Mulher, de 1979, Carta Africana dos Direitos do Homem e todos os Povos, de 1989, Convenção dos Direitos da Criança, de 1989, Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, de 2000.

Embora tenha ratificado grande número de convenções internacionais, Moçambique precisa de ratificar o Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais que proclama o Direito Humano à Alimentação Adequada.

Custos

Os custos da Insegurança Alimentar e Nutricional afectam gravemente a sociedade moçambicana aos níveis familiar e comunitário. Ao nível dos agregados familiares o fenómeno eleva de forma desproporcional os custos de saúde, baixa a produtividade no trabalho, os níveis de desenvolvimento do capital humano, aproveitamento escolar e incide de modo particular nos grupos mais vulneráveis, nomeadamente mulheres e crianças. Ao nível nacional, a Insegurança Alimentar e Nutricional aumenta os custos sociais, políticos, económicos, eleva o risco de investimento, além de constituir uma privação de direito à alimentação.

A principal despesa dos agregados familiares relaciona-se com a alimentação (48%), sendo 33% nas zonas urbanas e 64% nas zonas rurais. A segunda maior despesa é constituída pela habitação, seguida do combustível (22,4%) e transporte (7,2%). Por fim, a educação e a saúde, por serem áreas subsidiadas pelo Governo.

A desnutrição crónica reduz a capacidade produtiva em 2-3% do PIB. A deficiência de iodo na vida intra-uterina, a desnutrição crónica nos primeiros anos de vida e anemia nas mulheres adultas afecta a produtividade de trabalho em cerca de USD 132,6 milhões por ano.

Mortes relacionadas

A anemia, ligada à desnutrição, mata anualmente mais de 8500 mulheres, enquanto a deficiência de vitamina “A” causa a morte a 163 mil crianças/ano, de acordo com o Ministério da Saúde. Por sua vez, a desnutrição proteico energética é responsável pela morte de mais de 200 mil crianças/ano em Moçambique. Além das mortes, o país regista cerca de 1,3 milhões de recém-nascidos com diferentes níveis de atraso mental devido à deficiência de ido.

Solução

Resolver o problema nutricional em Moçambique requer um investimento de longo prazo na prevenção e tratamento da desnutrição. O custo por pessoa nos programas que são conhecidos por actuarem rapidamente na redução dos problemas nutricionais foi estimado em cerca de USD 10 e beneficiaria 16% da população (4% equivalente às mulheres grávidas e 12% às crianças com menos de 5 anos). Considerando uma população de 27000000 de habitantes, o custo global dos programas acima seria de USD 40 milhões/ano. (x)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here