A Renamo conseguiu nas quintas eleições autárquicas de 10 de Outubro, resultados que provam que se não tem enveredado por uma postura de sabotagem deste exercício, a começar pelo primeiro escrutínio de 1998, hoje estaria noutros patamares.

Já em 2013 a Renamo pura e simplesmente não participou ou sabotou as IV eleições autárquicas, em cumprimento da ditadura do líder, Deus que o tenha. A ditadura não só imperou em processos eleitorais autárquicos, como em muitos outros processos políticos e democráticos, como a tomada de posse dos seus deputados na Assembleia da República.

Os resultados que a Renamo conseguiu nas autárquicas de 10 de Outubro legitimam a nossa visão expressa neste espaço, de que mal Afonso Dhlakama partiu para o além, de imediato a Renamo começou a denotar algum crescimento político, pese embora um e outro episódio sazonal e em contra-mão, recurso a instituições legalmente estabelecidos para batalhas político-democráticas.

Nas quintas eleições autárquicas a Renamo ganhou número considerável de municípios, de forma convincente, numa clara vitória acima de tudo qualitativa. Nampula, Nacala-Porto, Angoche, Quelimane, Moatize, Chiúre, a título de exemplo, não são municípios quaisquer. Por outro lado, foi por um tris que não conquistou também Matola, ficando-se por uma diferença percentual mínima, um indicador de enorme prestígio para a Renamo.

Nestas eleições a Renamo teve um desempenho substancialmente notável, mesmo nos municípios onde a Frelimo tradicionalmente tem apoio massivo, incluindo a cidade de Maputo, onde a Renano nunca havia conseguido números de votos que se viu agora. Não pode haver a menor dúvida de que qualitativamente a Renamo é o maior vencedor destas eleições e mesmo quantitativamente, uma vez que de uma única autarquia (Nampula) que dirigia por via de uma eleição intercalar, passou para outras tantas. O maior número de autarquias que a Renamo alguma vez conseguiu nunca foi para além de cinco.

A vitória da Renamo tem maior valor qualitativo não somente pelos locais ganhos, como também pelos ganhos que o partido vai ter para a sua imagem e igualmente do ponto de vista financeiro e acima de tudo o ganho político.

Ao colocar seus membros na assembleia municipal e ao formar o seu governo, nos municípios que a Renamo ganhou, o partido acomoda os seus necessitados e encaixa dinheiro para o funcionamento partidário. Estes ganhos conferem à Renamo um certo conforto que obriga a sua transformação num actor político do que um actor político-militar.

O quadro que as eleições autárquicas trouxeram, sem o antigo líder, remete-nos à conclusão de que Afonso Dhlakama terá sido um bom militar, mas mau político. Afonso Dhlakama prejudicou grandemente a Renamo.

Desde que Afonso Dhlakama saiu de cena a Renamo tendem a mostrar que as suas reacções, no global, são de um partido político e libertou-se da capa asfixiante da figura do líder. Com alguma regularidade a Renamo já fala de reuniões dos órgãos do partido e a próxima reunião do Congresso passou a ser uma referência recorrente.

Enquanto Afonso Dhlakama esteve entre nós, a Renamo simplesmente ficou asfixiado pela figura do líder e deliberou erradamente a não ir às eleições autárquicas de 2013. É muito provável que se a Renamo tivesse participado nestas eleições não teríamos conhecido a guerra assassina que se seguiu.

Mesmo que nas eleições de 2013 a Renamo não tivesse conseguido resultados expressivos, teria logrado conquistar alguns locais que elevariam a componente da imagem do partido, apoio político, dinheiro, acomodação, para não voltar à guerra.

Estamos com extremas dificuldades de ver uma Renamo sedenta de uma nova guerra, com os brilhantes resultados que conseguiu nas quintas eleições autárquicas, que mesmo a olho nu diminuíram a mentalidade de guerra.

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