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Inimigos da competitividade

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Baltazar Montemor

O país permaneceu longo tempo refém de inimigos da competição e competitividade, até que Nyusi se enchesse de coragem e dar ordens para a abertura efectiva do espaço aéreo moçambicano, a outros operadores.

E foi preciso Nyusi ser persistente, porque à primeira, os inimigos da competição e competitividade fizeram vista a uma ordem clara e transparente, mantendo o espaço aéreo moçambicano aberto apenas nos papeis e discursos de conveniência.

Quando os operadores turísticos depararam com este finca-pé, não tiveram outra alternativa que não voltar ao Presidente e alertar que as ordens dadas continuavam engavetadas. À segunda, o espaço aéreo ficou aberto, efectivamente e os operadores turísticos, os mais afectados pela resistência, celebraram e congratularam o Chefe do Estado.

Com efeito, a Federação Moçambicana de Turismo e Hotelaria, na voz do seu Presidente, Quessanias Matsombe, congratula o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, pelo seu empenho na dinamização do Turismo. Quessanias Matsombe exemplifica que a abertura efectiva do espaço aéreo e a emissão do visto de fronteira só foi possível mercê do envolvimento directo e persistente do Chefe do Estado, que soube contornar círculos de resistência, mesmo perante decisão clara e concreta para a efectivação destas medidas.

O Turismo representa um vector sério e importante no esforço de desenvolvimento socioeconómico do país, entretanto o sector enfrenta problemas estruturais que impedem a sua contribuição plena. A solução desses problemas passa por assumir que se trata de uma indústria a reclamar uma planificação, envolvimento e adopção pelo próprio Estado ou Governo.

Quessanias Matsombe não diferencia a crise por que o turismo passa das dificuldades que afectam outros sectores de actividade, a exemplo da agricultura, Constitucionalmente base de desenvolvimento, que apesar do enorme potencial, o país continua a não produzir comida e mantem forte dependência de importações até de hortícolas! O turismo só pode cumprir o seu papel quando encarado como um mercado global, em que deve competir em pé de igualdade com outros destinos mundiais, de modo a atrair turistas, que só decidirão por um destino de fácil acesso e economicamente viável.

“Se não há acessibilidade, o sistema de transporte aéreo não é competitivo, não favorece o turista, naturalmente este prefere ir para outros destinos”, sublinha Matsombe, acrescentando que Moçambique deve ser colocado no mercado mundial como um produto turístico competitivo e apetecível. “Nós temos tudo para sermos um dos maiores destinos turísticos deste mundo. Temos uma costa linda com areia branca, água cristalina, 11 meses de Verão, povo maravilhoso, boa gastronomia (das melhores do mundo) e do ponto de vista de cultura e de vegetação, fauna e flora, temos dos melhores, o que nos falta é a planificação”, diz Matsombe.

O nosso entrevistado lembra que há países que em termos de potencial não competem com Moçambique, entretanto atraem muitos turistas internacionais. São disso exemplo Cuba, Tailândia, Maurícias, África do Sul, Botswana, Zimbabué e Seicheles, que nos superam de longe, do ponto de vista do volume de turismo que captam, mesmo desprovidos de recursos turísticos como os nossos. Frise-se que Cuba sobreviveu e sobrevive do bloqueio económico norte-americano que dura há mais de 50 anos, fruto do turismo.

“Nós temos inúmeros problemas, a começar pela própria definição do turismo. Turismo não é só ter três mil quilómetros de costa, gente maravilhosa, comida, cerveja, é preciso planificação e escolher 2,3 ou 4 destinos turísticos e desenvolve-los”, sublinha o Presidente da Federação Moçambicana de Turismo e Hotelaria, para quem desenvolver um destino turístico passa por preparar as comunidades abrangidas para receberem os turistas, com garantia de infra-estruturas, segurança e capacitação profissional.

Quessanias Matsombe defende que tal como se pode fazer com a Ilha de Moçambique, Vilankulo, Bilene, Ponta D’Ouro, Baía de Wimbe (Pemba), Mafalala pode ser um destino turístico de eleição, pois é aqui onde nasceram Eusébio, Ricardo Chibanga (toureiro), José Craveirinha, cujas casas podem ser restauradas. Os Presidentes Samora Machel e Joaquim Chissano viveram igualmente na Mafalala. “Tudo isso são elementos histórico-culturais que podem servir de produto turístico, e podemos fazer daquele bairro um destino turístico com restaurantes típicos, etc. etc.”.

A Avenida 10 de Novembro, igualmente na Cidade de Maputo, reúne excelentes condições para um sambódromo para a promoção de festivais de cerveja, mariscos, jazz, carnaval e muitas outras actividades atractivas para turistas. “Temos tudo isso mas não pensamos! Moçambique tem condições para ter dinheiro proveniente de turismo e não tem que depender das areias pesadas, do gás, que só nos deixarão elefantes branques. Apenas nos falta estruturar o sector. Se se concessionasse a 10 de Novembro (Avenida) e toda a marginal até Costa do Sol, teríamos uma linda praia e atrairíamos todo o turismo de Mpumalanga (África do Sul) e da Swazilândia”. Para Matsombe, a estruturação do sector do Turismo deve partir de cima, onde se deve produzir um pensamento comum sobre o significado do turismo.

Sobre a partilha de responsabilidades entre os sectores público e privado, o Presidente da Federação Moçambicana de Turismo e Hotelaria entende que compete ao Governo definir políticas em cada um dos pontos de desenvolvimento turístico. “O ordenamento territorial, os acessos, poleeis para voos directos para Moçambique, são da competência do Estado. A minha responsabilidade é construir hotel, quando tiver garantia de condições para investir e fazer negócios com certeza de retorno. Sem esta organização o sector privado não tem como avançar”.

Quessanias Matsombe vai mais longe ao afirmar que em bom rigor, em Moçambique ainda não há turismo, vivemos apenas de ilusões. Entretanto, Matsombe enaltece o Chefe do Estado, Filipe Nyusi, pela abertura total para debates conducentes a soluções para a problemática de turismo.

Por outro lado, o Presidente da Federação Moçambicana de Turismo e Hotelaria é de opinião de que se deve resgatar a formação na área de turismo, tal como já se viu com o Hotel Escola Andalucia, condição para se garantir turismo de qualidade.

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