Início politica Contenção justificada

Contenção justificada

59
0
COMPARTILHE

Entre os moçambicanos e não só, haverá aqueles que preferem esperar para ver, os resultados do anúncio feito pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, seguido do lançamento formal, 6 de Outubro, do processo de desarmamento, desmobilização e reintegração dos efectivos armados da Renamo, à luz do memorando de entendimento firmado entre o Governo e a Renamo.

Nyusi escolheu precisamente o 4 de Outubro, que este ano coincidiu com a passagem de 26 após a assinatura do Acordo Geral de Paz para Moçambique, para oferecer aos moçambicanos e resto do mundo, melhor presente em dia da paz, com o anúncio feito.

O cepticismo, não interessa se de muitos ou poucos, esse tem total legitimidade, porque o processo, a resultar, o que é desejado por todos, seria a primeira vez na história de Moçambique independente.

Estarão todos lembrados de que o Acordo Geral de Paz não foi cumprido na íntegra, fundamentalmente pela Renamo, que não entregou sequer metade do efectivo que lhe era exigido para a constituição do exército único. A Renamo devia ter fornecido 15 mil homens e o Governo também 15 mil, para totalizar um exército único de 30 mil homens. E foi a própria Renamo que exigiu um exército “fifty-fifty”.

Na altura o governo permaneceu em sono profundo, convicto de que o incumprimento da Renamo teria a ver com o facto de, na verdade, o movimento assassino não possuir no terreno, o número de guerrilheiros que dizia ter. Assinado o Acordo Geral de Paz, o Governo confiou em demasia na boa fé da Renamo.

Todavia, esta crença, baseada na boa-fé, veio a ser desmascarada, décadas depois, quando a Renamo entendeu dissipar todas as dúvidas que pairavam em todos nós, de que teria capacidade humana e material para reiniciar a guerra a qualquer altura e como quisesse.

Não precisou de tempo algum para recrutar, formar e desencadear a guerra pois, como se viu, a máquina assassina estava intacta e Afonso Dhlakama, Deus que o tenha, nunca parou de ameaçar em faze-lo. Foi uma questão de querer para ordenar a sua máquina asfixiar o país, com os tradicionais assassinatos e destruições à mistura, principalmente ao longo da Estrada Nacional Número Um, sendo que os visados são sempre os mesmos: inocentes.

Vieram os acordos de Cessação de Hostilidades, de Setembro de 2014, gastou-se tanto dinheiro (pelo menos 525 milhões de meticais), tempo e tudo que era recurso, mas nada andou que conduzisse ao desarmamento, desmobilização e reintegração dos chamados homens residuais da Renamo. A famosa EMOCHIM, instituição criada para este processo, nem chegou a receber sequer a lista tão esperada.

Esperamos que desta vez e pela primeira vez na história do país independente, Moçambique consiga selar com chave de ouro este processo, e o Presidente Filipe Nyusi tenha sorte diferente da dos seus antecessores.

Entretanto, algumas zonas de penumbra sobre o processo anunciado por Nyusi adensam o nosso cepticismo. Pelo menos publicamente não são conhecidas as modalidades acordadas para a implementação, com sucesso, do processo.

Não gostaríamos de duvidar de que figuras que trabalham de forma directa com o processo tenham dados detalhados sobre a implementação do processo, por sinal complexo, locais de acantonamento dos homens armados da Renamo a desarmar, desmobilizar e reintegrar.

Por outro lado, seria desejável que para a tranquilidade dos moçambicanos houvesse clareza suficiente sobre o número de homens e mulheres da Renano que vão beneficiar deste processo.

Parecendo que não, estes dados são de importância extraordinária, tomando em linha de conta os incumprimentos da Renamo de 1992, relativamente ao Acordo Geral de Paz, para não ficarmos na mesma presunção de que o movimento assassino não tinha os 15 mil homens. Mais tarde veio-se a descobrir que afinal havia mais guerrilheiros que viriam a ser utilizados para pressionar o Governo para fazer concessões, inclusivamente inconstitucionais.

É pertinente que por ora se saiba, nem que seja o número aproximado de homens sob controlo da Renamo, a beneficiaram do presente processo, pois ninguém nos pode convencer de que a Renamo não tenha os devidos registos.

A Renamo pode estar distraída em relação a muitos processos, mas já não estará no controlo da sua máquina de guerra, a quem quando ordena cumpre religiosamente e com inquestionável lealdade e fidelidade, quer quando é para matar, destruir quer para parar.

Até indicação contrária, estamos em presença de uma contenção justificada.

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here