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Aviso de mau tempo

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Na jovem República de Moçambique, desde que se instalou a democracia multipartidária, o cíclo eleitoral, que acontece de cinco em cinco anos, tem sido altamente desafiante, com alguns, a tentar impor, ao povo, o sentido de voto, com recurso a vários métodos que, não poucas vezes, se revelaram improcedentes, vergonhosos e complicados.

Em ciclos eleitorais anterios, tivemos uma Renamo reincidente em ameaças, quase a exigir que o sentido de voto fosse a si favorável, sob pena de regressar às matas e retomar aquilo que, ao que tudo indica, melhor sabe fazer: Violentar o povo que diz querer governar!

Neste mesmo espaço, tivemos a honra e o privilégio de saudar a nova postura da Renamo que, inconformada com algumas decisões, embora com défice de argumentação jurídico legal e distrações à mistura, recorreu a quem de direito para expôr as suas reivindicações.

Notamos na Renamo, e expusemos, um crescimento politico animador, só que, para a nossa surpresa, por detrás da nova postura da Renamo, apareceu a habitual carta pastoral cuja abordagem remete-nos a uma reflexão preocupamente em relação à real intenção dos nossos bispos católicos.

Com direito a opinião e toda a abertura legal para o efeito, ao invés de recorrer a análises com tendencia à mobilização do eleitorado para um determinado sentido, entendemos nós, que seria sensato por parte dos nossos bispos, avançar para a criação de um partido político que, provavelmente, poderia governar o país, de forma automática, com magia à mistura, e aí, a avaliar pelo volume de enormidades contidas na  “carta pastoral”, teriamos um país a ombrear com aqueles que estão independentes ha mais de 300 anos, tanto em níveis de desenvolvimento, assim como em níveis de consolidação da democracia.

Aliás, em relação ao assunto em epígrafe, custa nos que, depois de tanto empenho e diligências encetadas por pessoas indicadas, apareçam partes periféricas do processo a impor certas posturas desafiantes para o país e para o povo moçambicano.

É que, depois das vitórias negociais entre o Governo de Moçambique e a Renamo, lideradas pelos expoentes máximos das duas partes, eis que, em meio ao crescimento politico de uma Renamo outrora belicista, em alguns círculos, temos estado a constatar um esforço titânico para a discredibilização  das instituições de direito, o que pode empurrar o país para uma situação de retorno à instabilidade militar.

Se, por via de cartas se colocam em causa os sucessos visíveis, a olho desarmado, deste país, eis que, em meio à postura politicamente saudável da Renamo, irrompe um pronunciamento preocupante, do tipo ameaça, por parte  do coordenador da Comissão Política da Renamo, o Tenente General Ossufo Momade, segundo o qual “há um momento em que já não se pode aguentar mais”, alguma sirene de preocupação começa a se fazer ouvir.

Nesse pronunciamanto, mais adiante, Ossufo Momade refere que “esperamos que se cumpra a Lei, para o bem deste país. Nós gostariamos que o Tribunal Administrativo pudesse trabalhar no sentido de respeitar a Lei, fazer respeitar a Lei, porque essas instituições são guardiões para que a Lei seja respeitada. Se abraçarem a vontade do partido no poder, nós, como Renamo, vamos lutar contra essa maldade”.

Em nosso modesto entender, fica nas entrelinhas alguma ameaça ao povo Moçambicano na medida em que, em algum momento, refere-se à possibilidade de “perder a cabeça”, o que não deixa margem para dúvidas que a luta a que se refere, de pacifico nada tem.

Este tipo de pronunciamentos estão a expôr um lobo vestido de ovelha que, a qualquer momento, pode devorar a sua vítima de estimação que é o Povo de Moçambique.

Esta atitude e pronunciamentos belicistas, estão totalmente desajustados com os paços galopantes que estão a ser dados na materialização dos entendimentos alcançados, a muito custo, pelo Chefe do Estado Moçambicano, o engenheiro Filipe Jacinto Nyusi e a liderança da Renamo, rumo à pacificação definitiva do país.

Para a materialização desse sonho de se alcançar a paz efectiva, em cumprimento do acordado, o Governo de Moçambique tem estado a cumprir a sua parte: Há oficias oriundos da Renamo que já foram reintegrados nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), há oficiais da Renamo que estão a ser reciclados para integrar a Polícia da República de Moçambique (PRM) e já há parceiros de Moçambique que se pronunciaram sobre o apoio a este processo.

Com estes passos a serem dados, preocupa-nos o regresso das incoerências habituais da Renamo, que tem corpo e forma nas ameaças proferidas por Ossufo Momade, alegadamente por não concordar com as decisões dos órgãos onde a  Renamo está representada e o cumprimento da Lei que a própria Renamo aprovou.

Por aquilo que conhecemos deste partido que, de novo, está a ceder a agitações, entendemos tartar-se de uma situação em que deve-se apelar a quem de direito para que tome as medidas necessárias para garantir a ordem e tranquilidades públicas no País, a integridade territorial e livre circulação de pessoas e bens em todo o território nacional porque já foi lançado o aviso de mau tempo e, esta aparente postura relaxante de alguns, pode ser somente para o “boi dormir”. A ver vamos o que o tempo nos reserva.

(Daniel Maposse)

 

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