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Turismo projecto de longo alcance

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O Governo elegeu o Turismo como Quarto pilar entre as acções de dinamização de desenvolvimento socioeconómico do país. É neste contexto que foi desenhado o Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Sector para o período 2016-2025, que define a visão, missão, os objectivos estratégicos, identificação dos mercados emissores e emergentes.

A este instrumento junta-se o Plano de Acções Prioritárias, que redefine os principais destinos turísticos e as acções para a sua promoção e desenvolvimento. Não menos importante, a Estratégia de Marketing. Todos os instrumentos têm como foco o incremento de investimentos no sector, de renda, emprego, turistas e contribuição para o Produto Interno Bruto, PIB.

O rol de acções inclui reformas institucionais e legislativa, formação, melhoria da informação estatística e da plataforma de controlo de pagamentos, particularmente no exterior, introdução de mecanismos de Marketing mais eficientes e modernos, a exemplo de Marketing digital, consolidação dos festivais e feiras turístico-culturais dentro e fora do país, financiamento de projectos, entre outras.

A paz, à qual o Presidente da República, Filipe Nyusi, dedica quase todo o seu tempo, infra-estruturas e a facilitação de vistos, sem promover anarquia, são elementos cruciais para que o turismo cumpra o seu papel, à luz da contribuição que se espera do sector, no desenvolvimento socioeconómico do país.

A reforma da legislação relativa a jogos de fortuna e azar veio provar que a melhoria do ambiente de negócios é um objectivo a ser prosseguido em prol do desenvolvimento do turismo. Esta reforma permitiu remover o principal ponto de discórdia dos investidores, o factor distância, que desmobilizava potenciais investidores, e hoje estão ai os resultados.

O Governo mexeu igualmente no instrumento legal que norma as actividades das Agências de Viagens, traduzindo o reconhecimento do Executivo, da importância que este sector detém, como intermediário, ao promover o turismo e atrair turistas para o país.

Entre acções que hoje trazem resultados impactantes para o sector do Turismo, haverá que destacar a auscultação que o país fez aos operadores do ramo, em seminários realizados em Joanesburgo, Cidade do Cabo e Durban, com uma participação recorde. Os operadores tiveram a oportunidade apontar problemas concretos que afectam a sua actividade, facilitando deste modo a acção do Governo nas reformas a promover.

Um dos problemas apontados de forma reiterada tem a ver com os vistos. Isto levou o Governo a introduzir o visto de fronteira, que veio revolucionar a entrada de turistas. Haverá que reconhecer que algumas das medidas têm o seu tempo de maturação, até se poder ver resultados concretos.

Aponta-se como resultado da introdução do visto de fronteira, o lugar cimeiro que a África do Sul ocupa em termos de entradas de turistas estrangeiros em Moçambique. Com efeito, nos dois últimos anos o mercado sul-africano representou cerca de 52.4 por cento. Regista-se um crescimento de 34 por cento, em 2015 e 7 por cento em 2016. Curiosamente este crescimento coincide com o período em que o Governo promoveu no país vizinho, seminários de auscultação dos operadores.

No mesmo período regista-se crescimento do mercado alemão, 74.6 por cento em 2015 e em 2016 o incremento situou-se nos 4.1 por cento, o que veio a compensar o decrescimento do mercado Português, em 76.9 por cento em 2015 e 5.6 por cento em 2016. Este decréscimo está associado à crise que afectou Portugal, entretanto em franca recuperação.

Não pode passar despercebido o acordo firmado entre a Associação das Agências de Viagem de Moçambique, AVITUM e a sua contraparte portuguesa, que a curto prazo pode trazer um outro panorama em termos de chegadas internacionais do mercado emissor português no nosso país.

Frise-se que a atracção de turistas de fora da região, a exemplo da Alemanha, representa uma mais-valia, uma vez que eles gastam todos os seus recursos em Moçambique, pois não têm como trazer quaisquer consumíveis. Por outro lado, só podem usar meio de transporte aéreo e gastam igualmente na aquisição de visto, diferentemente de países como a África do Sul, por via da isenção, e usa a sua própria cozinha.

Isto não quer dizer, de forma alguma, que os turistas sul-africanos não gastam em Moçambique. Eles têm impacto no mercado retalhista, ao promover compras do lado de Moçambique, incluindo no mercado informal. Este tipo de aquisições tem entretanto o inconveniente de subestimar a contribuição do Turismo no PIB, fixando-se actualmente em 2.5 por cento.

Não é sonhar acordado que pelo potencial existente e com as reformas em curso, o turismo pode um dia vir a competir em termos de contribuição para o PIB, com os chamados grandes projectos. Temos de assumir que é um processo com as suas fases. Haverá que ganhar o maior elemento de competitividade regional, o visto. Semanalmente sucedem-se notícias de profundas modificações e facilitação do visto de país em país, numa clara guerra (positiva) no mercado de turismo.

Moçambique está embalado neste processo que se espera mude o panorama a breve trecho, pois o turismo é a movimentação e entrada de pessoas, sendo a paz o valor determinante. As medidas tomadas pelo Governo relativamente à abertura do nosso espaço aéreo, para a entrada de mais companhias aéreas a operarem no país, criou muitas facilidades. O formato do país encerra muitos desafios que muitas vezes por via terrestre torna-se extremamente complicado.

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