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Morada da “perdiz”

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Acreditando que o general Ossufo Momade foi correctamente citado, foi de sua livre e espontânea vontade a decisão de fixar residência na serra de Gorongosa, onde o seu antecessor, Afonso Dhlakama, viveu e morreu, excepto intervalos em que também esteve em Maputo, Beira e Nampula, entre outros pontos do país. 

Haverá que salvaguardar que mesmo que tenha sido coagido, o general Ossufo Momade não é tão ingénuo para vir a público denunciar tal coacção.

Por outro lado, Ossufo Momade, por conveniência ou não, oxalá essa seja a verdade pura e material, garante que a sua decisão de passar a viver na serra de Gorongosa não têm motivações belicistas, mas sim salvaguardar a sua vida!

Aqui já não concordamos com o general Ossufo Momade, pois outros tantos dirigentes da Renamo têm uma importância que não pode ser subestimada e também se queixariam de insegurança nos locais onde vivem, e teriam de convergir na serra da Gorongosa.

Quanto à maioria da população que não conseguiu e ainda não consegue esconder o seu terror com a notícia da ida do general para ir viver para a serra da Gorongosa, esse terror é inquestionavelmente legítimo.

O país terá de trabalhar imenso até que Gorongosa mude a imagem de símbolo de terror para o país inteiro. É da serra da Gorongosa onde foram planeadas as matanças cruéis de milhares de inocentes ao longo dos prolongados 16 anos de guerra assassina.

Para o bem da história do país é bem-vinda a visão do Presidente da República, Filipe Nyusi, que promete fazer da Gorongosa um símbolo da paz, uma aposta carregada de enorme valor político-simbólico para o presente processo negocial entre o Governo e a Renamo. Todavia, tudo fica dependente de como Nyusi vai materializar essa sua visão.

Estamos proibidos de excluir a hipótese de na sua decisão de fixar residência na serra da Gorongosa, local que nunca foi símbolo da paz, morar também uma visão de prolongar a existência de um partido político inconstitucional, uma Renamo militarizada, entretanto convenientemente tolerada!

Mas a ida do general Ossufo Momade para a serra de Gorongosa também pode ter a virtude de como líder de guerrilheiros aliciados, empobrecidos e entregues à sua sorte, eles poderem dar maior credibilidade nele, porque naquele local aparentemente partilha com eles as promessas nunca concretizadas, de um futuro risonho. É esta a promessa que os guerrilheiros sempre tiveram quando aliciados a abraçar o caminho da vida de matar cruelmente.

Na serra de Gorongosa o general tem largas hipóteses de melhor ser ouvido e obedecido, menos em termos de partilha de dificuldades, pois isso seria pura falácia, porque tal como o antecessor, o líder interino vai continuar a comer e a beber do melhor, sendo que para isso os guerrilheiros se mantam, para o alimentar. É assim que as coisas funcionam em qualquer circunstância de guerra.

Este é entretanto um privilégio que o general Ossufo Momade não pode ousar manter por longo tempo, porque é de gestão insustentável. Terá de abraçar o caminho da paz, contribuindo para a desmilitarização da Renamo, para se libertar daquela máquina de guerra, cuja manutenção tem o preço que o antecessor experimentou.

Se a ida de Ossufo Momade tem como objectivo granjear respeito dos guerrilheiros enquanto decorre o processo da sua desmobilização em situação de silêncio total das armas, ele merece todo o nosso apoio. Maior apoio merecerá se fizer de tudo para que essa desmilitarização ocorra em tempo útil, para figurar entre aqueles que terão ajudado a devolver paz efectiva e definitiva ao país. Uma oportunidade ímpar e soberana a não desperdiçar.

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