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Lento mas seguro

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O processo de pacificação definitiva do país, depois de muitos imprevistos, ao longo do processo de diálogo, segundo os últimos desenvolvimentos, ao que tudo indica, está lento mas, desta vez, seguro.

É que, desde que a quatro de Outubro de 1992 o Governo de Moçambique e a Renamo, assinaram o acordo geral de paz em Roma, a capital italiana, apesar do calar de armas, a cada momento eleitoral, o espectro de guerra esteve sempre presente.
O momento do anuncio de resultados de cada eleição no País, sempre esteve envolto em incertezas, muito por culpa das armas que o maior partido da oposição ainda tem em sua posse.

As ameaças do uso da força para alcançar o poder, ganharam corpo e forma quando, 21 anos depois, o País voltou a ser assolado por um conflito militar localizado (no Centro do País), mas a ameaçar alastrar-se por todo o território nacional.
Nessa primeira fase do conflito, foi alcançado um outro entendimento entre os mesmos beligerantes (o Governo e Renamo), mas tal foi sol de pouca dura porque, tempos depois, a confrontação militar localizada voltou a assolar o país.

É importante referir que o primeiro acordo foi entre o antigo Presidente Joaquim Chissano e o falecido líder da Renamo Afonso Dhlakama, o segundo entendimento foi entre o antigo Presidente Armando Guebuza e Afonso Dhlakama.

Depois do fracasso do segundo entendimento, a República de Moçambique, já sob liderança do Presidente Filipe Jacinto Nyusi experimenta um momento sem paralelo nos esforços de busca pela paz, primeiro com uma trégua alcançada via telefone que, de temporária, a prorrogada ficou definitiva e depois com a ida do chefe do Estado ao bastião rebelde, à Serra da Gorongosa, para construir a confiança.

Com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama já entrosado com o Presidente Nyusi nos esforços pela paz definitiva, eis que para a decepção e incertezas, Dhlakama perde a vida na Serra da Gorongosa!

O Presidente da República, sempre diligente, encetou contactos logo que a Renamo indicou o Tenente-General Ossufo Momade como líder interido do maior partido da oposição, para se desbloquear o ponto pendente para a paz definitiva que é tornar a Renamo num partido apenas politico.

Depois de vários avanços e recuos, eis que anuncia-se ter havido um encontro entre o líder interino da Renamo e o Presidente da República, na Beira, no qual teria se decidido um prazo para a entrega do lista contendo os homens armados por reintegrar e integrar nas Forças de Defesa e Segurança (FDS) da República de Moçambique.

Quando parecia tudo com pernas para andar eis que a Renamo avança com outras exigências que tem a ver com a reintegração, primeiro, dos homens que já estiveram nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e que só depois dessa fase é que iria entregar a almejada lista.

Depois de parecer, outra vez, tudo parado, eis que o Presidente da República, o engenheiro Filipe Nyusi, anuncia um novo entendimento entre o Governo de Moçambique e a Renamo sobre as polémicas e difíceis questões militares.

“O memorando indica, de forma clara, o roteiro sobre os assuntos militares e os passos subsequentes, determinantes para o alcance de uma paz efectiva e duradoura no que tange ao desarmamento, desmobilização e integração do braço armado da Renamo”, informou, recentemente, à Nação, o Presidente da República, sem avançar detalhes sobre o conteúdo do documento, mas garantiu que se trata de um instrumento determinante nas negociações de paz iniciadas há um ano com o falecido líder , Afonso Dhlakama.

Depois de saudar o comprometimento de Ossufo Momade com a causa da paz mesmo sem Dhlakama, o Presidente Nyusi garantiu que ainda dentro de dias serão anunciados os passos subsequentes.
Reacções

As reacções ao entendimento não tardaram a chegar, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), achou prioritário exigir a divulgação do conteúdo do acordo.
Os Estados Unidos da América, que são membro do grupo de contacvto, através da sua embaixada em Maputo, exprimindo satisfação pelo entendimento, consideram que o acordo entre o Governo de Moçambique e a Renamo é um passo decisivo em direcção a uma paz duradoura para um futuro mais seguro e próspero.

O embaixador suíço em Moçambique Mirko Manzoni, e presidente do Grupo de Contacto entre o Governo e a Renamo também saudou o acordo e destacou a disponibilidade para apoiar o processo.

A par das reacções positivas e de total apoio por parte dos parceiros internacionais, a nível interno, a reacção não seria diferente: Satisfação total.
Quanto a nós, perante as circunstâncias, se nos oferece observar que este processo, de busca de paz definitiva para o país, mostra-se lento mas seguro!
(Daniel Maposse)

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