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Vidas humanas desvalorizadas

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Vidas humanas perderam-se, em número não inferior a cinco, até que se decidisse pela edificação de uma ponte aérea para peões, sobre a estreada circular de Maputo, na zona de Chiango. 

Mas nem as mortes foram suficientes para sensibilizar a quem de direito a poupar vidas humanas. Foi preciso o Presidente da República fazer-se ao local, para se inteirar do que efectivamente se estava a passar, ao ponto de as comunidades locais bloquearem a via por mais que uma vez.

Para a desobstrução da via as autoridades tiveram de recorrer às Forças de Defesa e Segurança, que foram exibir o poder de força legal, para afugentar os pobres manifestantes em justa causa inquestionável.

As comunidades estavam fartas de ver seus filhos a serem atropelados mortalmente, quando se dirigem ou saem da Escola Primária Completa edificada no local, sem que se imaginasse que alguma vez o local viria a ser mortífero, por imprudência de quem pensou na estrada circular, que ignorou completamente medidas adicionais que se impunham, conforme a natureza dos locais que a rodovia iria atravessar e hoje atravessa.

A solução dos problemas decorrentes da estrada circular continua por completar, enquanto, por exemplo, não se decide pela sua iluminação plena, e ponta à ponta. Certamente que quando as consequências da falta de iluminação da rodovia começarem a traduzir-se em perdas de vidas humanas, ai as nossas autoridades finalmente vão despertar de fundo profundo e sempre tardiamente!

Em relação a Chiango é estranho que quem de direito não tenha levado a peito a reivindicação das comunidades, dos seus legítimos direitos, face à elevadíssima incidência de atropelamentos mortais que ocorrem na zona. Tratando-se de uma estrada aberta, nem os sinais de restrição de velocidade desencorajam automobilistas e tirarem o pé do acelerador, para o desespero das comunidades locais, que a cada dia perdem um membro de família, principalmente crianças frequentando aquela escola.

O que as comunidades fizeram foi pura e simplesmente exigir às autoridades que fizessem o que deviam ter feito muito antes. O que se viu foi uma clara má compreensão da posição das comunidades.

A situação de Chiango trás ao de cima uma situação crítica relativamente ao desenvolvimento de infra-estruturas no nosso país. É que Chiango não veio para a cidade, a cidade é que foi lá ter ao Chiango, onde a população já vivia. Logo, impunha-se que quando se fez o desenho arquitectónico, se tivesse tido em conta, que Chiango é uma zona densamente habitada por populares, para se fazer uma obra de engenharia que permitisse que as populações continuassem com a sua rotina, que não devia ser alterada. Se alguém tivesse que ser convencionada pela estrada não são os residentes de Chiango, mas sim, os carros.

Há soluções como viadutos ou tuneis, porque estamos perante uma obra para durar para sempre. Que não venham nos falar de custos, porque não há dinheiro que pague vidas humanas.

Antes que as comunidades voltem a rebelar-se, que se repense em medidas complementares e adicionais para que a estrada circular não continue a exibir um espectro de corredor de morte, porque falta energia, etc. etc. E não é necessário que o Chefe do Estado visite a totalidade da circular para que se pense e se avence nessas medidas, que não têm outro fim que não seja poupar vidas humanas.

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