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Preço da verticalidade

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“Nunca quis trabalhar para o Estado, foi uma opção pessoal, porque nunca achei que teria uma carreira profissional de rigor, de disciplina, realmente uma carreira profissional.

Achei sempre que o Estado é um sítio onde há muitos favores, há muitas intrigas e há muitas coisas que não são objectivas. Há muita subjectividade, depende de quem conhece, donde veio, muitas coisas muito complicadas e ruins para ter a promoção.

O Estado é muito abstracto, para ser verdadeiro e achei o Sector Privado muito concreto, muito profissional, podemos fazer uma careira profissional sem termos que agradar a alguém, apenas com trabalho isento e feito com disciplina e rigor e com entrega de resultados sempre a tempo.

É por isso que nunca sequer arrisquei a ir trabalhar para o Estado, nunca gostei, nunca arrisquei e nunca quis”.

Recorremos a esta citação ao renomado economista moçambicano, Luís Magaço, para tentarmos perceber as motivações que terão ditado o abandono precoce de Armando Inroga do posto de Presidente do Conselho de Administração da nossa TV Pública, a Televisão de Moçambique.

Diferentemente do que se pode pensar, tratou-se na verdade de abandono, pois o Governo só o libertou depois de inúmeras cartas que dirigiu pedindo para deixar o posto, numa decisão bastante feliz, face ao ambiente ruim que o rodeava. Portanto, a não foi do Governo, a iniciativa de Armando Inroga deixar de ser PCA da TVM.

Ao chegar à TVM, Armando Inroga quis trabalhar como manda a ciência e não tardou ferir sensibilidades, algumas muito importantes, que não gostam desta coisa de concursos públicos para auditoria independente a contas duma instituição onde têm interesses, muito menos de qualquer processo que vise devolver os processos de funcionamento aos carris.

É que na maioria dos casos isso pode levar a desfechos que até podem tornar o passado dessa instituição apetecível para o nosso sempre atento Gabinete de Prevenção e Combate Contra a Corrupção.

Armando Inroga foi à TVM quando nunca foi querido por certos círculos, que viam na nomeação do jovem gestor uma grande ameaça para processos sobre os quais se pretende sentar para sempre. Esses círculos sabiam o que lhes podia custar a indicação de um gestor que na vida só aprendeu a lidar com problemas e encontrar solução.

Muitas vezes a solução tem uma dor similar à de extracção de matequenha ou ainda pior que isso, e não nos parece que a nossa pública esteja isenta disso.

Mas o combate triunfal (?) contra Armando Inroga na TVM, incluindo a partir do exterior, da instituição, pode representar apenas o adiar da explosão duma bomba que entretanto não se evitará por uma eternidade.

Armando Inroga arrasta entretanto simpatia de pessoas de bem, que desejam à nossa TVM futuro melhor.

Para já, fica aqui rendida a nossa singela homenagem a Armando Inroga, pela sua visão que o afasta completamente daquilo que infelizmente impera no nosso sector público, em que o trabalho não está em primeiro lugar, mas sim agradar a interesses obscuros e bastante nocivos ao Estado.

Enfim, o caso Armando Inroga prova que no Estado não se consegue uma carreira profissional de rigor, de disciplina, face ao imperativo de muitos favores, muitas intrigas e muitas coisas que não são objectivas. Muita subjectividade, forte dependência de quem conhece, donde veio, muitas coisas extremamente complicadas e ruins para ter até uma promoção, o que é absolutamente incompatível com a verticalidade de Armando Inoga.

Parabéns, Armando Inroga, pela sua verticalidade!

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