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As voltas da Renamo

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Sem surpresa, a Renamo não cumpriu a promessa de entregar, em 10 dias, contados a partir do dia 11 de Julho passado, a lista dos seus homens residuais a integrar nas Forças de Defesa e Segurança, no âmbito do diálogo a alto nível pela paz e efectiva e definitiva no país.

Mesmo com alguma esperança ténue de uma Renano promissora, as nossas dúvidas sempre se mantiveram vivas, relativamente ao cumprimento da promessa que o coordenador interino da Renamo, Ossufo Momade, fezera ao Chefe do Estado, Filipe Nyusi, de entregar a lista em dez dias.

É que se não o fez em 1992 e 2014, não seria numa assentada que tal aconteceria. E para não variar, os argumentos continuam abundantes, variando apenas o conteúdo, conforme o contexto em que as falsas promessas são renovadas.

Hoje, o líder interino vem dizer que o que emperra a entrega da lista é a necessidade de garantia de um “futuro digno” para os homens residuais da Renamo. A esta exigência seria desejável que Ossufo Momade acrescentasse a garantia de em paralelo com a integração, a Renamo vir a ressarcir as vítimas mortais dos assassinatos cruéis dos longos e penosos 16 anos, e outras tantas que ocorreram de 2014 a esta parte. ‘

O ressarcimento da Renamo deve ser extensivo ao país inteiro, pela dinamitação, recuo, estagnação. Embora as vidas humanas perdidas jamais podem ser recuperadas, eventualmente tivéssemos condições básicas de algum equilíbrio, para uma reconciliação plena.

Por tudo quanto a Renamo fez, não pode nem deve olhar apenas para sua parte. Moçambique não tem pena de morte, pior nas condições em que a Renamo dinamitou milhares de vidas humanas inocentes, incluindo bebés extraídos dos ventres das suas mães e outros tantos de tenra idade, para justificar os assassinatos que protagonizou.

Sempre dissemos e reiteramos que a Renamo não tem absolutamente algo de partido político e tem a plena consciência de que o seu desarmamento pode representar o seu fim, conforme alguma vez vaticinou o histórico Marcelino dos Santos.

A sobrevivência da Renamo sem a sua máquina assassina implicaria a sua transformação em partido político, de facto, para ombrear em pé de igualdade com outras forças políticas, em instituições democráticas onde se encontra representada, a exemplo da Assembleia da República.

Ora, isto não se consegue de um dia para outro. É um processo. A Renamo sabe de tudo isto, por isso que prefere a via de diversão, para fazer de contas que está engajada no processo de pacificação do país.

É pura falácia a afirmação de Ossufo Momade, segundo a qual a Renamo não precisa de armas ou que ela não é um partido que goste de estar militarizado. Igualmente é pura falácia justificar o incumprimento da sua promessa com a alegação de que é um processo complexo, pois ao prometer 10 dias, Ossufo Momade sabia perfeitamente de quê é que estava falando.

Cá estamos para ver!

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