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Hostil à reconciliação

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O Estado entendeu por bem condecorar algumas individualidades, no âmbito das celebrações do 25 de Setembro, que este ano coincide com a passagem de 54 anos da criação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, FADM, e do desencadeamento da luta armada de libertação nacional. O 25 de Setembro é igualmente conhecido como Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

Os galardoados, em número superior a 30, contemplou oficiais superiores e subalternos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, com diferentes títulos, que incluem medalhas de liderança militar, mérito do exército, aeronáutico, naval, comportamento exemplar, serviços distintos, condição militar, tempo de serviço e comissão de serviços especiais.

Ora, da lista dos galardoados figuravam generais da Renamo como Raul Domingos, Jerónimo Malagueta e Anselmo Victor. Dos três apenas se fez presente Raul Domingos. Jerónimo Malagueta e Anselmo Victor pura e simplesmente decidiram declinar a condecoração.

Terá pesado para esta atitude lamentável e condenável a todos os títulos, a falta de visão de Estado e grosseira confusão com actos políticos, levando os dois generais da Renamo a misturar alhos com bugalhos.

Não temos mandato para falarmos em nome do Estado, neste caso representado pelo Ministério da Defesa Nacional. Todavia, o bom senso nos aconselha a sugerir que os ilustres generais deviam saber que ao serem contemplados num acto igual, mais não significará que não seja materializar aquilo que eles próprios ajudaram a Renamo e restantes actores a reclamar, a reconciliação nacional e inclusão.

Eles, mais o senhor Raul Domingos foram escolhidos para esta condecoração mais pelo que fizeram ao longo dos 16 anos da guerra assassina, onde conquistaram o estatuto militar que hoje os confere este galardão.

Por esta via o gesto do Estado não significará outra coisa que não seja tentar esquecer o tempo que passou e enveredar pelo caminho da reconciliação nacional, que entretanto os generais Jerónimo Malagueta e Anselmo Victor decidiram declinar, nula clara hostilização a este valor sem o qual não chegaremos ao Estado Moçambicano ideal.

Pelo tempo que Anselmo Victor e Jerónimo Malagueta têm da vida urbana, que dura desde a assinatura do Acordo Geral de Paz para Moçambique, a 4 de Outubro de 1992, nós esperávamos deles outro nível de urbanidade, com uma visão clara de Estado, que lhes permitisse separar o Estado de mesquinhices políticas. Não há partido algum que é chamado na iniciativa ora negada pelos dois generais.

Arriscamos a dizer que mesmo que estivéssemos em presença de uma iniciativa partidária, eventualmente o bom senso aconselhasse o seu acolhimento e acarinhamento, pois no interesse nacional são bem-vindas as iniciativas de qualquer dos actores da sociedade, desde que o objectivo final vise a reconciliação da família moçambicana.

Lamentavelmente os generais Victor Anselmo e Jerónimo Malagueta nos brindaram com uma forma de estar que pura e simplesmente hostiliza o esforço de reconciliar os moçambicanos. Simplesmente lamentável. Esperamos seja um défice de visão de Estado individual dos dois e não se estenda a toda uma instituição, chamada Renamo, porque isso abortaria as nossas expectativas crescida, de finalmente uma paz efectiva e definitiva para o país.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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