A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), tida como companhia nacional de bandeira, está a braços com graves problemas de gestão que podem desembocar em queda de aviões daquela operadora.

A pergunta que paira no ar é porque é que os que tem a “caneta na mão” não a colocam a funcionar perante acontecimentos que podem conduzir a mais uma tragédia na aviação civil nacional.

O caso da LAM é, sem dúvida, uma tragédia anunciada e a situação é tão alarmamnte que, recentemente, esta companhia ficou sem asas pata voar por falta de combustível.

Em relação à vergonha recente, de tantas que assolam aquela empresa, o ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, classificou o insólito como sendo distúrbios de gestão na LAM, originados pela falta fornecimento de combustível por alegadas dívidas com fornecedores.

A situação não foi para menos, muitos voos da LAM foram  cancelados ou atrasados, gerando transtornos às centenas de passageiros que pretendiam viajar para diversos destinos a partir de vários aeroportos do país.

A situação terrível a que os passageiros foram sujeitos, foi confirmada pela própria companhia, através de um comunicado, segundo o qual,  o cancelamento de alguns voos deveu-se às limitações financeiras que a companhia enfrenta, que inviabilizam a aquisição de combustível para as aeronaves. Ultimamente, segundo o comunicado, o combustível é fornecido mediante pré-pagamento.

Problema antigo

Há dois anos, devido à acumulação de uma dívida de três milhões de dólares norte-americanos, a petrolífera British Petroleum (BP) suspendeu o fornecimento de combustível aos aviões da LAM, o que fez com que esta companhia passasse a ser abastecida pela Puma Emergy mediante pré pagamento. A falta de confiança dos fornecedores é a causa mais provável que deixa a LAM em aperto na compra de combustível.

Porque um azar não vem só, no dia 4 de Julho corrente, um avião da LAM fez pouso de emergência em Quelimane, desta vez, a culpa foi de uma ave que “decidiu” colidir com um dos motores da aeronave e o danificou. O voo levava a equipa do Costa do Sol e outros passageiros.

Recorde-se que, em 2016, cerca de cinco pilotos e outros tripulantes rescindiram unilateralmente os seus contratos de trabalho com a LAM  por causa do mau ambiente, caracterizado por “fofoca” e lambebotismo, esta situação, na altura, foi descrita como tendo derivado da falta de estratégia de renovação e reforço da frota, falta de políticas de valorização do capital humano, falta de capacidade de planificação técnico-operacional, fuga massiva dos pilotos e tripulantes, perseguição e exclusão de gestores seniores competentes, falta de estratégia de recapitalização da empresa, falta de estratégia de atendimento e serviço ao cliente consistente.

Este calhamaço de situações perigosas que assolam a LAM remetem a uma reflexão sobre as reais razões que levam a quem de direito, a não tomar medidas urgentes para prevenir o pior porque, um dia, algum avião pode cair por falta de combustível ou outras razões que se prendem com “constrangimentos de gestão”.

 (Daniel Maposse)

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