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Voo de recuperação

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A empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), que, segundo demos a entender, há dias, estava em alto risco de queda e o resultado disso foi a convocação de uma Asembleia Geral Extraordinária que determinou a cessação de funções do Conselho de Administração que estava a conduzir a empresa ao abismo, poderá voltar a viver dias melhores.

 

Depois de algum tempo a avançar-se com a procura de soluções por parte de quem de direito, eis que, recentemente, ao que tudo indica – pelo menos a nível de capacidades de quem deve assegurar actualmente a gestão da LAM – as condições estão reunidas para que a empresa avance, firmemente, para o voo de recuperação, numa altura em que a concorrência está para apertar o cerco ao mercado da aviação em Moçambique.

 

É verdade que a anterior adminstração deixou a empresa, aliás, foi obrigada a deixar a empresa depois de muitos estragos, ilustrados com uma avultada dívida de cerca de  três milhões de dólares americanos, mas acreditamos em batalhas que conduzem a grandes vitórias.

 

Os mesmos sócios que mandaram cessar funções aos anteriores gestores e, consequentemente, travaram a gestão perigosa e danosa em que a companhia de bandeira voava, decidiram criar e colocar em funções uma direcção-geral, confiada ao Engenheiro João Carlos Pó Jorge, um quadro que, além de reputação incontornavel a nível interno e externo, conhece muito bem a LAM, por dentro, e poderá ser uma solução acertada, para um futuro melhor.

Segundo informações de várias fontes, João Pó foi responsável por toda a área de manutenção da LAM.

Do seu CV de João Pó contabilizam-se inúmeras acções, experiência e bagagem profissional, apimentada com passagem pela Ethiopian Airlines, a maior companhia aérea do continente africano, onde trabalhou vários anos.

Baseado na capital Zimbweana, Harare, João Pó foi, representante da Boeing para África, é especialista em motores, nomeadamente da Pratt & Whitney, cuja fábrica também representou no continente africano.

Consta que entrou na LAM em 2015 e destacou-se pela liderança na reorganização da área de manutenção da empresa, incluindo a reposição e armazenamento de sobressalentes, com melhorias operacionais descritas como bem visíveis.

Além da indicação do Eng. Pó para gerir os destinos da LAM, a sessão extraordinária da Assembleia-Geral de accionistas, convocada para o efeito, decidiu que, a direcção-geral será, também, composta por directores de função, nomeadamente, nos sectores de Operações Técnicas, Finanças, Comercial, Recursos Humanos, Sistemas de Informação e Aprovisionamento.

 

A esperança do iminente voo de recuperação é quase certa na LAM pois, não é a primeira vez que o novo director-geral assume um desafio similar, na medida em que, nos anos 2000 apoiou no start ups de novas companhias aéreas na África Ocidental, depois do colapso da antiga Air Afrique, uma companhia que funcionava em regime de equity shareholder, compreendendo interesses de 11 países da região. A Air Senegal nasce nesse contexto, tendo Pó testemunhado os desafios dessa transformação.

Para já ele próprio terá que liderar o processo de devolver a LAM aos momentos de glória, para a satisfação dos seus clientes e não só.

 

Da parte do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), fica complicado perceber nesta experiência amarga da LAM porquê, inicialmente, teve na ponta da lingua uma direcção executiva e agora avançou-se para uma direcção-geral, o que, quanto a nós, denuncia, em algum momento, o tratamento desta questão com leveza e sem o devido aprofundamento.

Para todos os efeitos, apesar do ping pong verbal do IGEPE, a indicação de Pó afigura-se como grande esperança para a companhia nacional de bandeira, o tempo dirá! O tempo será o melhor juiz, e nós esperamos, pois saber esperar é uma virtude!

 

(Daniel Maposse)

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