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Crescimento lento mas sólido 

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A Execução do Orçamento do Estado no primeiro trimestre de 2018 esteve dentro das previsões, de acordo com o relatório divulgado pelo Ministério da Economia e Finanças.

O informe reporta uma mobilização de recursos do Orçamento do Estado de Janeiro a Março, no valor de 55.889,9 milhões de Meticais, equivalente a 18,4% da previsão e uma realização da despesa total de 54.317,8 milhões de Meticais, correspondente a 17,9% do Orçamento Anual.

A execução Orçamental do Estado baseia-se na priorização da afectação de recursos destinados à expansão de infra-estruturas sociais para o aumento da cobertura e melhoria da qualidade na prestação de serviços públicos essenciais para a população, implementação dos programas de segurança Social Básico, através do incremento do número de beneficiários em situação de vulnerabilidade, ampliação da rede de infra-estruturas económicas, com potencial para dinamizar a actividade agrária, industrial, mineral-energética e turística e modernização dos serviços públicos.

De acordo com o Ministério da Economia e Finanças, prevê-se que a economia nacional cresça 5,3% neste 2018, mercê do crescimento em todos os sectores, com ênfase para a agricultura, indústria transformadora, comércio e transportes. Fruto da melhoria dos preços de matérias-primas no mercado internacional, a indústria extractiva vai registar uma contribuição substancial no crescimento da economia.

O Ministério da Economia e Finanças nota no entanto, que a execução Orçamental do primeiro trimestre foi influenciada negativamente pela ocorrência de chuvas anormais nas regiões Norte e Centro do país, que afectaram de forma negativa a base produtiva do sector agro-pecuário, principalmente na zona Norte.

Crescimento sólido

Ora, os dados das diferentes estatísticas confirmam, efectivamente, as projecções feitas para este ano, em particular para o primeiro trimestre.

A economia não está com desempenho igual ao dos anos anteriores, é um facto, mas também o outro facto é que as previsões estão confirmadas e pela positiva. Um crescimento mais modesto, mas dentro de um quadro previsível e dentro de um plano que está traçado, o que é de realçar.

Por outro lado, a nível das grandes entidades de dotação financeira, entre elas a bloomberg, começam e emergir notícias positivas sobre Moçambique, inspiradas numa inflação abaixo de dois dígitos e numa recuperação económica lenta, mas sólida.

Para além do facto de Moçambique estar a crescer, o facto de a nível das grandes praças financeiras haver notícias que conferem confiança à economia moçambicana representa um bom sinal, porque ajuda a atrair apetites de investidores em fazer buscas e investir no nosso mercado.

É verdade que a economia nacional ainda não ultrapassou completamente a crise. Ao nível das empresas persiste um sufoco enorme, entretanto agora aliviado com as mais recentes medidas do Banco de Moçambique. O crescimento a que se assiste é sobretudo impulsionado pela actividade da exportação de carvão.

É que em termos sectoriais persistem algumas dificuldades, fundamentalmente ligadas à circulação da moeda, pagamentos entre o Estado e as empresas, uma componente na qual se revela muito trabalho a realizar e longo caminho a percorrer, num contexto em que os cenários indicam para a recuperação da economia nacional.

O desempenho económico do primeiro trimestre tem um significativo ainda especial, tomando em linha de conta que foi conseguido num contexto em que o país continua a não contar com o apoio dos tradicionais parceiros externos.

A recuperação robusta da economia, mais no sentido da sua solidez e não necessariamente numa perspectiva de um crescimento alto, transmite uma boa mensagem para o sector empresarial dos parceiros externos, que podem incentivar potenciais investidores e o turismo a virem a Moçambique.

É preciso notar que Moçambique conseguiu um crescimento sólido no primeiro trimestre, num contexto em que o país continua sem o apoio dos tradicionais parceiros de cooperação externos. Aqui, apraz-nos sublinhar relativamente aos doadores e ao seu posicionamento, que eles estão amarrados a uma agenda ligada à melhoria das relações com o governo, nomeadamente maior transparência fiscal e orçamental e à solução dos pendentes que conduziram ao congelamento das relações.

Certamente que a recuperação robusta da economia, no sentido mais sólido, emite uma boa mensagem para os doadores, sobretudo para o sector empresarial dos seus países, de modo a incentivarem os investidores e o turismo a vir a Moçambique.

Todavia, ao nível dos apoios estatais, tudo continua dependente das percepções que os próprios doadores têm, sobre a forma como são conduzidos os vários dossiers que vão sinalizar transparência governativa e na gestão de fundos.

Não se pode perder de vista que o desempenho económico do resto do período do ano, sobretudo do último trimestre, vai ser condicionado pelo clima das eleições autárquicas de 10 de Outubro, mesmo pairando um ambiente de incertezas sobre a sua realização, face ao impasse no Parlamento.

Sabe-se perfeitamente que em todos os anos eleitorais em Moçambique, o trimestre eleitoral é o mais lento e o mais difícil, do ponto de vista económico, porque o país fica durante algum tempo em suspense. No período eleitoral não se encontra alguém, não se tomam decisões. Segue-se o período pós eleitoral em que se afinam as decisões de quem vai para onde.

É verdade que 10 de Outubro são eleições autárquicas, não são gerais, contudo, auguramos que o último trimestre deste 2018 será um pouco menos de sucesso, comparativamente ao primeiro. Aliás, as projecções disponíveis em algumas estatísticas já indicam uma maior lentidão no crescimento precisamente neste trimestre eleitoral.

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