Em ocasião oportuna alertamos sobre os graves contornos do terrorismo que faz agora um ano, na Província de Cabo Delgado, movidos pela forma branda com que as reacções de conveniência tratavam o preocupante fenómeno.

Nessa altura exemplificamos que a guerra assassina dos 16 anos também começou por ser tratada com algum desprezo, pelo menos a nível de discurso político público de conveniência, mas não tardou que a situação atingisse propões de tragédia humanitária.

O terrorismo de Cabo Delgado começou com recurso a armas brancas, ou nem por isso, mas rapidamente está evoluindo e hoje já intervém armas de fogo com alguma sofisticação. Todavia, continuamos sem saber o que é que na verdade se está a passar.

Nos discursos políticos de ocasião continua ausente a génese desta mais uma tragédia humanitária nunca desejada pelos moçambicanos. Continuamos sem saber os verdadeiros mentores, ficando-se pelo peixe miúdo e outros bodes expiatórios.

Este país tem instituições que basta, que já deviam ter sido activadas para nos esclarecerem sobre toda a verdade material e encontrar solução com recurso ao diálogo permanente e inclusivo.

Tudo quanto se tem dito sobre os ataques de Cabo Delgado nunca convenceu até a um cidadão alheio a tudo. Independentemente da forma de actuar dos terroristas, teria de ser provada a tese que tenta islamizar os acontecimentos.

Aliás, igualmente em tempo oportuno, o presidente da Comunidade Islâmica de Moçambique, Abdul Rachid, reiterou o não ao pretenso envolvimento de muçulmanos moçambicanos nos ataques terroristas que têm sido protagonizados na Província de Cabo-Delgado.

Subescrevemos a visão de Abdul Rachid, quando exorta o Governo para não se socorrer apenas do uso da força para pôr fim aos crimes, mas tentar compreender as motivações e tomar as acções certas para eliminar os focos.

Sempre defendemos que para a compreensão dos acontecimentos de Cabo Delgado todas as hipóteses são válidas, até que sejam claramente esclarecidos, do ponto de vista da génese, dos mentores, dos promotores e dos seguidores. Não excluímos eventual associação da situação ao momento económico vivido pela região de Cabo Delgado, que vai desde a exploração de hidrocarbonetos até à vulnerabilidade da região ao estatuto de importante entreposto de tráfico internacional de droga.

Aliás, na época, o presidente da Comunidade Islâmica de Moçambique, Abdul Rachid, não hesitou em acreditar que a principal razão dos ataques terroristas é financeira. “O solo de Cado Delgado oferece muita riqueza, e esta deve ser uma das causas. Criar confusão para poder estar à vontade e explorar essas riquezas”, disse, na ocasião.

Para o presidente da Comunidade Islâmica de Moçambique, o terrorismo está a ser alimentado por estrangeiros em conluio com moçambicanos de má-fé. “São forças externas que estão a vir para aqui. Eu acho que o nosso Governo devia estar atento e preocupar-se nisso e não estar a fechar mesquitas e acusar muçulmanos inocentes”, acrescentou.

O uso da força para eliminar as acções de terrorismo em Cabo-delgado não é a única via ideal para pôr fim aos actos macabros. Se tal fosse eficaz, o fenómeno não estaria hoje a subir de tom e de qualidade, a olhos vistos.

O Governo deve pensar de uma forma diferente e saber qual é a causa que leva a haver actividades terroristas; não são os muçulmanos” “Fechar as mesquitas e perseguir muçulmanos inocentes não vai resolver nada, pelo contrário, vai criar um mal-estar na família muçulmana.

Assinamos por baixo.

 

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