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Ossufo Momade em contra-mão

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Temos estado a defender neste espaço, com base em factos concretos, que Renamo sem Afonso Dhlakama, Deus que o tenha, revela-se, no global, uma entidade em crescimento visível, pelo menos do ponto de vista de visão política e democrática das coisas.

A nossa leitura, não isenta de erros, é global, porque se formos caso a caso vamos constatar uma abundância de nichos hostis a essa mudança de rumo. São nichos onde abundam indivíduos cuja mentalidade é de puro belicismo, com tremendas dificuldades de se adaptar num mundo moderno, regido por leis de civilização.

São disso exemplo Ivone Soares e o coordenador interino, o general Ossufo Momade, que na sua mais recente aparição advogam rompimento do diálogo a alto nível para uma paz efectiva e definitiva para o país, a pretexto de pretensa fraude eleitoral.

Não temos capital suficiente para discutir se houve ou não fraude eleitoral. A nossa modéstia não nos impede, no entanto, de discordar da pura chantagem, em que o general se deixa arrastar pelo belicismo da sobrinha do antigo líder, belicismo que sempre foi uma constante, não interessa o contexto em que faz a sua aparição pública, se solene ou não. A cerimónia fúnebre do tio, na Beira, não podia ter sido uma excepção, para Ivone Soares evitar o lamentável discurso que pronunciou, a destoar em absoluto, tomando em linha de conta o acto!

O general deixou-se levar, sim, porque primeiro foi a sobrinha do líder a aparecer com o discurso de rompimento do diálogo, a menos que o texto que circulou nas redes sociais lhe tenha sido injustamente atribuído. E se foi este o caso, quem cala consente, quem cala não é filho de boa gente! O coordenador interino veio a seguir repetir as mesmas coisas que Ivone Soares disse no aludido texto.

Com os seus pronunciamentos infelizes, Ivone Soares e Momade Ossufo revelam-se uma grande excepção, lamentavelmente pela negativa, numa entidade chamada Renamo, que positivamente nos vinha surpreendendo com uma postura mais política e democrática, do que belicista, desde que ficou órfã do líder.

Ossufo Momade e Ivone Soares têm toda a legitimidade de reclamar o que quer que seja, desde que o façam em fórum próprio, tal como a Renamo o fez quando foi do afastamento precoce do seu cabeça de lista pelo Município de Maputo, Venâncio Mondlane, decisão que também lamentamos.

Tendo havido alguma irregularidade, a Renamo deve recorrer às instituições legais, onde aliás também está representada com todo mérito, tal como quem se sentiu injustiçado o fez em tempos, levando à repetição do escrutínio nos municípios de Nampula e Gurué, com a segunda eleição a ser conquistada pelo Movimento Democrático de Moçambique, na época.

O general e a sobrinha não podem aparecer a misturar alhos com bugalhos, condicionando o prosseguimento do diálogo a processos que não são chamados para este exercício. Gostaríamos de ver a Renamo a juntar todos os processos inerentes à eleição que o general e a sobrinha alegam que foi fraudulenta e remeter, nos ternos de lei, aos organismos competentes, com a devida fundamentação, sem nunca fazer menção ao diálogo em curso.

Aí, sim, a Renamo vai merecer todo o nosso apoio incondicional, sendo que encorajamos o recurso a fóruns próprios para dirimir as nossas diferenças. De outro modo, Ivone Soares e Ossufo Momade estão claramente em contra-mão!

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