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Segurança privada gémea de hidrocarbonetos

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FILE - In this July 2008 file photo, Erik Prince, founder and CEO of then Blackwater Worldwide, now called Xe Services, speaks at the company's offices in Moyock, N.C. An investment group with ties to the founder of the company formerly known as Blackwater has bought the security firm, which was heavily criticized for its contractors' actions in Iraq. A statement Friday, Dec. 17, 2010 from USTC Holdings said the acquisition of the company now called Xe Services includes its training facility in North Carolina. Terms of the deal were not disclosed. The statement says founder Erik Prince will no longer have an equity stake and no longer be involved in Xe's management or operations. (AP Photo/Gerry Broome, File)

Ganha interesse particular a citação feita a Enrik Prince, a manifestar interesse no negócio de segurança privada em Moçambique. 

É um interesse que acaba conferindo certa consistência à nossa visão, quando defendemos neste espaço, que não se pode excluir a possibilidade de as multinacionais envolvidas na prospecção de hidrocarbonetos na Bacia do Rovuma não teriam tanto interesse em entregar a Moçambique, a segurança dos investimentos bilionários que realizam.

Aliás, conhecida a história da humanidade ligada à exploração de recursos naturais como hidrocarbonetos, seria uma situação bastante excepcional e quase de grande inovação, em que as multinacionais estrangeiras dão a um país dono dessas riquezas, um negócio complementar apetecível.

A segurança privada sempre andou em paralelo com a exploração de hidrocarbonetos, numa espécie de irmãos gémeos.

Para afastar os países detentores dessas riquezas, as multinacionais usam todo o tipo de artimanhas, como aquela que ocorre no litoral de Cabo Delgado, para forçar Estados a declararem-se incompetentes para garantir a segurança dos investimentos bilionários, viabilizando a vinda das suas empresas de segurança privada.

A ideia é que dos investimentos bilionários que realizam, no final de exploração não sobre algo aproveitável para os donos dos recursos, a quem deixam apenas elefantes brancos, sem o mínimo desenvolvimento efectivo e sustentável, para perpetuar a pobreza.

Insistimos que nenhuma das hipóteses pode ser ignorada. Reconhecemos que é problemático associar os acontecimentos do litoral de Cabo Delgado aos “laços históricos” dos “irmãos segurança privada/exploração de hidrocarbonetos, mas pior seria descartar, principalmente quando ainda não sabemos das motivações de acções terroristas nem dos mentores das decapitações e destruições em Mocímboa da Praia, Nangade, Macomia e hoje também Quissanga.

O que não pode ser assumido como especulação é que o negócio de exploração bilionária de hidrocarbonetos anda quase e directamente ligado com a sua “irmã gémea”, chamada empresas privadas de segurança.

Essas empresas de segurança, regra geral, têm accionistas que fazem parte da estrutura que vem do domínio de segurança, nos seus países de origem, a exemplo de Enrik Prince, que foi membro das forças especais militares na Terra do Tio Sam, que decidiu criar a sua empresa de segurança, que trabalha de forma privilegiada com as multinacionais da área de hidrocarbonetos.

Sabe-se que há uma empresa das que estão na bacia do Rovuma, envolvidas nas pesquisas e exploração de hidrocarbonetos, que se aproximou ao Estado moçambicano, manifestando o interesse de colocar na zona, suas empresas de segurança. Sabiamente o Governo moçambicano não respondeu nem sim nem não. Apenas perguntou se empresas moçambicanas descobrissem petróleo na costa dessas mesmas multinacionais estrangeiras, estas aceitariam que Moçambique enviasse as suas empresas de segurança para este fim. Dessa multinacional proponente apenas se viu e ouviu simples gaguejo!

É indisfarçável o enorme interesse eterno em colocar forças de segurança estrangeiras ao longo da nossa costa, que sempre foi apetecível. Perfilavam na lista dos interessados nesta pretensão, a União Soviética, altura, os Estados Unidos, a França, e agora os chineses.’

O que é um facto é que o Governo moçambicano, baseado na sua filosofia de não-alinhamento, nunca entreteve estas abordagens.

Porque foram chumbados na altura, hoje os norte-americanos preferem usar a via Enrik Prince para colocarem as suas forças de segurança privadas na nossa costa. Sabe-se claramente que há longo tempo que os Estados Unidos da América vinham insistindo com o Governo moçambicano, para permitir a utilização de Nacala como uma base naval do Porto de Nacala, a pretexto da profundidade das suas águas.

O senhor Enrik Prince é conhecido como sendo uma figura muito cautelosa na forma como se expressa, e vai daí que quando esteve em Moçambique, todo o seu discurso foi sempre orientado para assuntos que têm a ver apenas com questões logísticas e da pesca. Quando se lhe foram colocadas questões da dimensão de segurança, da qual é mais conhecido, limitou-se a responder “estamos a trabalhar com o governo, estamos a negociar”. Se tivesse assumido uma postura contrária, não teria sido aquela figura que foi forjada nas forças especiais militares norte-americanas!

Mera coincidência?

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