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Terrorismo subestimado 

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Os acontecimentos do norte da Província de Cabo Delgado sugerem prudência, humildade, serenidade na sua gestão e, logo a prior, não parece que olhando a sua dimensão, seja um fenómeno somente de Outubro passado, quando tudo começou.

Ninguém dorme, sonha e acorda dia seguinte para fazer guerra. A guerra custa muito tempo a ser pensada, planeada e executada. Até que se chegue à acção final, que consiste no primeiro tiro conhecido, passaram-se muitos anos.

Há relatos irrefutáveis indicando que há 3-4 anos já havia sinais indiciando algo de anormal que estaria por vir. Foi nesse período que começaram a ser vistos os primeiros grupos de jovens de origem somali, que não falavam sequer português, entrando de casa em casa, pedindo dinheiro e comida, lá onde a “guerra” decorre hoje.

Quando a “guerra”, de facto, eclodiu, as comunidades das zonas afectadas, em Mocímboa da Praia, não esconderam o seu desconforto, pelo facto de terem sido ignoradas, quando advertiram sobre movimentos estranhos.

Permitiu-se que o terrorismo se encubasse com maior tranquilidade e hoje corre-se atrás do prejuízo, em situação desvantagem óbvia. Na altura da advertência ninguém se lembrou do ensinamento de Samora Machel, quando disse “é de pequeno que se torce o pepino”, ou “matar o jacaré quanto pequeno”.

Já quando a Tanzania e Quénia foram assolados por acções terroristas, os que percebem de segurança deviam ter calculado que olhando para a nossa configuração e a da região, o mais provável era que nós não ficássemos imunes, para socorremo-nos do adágio, “antes vale prevenir do que remediar”. Nada disto aconteceu oportunamente e hoje pagamos a pesada factura!

Por outro lado, há muito que os ataques armados com assassinatos cruéis de pessoas indefesas deixaram de ser mero incidente e representam uma afronta clara ao Estado.

Os últimos assassinatos, acompanhados de destruição, com recurso a fogo posto, de residências, viaturas e outras infra-estruturas e bens, mostram uma certa raiva dos terroristas, sempre que as Forças de Defesa e Segurança aparecerem a anunciar uma acção de perseguição e abate de supostos integrantes dos terroristas. Retaliação em tempo recorde e em extremos totalmente opostos, a provar a necessidade de se encarar o assunto com seriedade acrescida.

Se foram arrepiantes as decapitações de Palma, também são horrorosos os assassinatos de Macomia, em número de 7, 164 casas e 5 viaturas incendidas, e agora de Quissanga, onde se contabiliza 6 mortos, mais de 220 casas incendiadas, para além de animais que morreram carbonizados, depois que os respectivos currais foram incendiados. A “guerra” começou no norte de Cabo Delgado e começou a descer…

Falamos em supostos integrantes, porque em situação de guerra clara, como parece ser, do lado da força de Estado tudo pode valer. De forma alguma pretendemos subestimar o esforço das nossas Forças de Defesa e Segurança. Pelo contrário, têm o nosso total encorajamento.

O que não podemos fazer é passar por cima da velha prática em situação de guerra, em que até inocentes podem ser sacrificados para dar sinal ao inimigo ou mostrar serviço e como a lei da natureza não permite que pessoas do além digam da sua justiça, ficamos privados da verdade pura.

Sempre defendemos que nesta altura em que não somos dados a conhecer a génese, os mentores, etc. não é prudente queimar qualquer das hipóteses.

Igualmente insistimos na tese de que não se deve excluir a hipótese de os ataques terroristas que afectam o norte de Cabo Delgado poderem estar associados aos recursos naturais. A não vingar esta tese, seria coincidência a mais, tomando em linha de conta o contexto da exploração dos recursos naturais.

Estamos na fase em que se ultimam os preparativos para o início da tão desejada exploração, que incluem inevitavelmente acautelar os aspectos de segurança.

É muito o dinheiro que as multinacionais investem nesta empreitada, e a história da humanidade ensina-nos que elas pouco se preocupam em dar emprego aos donos as recursos naturais e preferem empregar os seus compatriotas.

Porque em matéria de segurança temos pouco a provar, os donos do dinheiro farão de tudo para nos convencerem de hipotética incompetência, para viabilizar a vinda das suas empresas de segurança, a quem destinam facturas multimilionárias. Aliás, essas multinacionais têm as suas empresas de segurança e não quererão criar nelas uma situação de desemprego, para favorecer os pobres, entretanto donos da riqueza.

Não estamos a afirmar que é este o caso, não, é apenas uma hipótese entre muitas outras, que o Estado precisa de estuda-las meticulosamente.

Começa a perecer que a via de força, apenas, nos leva à reedição da guerra dos 16 anos, e o Estado é desafiado a explorar outras vias.

O que é um facto, é que as coisas não começaram em Outubro, mas bem mais cedo, sendo que os primeiros sinais de algo estranho foram pura e simplesmente subestimados.

Paz, paz, paz! (x)

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