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O tempo de promessas

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Com alguns incidentes arrancou a aguardada campanha eleitoral rumo às eleições autárquicas de 10 de Outubro próximo.  Grande marca desta disputa eleitoral, é que em termos gerais,  com excepção da cidade da Beira, a disputa é, na verdade, entre a Frelimo e Renamo, aparecendo o MDM, também , a fazer sentir a sua existência.

Conforme aquilo que se conhece sobre os processos eleitorais, os resultados só aparecerão mesmo depois das eleições porque, dependendo das mensagens e seriedade das promessas, a tendência de escolha pode pender para um lado, num determinado momento, e para o outro lado, numa outra altura, aliás, as campanhas eleitorais são para isso, convencer o eleitorado.

Sem se fugir às regras, os cabeças-de-lista que querem lutar para que as suas formações políticas mereçam confiança dos potenciais eleitores em cidades e vilas autárquicas, em algum momento, fazem promessas que evidenciam a impossibilidade do seu cumprimento em função de vários indicadores conhecidos.

Em relação a promessas lunáticas, pedimos encarecidamente aos concorrentes para que encarem o presente processo eleitoral com a seriedade que merece para se evitar as habituais abstenções que, em certa medida, são fruto de promessas humanamente difíceis de cumprir, se não impossíveis,  nos moldes em que alguns concorrentes avançam e isso contribui pra a desmoralização dos eleitores quando estes notam a falta de realismo naquilo que se pode fazer.

Tirando o entulho de promessas e habituais acusações entre os contendores, em termos gerais, os três principais partidos políticos, Frelimo, Renamo e MDM, prometem mudar a vida dos 53 municípios, através da promoção de uma nova dinámica na sua gestão e melhorar as condicões de vida dos munícipes.

Para o conselho autárquico de Maputo, a capital do país, A Frelimo, através do seu cabeça-de-lista, Eneas Comiche, promete “Txunar” Maputo bairro a bairro, o que equivala a dizer que pretende melhorar Maputo bairro a bairro e, para fazer passar a sua mensagem, recorre ao contacto em lugares geralmente de grandes aglomerados, mas os mercados é que são o alvo principal.

A Renamo, através do seu cabeça-de-lista, Hermínio de Morais, promete transformar o lixo em luxo, este partido, actualmente sob coordenação interina de Ossufo Momade, com o revés da impossibilidade legal de ter Venâncio Mondlane como seu cabe – de-lista e tendo o substituido pelo Major General na Reserva, Hermínio de Morais, estrategicamente, colocou Venâncio Mondlane como porta voz de campanha e este faz de tudo para fazer passar a ideia de que mesmo com o novo cabeça-de-lista, ele continuará sempre na sombra.

Já o MDM, promete melhorar a vida dos munícipes de Maputo. Augusto Mbazo, cabeça-de-lista da formação política que ocupa a posição de segunda força da oposição no país, também não poupa esforços de convencer o eleitorado de que o seu partido é o melhor indicado para gerir os destinos de Maputo nos próximos cinco anos.

Participaram nesta campanha, 21 partidos, coligações ou grupos de cidadãos que irão, durante a campanha que se prolonga até ao dia 7 de Outubro, tentar angariar os votos dos cerca de 7 milhões de eleitores inscritos nas 53 cidades e vilas autárquicas de Moçambique.

Na autarquia da Beira, no Centro do País, Augusta Maita, cabeça-de-lista da Frelimo, está a medir forças em promessas com Manuel Bissopo, da Renamo e Daviz Simango, do MDM.

A tendência de promessas eleitorais é quase uniforme em todas as autarquias do país, com os candidatos a explorarem os pontos fracos de cada realidade autárquica para prometerem a sua melhoria.

O escrutínio terá a particularidade de ser o primeiro de um novo modelo que resulta das alterações da Constituição. Os líderes das autarquias vão passar a ser escolhidos a partir da lista mais votada para a assembleia municipal, deixando de ser sufragados diretamente em boletim de voto próprio, como se verificava desde as primeiras eleições autárquicas, em 1998 e, também, ao invés da actual designação de Conselho Municipal, agora teremos os Conselhos autárquicos.

 

Com este exercício pré eleitoral e a materialização ordeira de todo o processo, ganha a democracia e ganha mos moçambicanos que terão sido eles a elegerem as suas preferências para a gestão dos Conselhos Autárquicos e, nós iremos acompanhar o processo de promessas até à sua materialização.

(Daniel Maposse)

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