A actividade política em Moçambique acaba confundindo-se com o mundo de futebol, em que quando abre a época das transferências se assiste a uma concorrência descomunal, com decisões que às vezes nos levam a questionar se ainda estaremos no mundo das classes sociais desta humanidade.

A luta por passes de estrelas como Neymar, como se viu aquando da sua transferência do Barcelona para o Paris Saint-Germain, chega a mobilizar decisões que levam a muitos a questionarem a plenitude daqueles que tomam essas mesmas decisões.

Em Moçambique, a aproximação de eventos eleitorais é prenhe de acontecimentos que obrigam a uma profunda reflexão, sobre a seriedade dos que fazem política. Já em plenas campanhas eleitorais deixa de ser notícia que um certo partido apresentou antigos membros de um outro partido, que desertaram em busca de novos e melhores.

Este 2018, com as eleições autárquicas de 10 de Outubro, não é excepção e também não será excepção 2019, ano das eleições gerais (Presidenciais, Legislativas e das Assembleias Provinciais).

Acabamos de assistir a um desenlace, ainda que por formalizar, entre o Movimento Democrático de Moçambique e dois dos seus membros, que o MDM até levou ao Parlamento. Trata-se de Venâncio Mondlane e António Frangoulis.

A “zanga” entre Venâncio Mondlane e o MDM, mesmo que ainda não formalizada, pelo menos publicamente, acabou criando um embaraço indelével para o partido de Deviz Simango.

O MDM anunciou publicamente que Venâncio Mondlane era o seu cabeça de lista na Cidade de Maputo, para as eleições de 10 de Outubro. Por sua vez, Venâncio Mondlane usou todos os meios possíveis para se distanciar, também publicamente.

Era desejável que o assunto tivesse sido arrumado previamente e em fórum familiar do MDM, que a troca de mimos galgar o muro da instituição. Este incidente não ficou nem fica bem, quer para o MDM quer para o próprio Venâncio Mondlane.

O erro de cálculo que Deviz Simango cometeu foi a falta de cautela na admissão de determinados membros, que por sinal, olhando para o seu passado, não são pessoas quaisquer. Acreditou nelas e relegou à sargenta a velha máxima segundo a qual confiar é bom, mas desconfiar é melhor.

Deviz Simango foi gentil demais ao ponto de excluir a hipótese de algumas das adesões ao MDM poderem ter outras motivações fortes e de fundo, que não seja a simples militância e desejo de encontrar algum lugar, no caso concreto um partido político, para seguirem uma eventual carreira política.

Neste tipo de adesão, olhando para o passado e perfil de alguns candidatos, não se pode excluir a hipótese de alguns deles estarem em cumprimento de missões alheias, que podem passar por espionagem, desestabilização e tudo de mal que pode acontecer a uma organização política, como é o MDM.

No lugar de duvidar e acolher novos membros com cautela, o excesso de zelo de Deviz Simango levou-o inclusivamente, a celebrar em grande, porque assegurou a “contratação” de membros de luxo, porque supostamente se zangaram com o partido mo. Puro engano! Figuras como Venâncio Mondlane e António Frangoulis não são pessoas quaisquer, sabem o que querem, o que fazem e onde querem chegar. Não se pode pensar que estão equivocados nas decisões que tomam. Sabem perfeitamente cumprir com total lealdade, quaisquer missões que lhes podem ser atribuídas.

E Deviz Simango assumiu a todos como quaisquer outros membros e hoje paga a factura de erro de cálculo.

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