Início Dossier Administrador intimida comunidades (3)

Administrador intimida comunidades (3)

314
0
COMPARTILHE

As comunidades denunciam o que chamam de intimidações do Governo Distrital de Magude. Exemplificam com uma reunião relâmpago convocada na noite de um sábado, na zona de Maolela. Segundo as comunidades, o Administrador Distrital, Lázaro Mambamba, pela primeira vez escalou a zona, em pleno domingo, quando soube de que as comunidades haviam recorrido à imprensa para expor as suas preocupações. 

“Recebemos uma visita de surpresa dos dirigentes distritais (Administrador). Veio nos ameaçar ordenando a recolha dos nossos telemóveis. Nós não queremos ser enganados com a Açucareira de Xinavane, nem com o Governo Distrital. Ontem mesmo recebi ameaça de Sua Excelência Administrador a dizer: senhor, você é que está em frente disto, você vai promover greve amanhã? Eu disse que estamos à espera da autorização para fazermos manifestação pacífica. O Administrador deve evitar fazer ameaças, porque ele entrou duro, usando gozo de impunidade, na qualidade de ser responsável máximo. Nós sabemos que alguns dirigentes têm parcelas, aqui nas nossas terras, são eles que comem, aqui. Eu não tenho nada a esconder, não tenho medo, já estou morto há muito tempo”, denuncia António Chirindza (Gulamo), líder da comissão representativa das comunidades lesadas. António Chirindza acrescenta que são cerca de 1500 famílias afectadas pelo presente conflito, de Maolela a Chinhanguanine, numa área que estima em cerca de 950 hectares.

O Primeiro Secretário da Frelimo no círculo de Ncolo, Manecas Umbisse, lembra que para desbravar as terras das comunidades a Açucareira de Xinavane, em conivência com o Governo Distrital, recorreu a Forças de Defesa e Segurança fortemente armadas. “Nada foi feito em clima de paz. Depois de plantio de cana a Açucareira disse que toda a responsabilidade era do Governo, o que concordamos plenamente, porque o processo de invasão e ocupação foi acompanhado a par e passo pelo Administrador Cavele. Lamentamos que o Governo “mate” filhos da terra. Nestas terras havia idosos e deficientes que também buscavam sobrevivência. Hoje estão de braços cruzados, porque não têm onde produzir”. Este responsável do partido no poder denuncia igualmente alegadas intimidações do Administrador Distrital, no lugar de ajudar na busca de solução pacífica do conflito.

João Cossa, representante da comunidade de Tchovana, diz que mediante forte protecção de boinas vermelhas, as máquinas da Açucareira de Xinavane desbravaram as terras das comunidades, removendo túmulos, machambas, árvores de fruta. “O Administrador Zeferino Alfredo Cavele usou excesso de força para nos arrancar as terras. Não sabemos que governo é este que nos asfixia”, exclamou João Cossa, recordando que as negociações sem sucesso duram há três anos.

Mário Mabote, membro da comunidade, ironiza que o Administrador Zeferino Alfredo Cavele levou ao colo a Açucareira de Xinavanae e foi abandona-la nas terras das comunidades. “Prometeram que ao fim de seis anos andaríamos todos de carro, teríamos casas de alvenaria e comida à fartura. Perante a nossa recursa, o Administrador Cavele foi e voltou com uma força policial fortemente armada”. Segundo Mabote, a Açucareira de Xinavane nunca teve voz activa no processo de ocupação das terras. Foi o Administrador que liderou todo o processo, afirma Mabote.

Aquelas comunidades revelam ter sido inventado morte de um dos elementos preponderantes das autoridades, numa tentativa de apagar todas as pistas que conduzissem ao esclarecimento do conflito. “Vate afile… (alegaram que morreu…), entretanto, dias depois nos cruzamos com o indivíduo”.

Régulo vandalizado

O régulo da povoação de Maolela, Henriques Pinto Timane, foi vítima da fúria das comunidades em conflito de terras. “As terras foram arrancadas a ferro e fogo, perante a resistência das minhas comunidades. Eu, como régulo, não assisti a qualquer negociação visando a conquista das terras. Eles entenderam-se com os secretários do bairro. O que me preocupa é que no dia 21 de Maio de 2011, as comunidades foram à minha casa arrancar a bandeira e o uniforme de régulo, destruíram a minha casa e todos os bens. Já não tenho nada! Mas eu não estive em nenhuma negociação. Nem o administrador nem o partido alguma vez falaram comigo, para alguma vez ter autorizado a usurpação das terras das minhas comunidades para a Açucareira de Xinavane. Pessoalmente me oponho a esta usurpação”, disse o régulo Henriques Pinto Timane. (continua)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here