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Volatilidade excessiva

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Baltazar Montemor

Se não é, seria desejável que a carreira política se assemelhasse a uma actividade filantrópica, ou seja, sem fins lucrativos.

Se fosse esta a visão entre nós, eventualmente não nos fosse protagonizado tamanho espectáculo que somos dados a assistir, a cada cinco anos, no período eleitoral.

É um este espectáculo que ajuda a qualificar melhor os nossos “políticos”, que se confundem com desportistas, principalmente do chamado “desporto-rei”, que quando abre a época das transferências, até se cometem loucuras nunca vistas, com desembolsos desumanos, num mundo em que milhões de pobres não têm que comer.

Esta busca incessante de riqueza milionária é tão natural em desporto, onde nem sequer se exige diploma de algum nível académico, bastando saber jogar à bola.

Na política já não é assim. Fazer política, de facto, requer alguma ciência. Fazer carreira política de verdade requer lealdade para com certos ideais, num contexto em que a diferença de opinião não deve implicar mudança de cores, porque não é desporto.

A diferença de opinião intrapartidária até ajuda a enriquecer o fórum onde esse debate ocorre, em prol de toda uma sociedade.

São estes requisitos que faltam na nossa sociedade, onde supostos políticos pouco ou nada têm que se pareça com atributos para seguir essa carreira. Abundam figuras que buscam o que comer tornando-se vulneráveis a aliciamentos.

Hoje, o Movimento Democrático de Moçambique aparece apunhalado pelas costas, com deserções que nos fazem lembrar o espectáculo das transferências nomundo futebol.

Quando foi da vez da recepção dos que hoje desertam e asfixiam o MDM, acreditamos que o nosso Deviz Simango celebrou em grande, e hoje que é a sua vez de lidar com traição, nem gostaríamos de estar na sua pele! E ele vai repetindo que não há crise no MDM!

Vale lembrar que em vida, quando se assistiu a deserções, Afonso Dhlakama manteve-se indiferente, não ligou patavina e avisou que muitos deles um dia voltariam, porque à Renamo não tinham alternativa. Afonso Dhlakama tinha total rzão.

Pena que Afonso Dhlakama já não esteja entre nós, porque já chegou a ver de perguntar: o que disse?

Moçambique está muito longe de ter políticos, de facto, e a sociedade vai continuando desprovida de uma oposição que se mostre capaz de garantir uma alternância saudável, em prol da sociedade.

Por outras palavras, a alternativa à Frelimo é a própria Frelimo. Não é com este tipo de políticos que se pode pensar em remover a Frelimo do poder. Lamentavelmente ou não, vamos ter de continuar a esperar por mais e longo tempo. Antes vale um pássaro nas mãos do que dois a voar!

Para já, o Presidente da Tanzânia, John Magufuli, vai avisando que o seu Chama Cha Mapinduzi (Party of Revolution/Partido da Revolução), veio para eternidade. Ao que parece, ele tem toda a razão. Pelo menos os factos assim o indicam, à semelhança do contexto político moçambicano, onde vão ficando cada vez escassas, as alternativas à Frelimo.

E se a política fosse uma actividade filantrópica, assistiríamos a estas deserções, senhores Politiqueiros?

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