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Reforma cautelosa

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Os novos desenvolvimentos no âmbito do processo de busca da paz efectiva e definitiva para o país fazem antever que num futuro não muito distante, quando o objectivo final tiver sido alcançado, o governo pode iniciar uma reflexão para um novo figurino das Forças de Defesa e Segurança, adequadas a uma situação de paz.

Não há dúvidas que um exército em tempo de guerra não será igual a um exército em tempo de paz, em termos de custos e de demais determinantes, sendo que Forças de Defesa e Segurança numa situação de ausência total de guerra representarão uma unidade a menos onerosa possível, com os custos de manutenção a baixarem provavelmente em muito acima da metade.

Poupa-se no número de homens a compor esse exército em tempo de paz, poupa-se igualmente e enormemente em maquinaria (armamento) extremamente onerosa para “alimentar” a defesa da soberania.

O que se recomenda ao Governo é que não se deixe embalar por eventuais e desejados acordos finais de paz efectiva e definitiva, e “destruir” as Forças de Defesa e Segurança, como o Governo o fez, no seguimento do Acordo Geral de Paz.

Nessa época não passava pela cabeça do governo nem por cabeça de qualquer moçambicano de bom senso, salvo os fiéis seguidores dos ideais assassinos da Renamo, que o país podia voltar algum dia, pelo menos na nossa geração, a experimentar uma situação de guerra.

A reforma do exército, caso se alcance a paz definitiva, é desejável, mas é imperioso valorizar os ensinamentos que a Renamo nos proporcionou imediatamente a seguir à assinatura do Acordo Geral de Paz, a 4 de Outubro de 1992.

A Renamo não só não entregou às Nações unidas (ONUMOZ) metade do efectivo dos seus homens para a constituição do exército único, como também continuou a recrutar crianças para rejuvenescer a sua máquina assassina.

Esta experiência inspira-nos a recomendar uma reforma cautelosa, uma reforma que não implique a “destruição” total das Forças de Defesa e Segurança, pois como se viu, destruir é fácil, não dura se quer um dia. Todavia, a reconstrução, essa pode durar para sempre.

Não nos venham apelidar de conservadores, pois o nosso cepticismo, a nossa prudência baseia-se em factos concretos proporcionados pela própria Renamo.

Em vida, Afonso Dlhakama avisou que se a situação não estava pior, ficávamos a deve a ele, que ainda conseguia lidar com a linha radical da Renamo, os verdadeiros mandantes, que nem têm absolutamente algo a ver com qualquer diálogo, pois a “vida selvagem” as convém, sob diferentes perspectivas.

Não se pode subestimar esta advertência, a pensar-se que sem Dlhakama tudo fica facilitado. Pelo contrário, podemos estar perante situações que um dia nos levem a termos saudades de Afonso Dhlakama!

Logo, nos passos subsequentes a um eventual acordo definitivo de paz, no que a uma eventual reforma das Forças de Defesa e Segurança, diz respeito, prudência aconselha-se.

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