Início politica Distracção monumental ou encenação?

Distracção monumental ou encenação?

1028
0
COMPARTILHE

De eleição em eleição o gabinete jurídico da Renamo vai nos proporcionando episódios de total distracção, com alguma ignorância à mistura, em detrimento do próprio partido.

Não cabem nestas linhas episódios anteriores, desde a institucionalização Constitucional das eleições periódicas em Moçambique, Gerais e Autárquicas. Ficaremos apenas pelas eleições autárquicas que se realizam a 10 de Outubro.

Por força de irregularidades de natureza legal insanáveis, a Renamo viu o seu cabeça de lista pela cidade de Maputo, Venâncio Mondlane, excluído do processo, pela Comissão Nacional de Eleições.

Assistia à Renamo o direito legal de recorrer ao Conselho Constitucional, e fê-lo. Só que a Renamo cometeu um erro crasso e fatal, inadmissível até para um bom aluno que ainda nem sequer foi admitido ao curso de Direito.

A Renamo, ela própria, encarregou-se de interpor o recurso, quando tal direito assiste apenas a um grupo de cidadãos. Em consequência, o Conselho Constitucional não teve outra hipótese que não evitar perder tempo com o conteúdo dos argumentos de natureza jurídica esgrimidos pela Renamo, pois, só pela via errada que a Renamo seguiu, já havia matéria suficiente para um acórdão. Outra decisão não seria de esperar, que não fosse desqualificar precocemente o recurso interposto, julgando-se apenas pelo equívoco da própria Renamo, ao tentar usurpar direitos de cidadãos.

Quando se soube da interposição do recurso, as expectativas de toda uma sociedade interessada no assunto elevaram-se consideravelmente, pois havia enorme interesse em ouvir a doutrina que seria colocada pelo Conselho Constitucional.

A deliberação do Conselho Constitucional revela distracção do gabinete jurídico da Renamo, uma distracção que vem sendo uma marca presente em praticamente todos os processos eleitorais moçambicanos, para depois o partido andar a inventar bodes expiatórios.

No caso que suscita esta reflexão somos forçados a não descartar em absoluto a tese que acaba de emergir, sugerindo que a exclusão de Venâncio Mondlane e a turbulência que envolve Manuel de Araújo são mera encenação da Renamo.

Diz a tese, que a Renamo em momento algum esteve interessada nas duas figuras como cabeças de lista ou para o quer que seja. O aliciamento de Venâncio Mondlane e Manuel de Araújo, no que alguns chamam de “teoria de conspiração”, visou o seu afastamento do presente processo, para os verdadeiros concorrentes da Renamo terem a vida facilitada, ou algo parecido. Aliás, os dois não têm expressão alguma para merecerem tanto, comparativamente a galácticos da Renamo que deram até ao litro pela Renamo.

Eventualmente esta crença ajude a esclarecer a distracção imperdoável que imperou no processo de Venâncio Mondlane, a menos que a Renamo nos venha convencer de que se tratou, efectivamente, de um lapso na interpretação da doutrina jurídica sobre a matéria, lapso que nem pode ser admitido a um bom aluno do Liceu, que saberia que não se deve abordar o Concelho Constitucional frontalmente.

A ter-se tratado de um erro involuntário, justifica uma sanção disciplinar exemplar a todo o gabinete jurídico da Renamo, passível de publicitação exaustiva, para que sirva de exemplo para os demais. Arriscamos a sugerir que uma pena exemplar não estaria abaixo de dimensão em bloco de todo o gabinete, numa clara purificação de fileiras, porque isto cheira mesmo à sabotagem.

Por acaso é bastante curioso que a desqualificação do recurso do recurso da Renamo não tenha elevado os ânimos, diferentemente do que a Renamo nos habitou, até com recurso a apitos e batucadas na praça pública! Estaremos perante uma distracção imperdoável ou mera encenação?

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here