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De Tete para o mundo (2)

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Baltazar Montemor

A passagem por Moza Banco, hoje Moza, para onde foi convidado a colaborar, é das eleições que Luís Magaço faz, no rol das suas recordações na longa carreira profissional.

Luís Magaço foi convidado em 2013, iniciando as funções em 2014, como Administrador de quatro áreas: Tecnologias de Informação, Recuperação de Crédito, Organização e Procurement e Recursos Humanos.

“Fiquei no Moza num projecto completamente novo, completamente diferente completamente fora do que eu estava habituado, tanto à escala do negócio em Moçambique, como no tipo de actividade”, regozija-se Luís Magaço, por esta passagem, que durou até à intervenção do Banco de Moçambique, em Setembro de 2017.

Daqui a esta parte cumpre mais uma etapa da carreira, na Moçambique Capitais, assumindo a responsabilidade da Empresa, ao mesmo tempo que gere uma outra de Consultoria, MZCC, por si criada, juntamente com a Moçambique Capitais e mais um sócio, com o intuído de reeditar e matar saudades dos seus tempos também fascinantes, enquanto esteve na Austral/Cowi.

Esta é a história profissional de Luís Magaço, feita numa linha paralela, sendo que à volta há muitos paralelos, a começar com um projecto associativo que descreve de interessante, com o ano de 1989 a marcar a sua entrada no mundo de associativismo, donde não mais saiu.

A AIMO, Associação de que é membro fundador, marca a sua estreia no associativismo e em 1996 assume a pasta de Secretário-geral da Câmara de Comércio Moçambique-Estados Unidos da América, em 1999 vice-Presidente da Câmara de Comércio Moçambique-África do Sul. Em 2002 é vice-Presidente da Associação das Empresas Moçambicanas de Consultoria, para em 2006 passar à Presidência desta mesma agremiação e em 2007 funda, juntamente com vários colegas, o Instituto de Directores de Moçambique, onde passou à sua presidência.

Com uma memória extraordinária, talvez superada pelo elefante, Luís Magaço lembra igualmente que em 2008 foi convidado por Salimo Abdula, a ocupar a função de Presidente do Pelouro de Política Financeira da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, posto no qual continua de pedra e cal.

“Dai em diante foram mais convites para mais associações, neste momento sou Presidente da Associação do Comércio e Indústria e Serviços (maior associação do país em termos de número de membros activos), e há dois anos passei a assumir a presidência da Mesa da Assembleia Geral da Associação Moçambicana de Economistas, que dá muito gosto, porque a AMECOM é a associação dos profissionais que fazem parte da minha veia académica”. Luís Magaço é igualmente Cônsul de São Tomé e Príncipe em Moçambique, desde Julho de 2011.

“Se alguma coisa tenho e posso gabar-me de ter ainda, espero continuar a ter por muito tempo, é uma boa memória”, diz Luís Magaço, frisando que a memória mais antiga que ainda guarda é da roupa que tinha, aos dois anos. “Estava eu a olhar para a minha mãe, que estava a segurar o meu irmão ao colo, que tinha acabado de nascer, lembro-me perfeitamente”.

Luís Magaço congratula-se por ter feito todas (talvez) as etapas que um menino cumpre na vida, desde praticar futebol na rua, algumas vezes calçado outras descalço e jogou igualmente muito basquetebol, explorando a sua altura que aos 15/16 anos atingia 1.80 metro. Praticou esta modalidade pelo Ferroviário, para mais tarde arbitrar o futebol de rua.

“Fui muito e ainda considero que sou religioso e fiz a primeira e segunda parte e depois o baptismo (1978), fiz a primeira comunhão e depois o crisma, o meu padrinho foi o meu avô, pai da minha mãe, todas estas etapas em Tete, quando sai daqui já tinha feito toda a infância e adolescência”.

Aos 7-8 anos de idade, Luís Magaço visitava o seu avô materno, com muita frequência e tem a primeira oportunidade de realizar diversas tarefas, algumas delas de alguma complexidade. Recorda que o avô chegou a ser professor da mãe do entrevistado, ou seja, da sua própria filha, no Ensino Primário.

É na loja do avô, localizada numa zona privilegiada de Moatize, reservada a algumas elites da época (período colonial), onde o velhote não resiste à inteligência do neto e aos 9 anos de idade Luís Magaço vê-se desafiado a saber realizar pequenos negócios na loja do avô, a partir de arrumação de mercadorias, prateleiras, atendimento, conferir correctamente os trocos, fazer caixa, entre muitas outras trefas complexas.

“Chegou uma altura em que, aos 11, o meu avô já podia ausentar-se da loja por longo tempo, para os armazéns e outros afazeres, fazendo compras, e eu ficava gerente da loja. Muito cedo comecei a ter esta sensibilidade de negócios, números, austeridade, cautela e de rigor, porque o meu avô quando vinha exigia contas e tudo estava certo. Foi o meu avô que me introduziu esta veia empresarial, do rigor e da disciplina, que até hoje me acompanha”.

Tendo estudado no período colonial, Luís Magaço não conhecia nem um rio moçambicano, mas em contrapartida revelava domínio da geografia portuguesa, como rios Mondego, Tejo, D’uro, Ribatejo, para além das linhas férreas, incluindo os respectivos ramais.

“O Hino Nacional era português, a história era portuguesa. Não conhecia nem a história nem a geografia moçambicana, mas muito curiosamente, em 1975, no dia 26 de Setembro, houve um comício, em Moatize e fui lá com o meu pai e estava lá um comissário a dar informações sobre a independência. Perguntei ao meu pai, o que é a independência. Ele explicou-me 2-3 vezes, mas eu não percebia. Ele continuava a explicar dizendo: meu filho, independência significa que nós, os moçambicanos, a partir de agora vamo-nos governar. Mas para mim já estávamos a governar. Só ao fim de alguns meses é que comecei a perceber, porque ao andar nas ruas havia mais moçambicanos do que portugueses”.

Filho de pais assimilados (pai contabilista), Luís Magaço confessa que se em algum momento durante o período colonial passou por alguma situação de discriminação, enquanto aluno, não se apercebeu. “Muito cedo eu já tinha alguns privilégios. Eu comecei a andar de avião em 1972, beneficiando do facto de o meu pai ser funcionário dos Caminhos de Ferro de Moçambique, accionista da então DETA, hoje LAM, o que conferia direitos especiais, para passar férias na então cidade de Lourenço Marques”, recorda. (Continua)

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