Início politica Oportunidade única e soberana para Renamo

Oportunidade única e soberana para Renamo

370
1
COMPARTILHE

Mesmo aqueles que sabem, por conveniência e por razão de sobrevivência, fingem que não sabem, que o Movimento Nacional de Resistência, MNR, hoje Resistência Nacional Moçambicana, Renamo, não surgiu nem dos moçambicanos nem com ideais nacionalistas, muito menos democráticos. 

Os mentores da Renamo escreveram o suficiente sobre as motivações da criação da formação alguma vez conhecida como a mais cruel e mortífera na região e na humanidade, que ela foi criada com o intuito de travar a progressão da Luta de Libertação do Zimbabué e mais tarde para impedir a remoção do regime do “apartheid” na África do Sul.

Porque Moçambique foi o berço das duas lutas justas, tal como a Tanzânia o foi para a Luta Armanda de Libertação Nacional e de outras causas nobres da região, os mentores da Renamo encontraram em alguns moçambicanos maleáveis, solução para a questão de como materializar o objectivo de perpetuar os regimes racistas da Rodésia do Sul e da África do Sul, objectivo entretanto não alcançado com o inevitável apoio de Moçambique e dos demais, os zimbabueanos.

Contrariamente ao que se propala, numa clara tentativa de apagar a história, em momento algum a génese da Renamo teve nos seus ideais a busca de Democracia para Moçambique, onde aliás já existia no contexto que o país vivia e dos dois grandes blocos mundiais do tempo da guerra fria.

A alegada luta pela democracia foi o refúgio para justificar o injustificável, que levou até Ronald Reagan e Margarete Thatcher a distanciaram-se dessa alegada causa e preferiam apoiar Moçambique, mesmo quando o país ainda vivia os ventos de comunismo.

Desde à altura da independência, para não recuar tanto, a começar por Samora Machel, o país fez o seu melhor para chamar à razão todos aqueles que não se identificavam com a causa nacional. Se neste exercício foram cometidos erros, foi por força do contexto imposto ao país. Sem os 16 anos de guerra cruel e sangrenta, Moçambique teria ainda muito mais do que o brilho que hoje nos empresta. Os desafios seriam de outra natureza.

Hoje chora-se Afonso Dhlakama, porque se foi para sempre, nas condições em que alguma vez o actual Ministro da Defesa Nacional previu, quando disse: “A natureza vai tomar conta de Dhlakama”. Dhlakama morreu vítima der doença, porque onde escolheu viver não era fácil chegar socorro em tempo útil. Lamentavelmente. Como humanos juntamo-nos àqueles que choram o líder, mas estamos proibidos de branquear a história. Aqueles que um dia se encarregarem de escrever a história de Moçambique saberão dar o devido destaque a Dhlakama, não por bons motivos, porque a ter tido, são imensamente escassos. Dhlakama será sempre recordado pela crueldade e guerras sangrentas pelas quais viveu, lutou, conduziu e morreu. Não fosse pela sua crença nestes feitos, é de admitir que Dhlakama ainda estaria entre nós, porque noutro meio teria melhores condições de assistência necessária.

Era desejável que Dhlakama continuasse entre nós, porque como dissemos em ocasiões anteriores, como ser humano chegaria a vez de se conformar com os valores da humanidade, e ele também poder colher os dividendos duma paz efectiva, ao lado da sua família e da sociedade. Apesar das falsas promessas reiteradas, desta vez acreditávamos que Afonso Dhlakama nos devolveria a paz que a Renamo nos tirou imediatamente a seguir à proclamação da independência nacional, caminhos a passos largos para 43 anos.

Nos dias que se seguem, os seguidores da Renamo têm a oportunidade única e soberana, de se conformarem com os valores da humanidade e aceitarem o diálogo nas instituições democráticas que eles próprios ajudaram a criar e nas quais estão representados.

Com uma opção contrária, o Povo sim, vai continuar a sofrer, mas o fim deles não será glorioso e pode ser pior que o do próprio líder. Lamentavelmente. Apraz-nos constatar mais abertura do Estado Moçambicana, representado pelo Presidente Filipe Nyusi, quando reafirma que vai continuar a construir a paz com a nova liderança da Renamo.

Oportunidade única e soberana para a Renamo! (x)

1 COMENTÁRIO

  1. […] Se a ida de Ossufo Momade tem como objectivo granjear respeito dos guerrilheiros enquanto decorre o … em situação de silêncio total das armas, ele merece todo o nosso apoio. Maior apoio merecerá se fizer de tudo para que essa desmilitarização ocorra em tempo útil, para figurar entre aqueles que terão ajudado a devolver paz efectiva e definitiva ao país. Uma oportunidade ímpar e soberana a não desperdiçar. […]

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here