O mundo assinalou 32 anos depois que ficou sem Samora Machel, que juntamente com acompanhantes morreu na tragédia de Mbuzini, a 19 de Outubro de 1996.

O mistério das circunstâncias do despenhamento do Tupolev russo, em voo presidencial, nas colinas das montanhas da região remota sul-africana, ido de Ndola, Zâmbia, para onde se deslocara em mais uma missão de busca de paz para Moçambique e para a região, permanece por desvendar, 32 anos depois. Não nos admira que outras tantas décadas se venham a passar com a verdade material congelada, porque talvez não convém que a nossa geração saiba do que se passou, de facto. Uma verdade material que pode passar por uma mão interna ou externa, ou ainda pelas duas mãos associadas. Vamo-nos consolando com hipóteses infindáveis, num mundo prenhe de especulações e suspeições.
A quantidade considerável de livros e artigos de jornais, idem debates informais que falam sobre a morte de Samora Machel, estão longe do desejável, que é saber quem foi que matou o Presidente, incluindo as motivações. É inconclusivo o debate público na sua visão de que o regime sul-africano do “apartheid” é que orquestrou e materializou o crime. Não passa do senso comum, forçado pela conjuntura de então. Faz-se tarde de mais uma voz oficial, autorizada e credibilizada com documentos insuspeitos, a comunicar sobre a causa real do trágico acontecimento. Quer a família quer o país, quer mesmo o mundo, continua com expectativa de saber a verdade material, mesmo por uma questão de conforto.
Os 32 anos não só são sem Samora Machel, como também de reconhecimento inequívoco de que este líder é uma figura de referência na história de Moçambique, ao mesmo tempo que no além-fronteiras existem numerosas pessoas que não escondem a enorme admiração pelo antigo Presidente. Samora Machel é uma figura que marcou a nossa história e de África, sobretudo na região.
Se acreditássemos no espiritualismo, diríamos que o espírito de Samora Machel está vivo e em acção, porque por coincidência foi na mesma semana dos 32 anos da morte do antigo Presidente que morreu Pik Botha, a face externa e de propaganda do regime do “apartheid”. Pik Botha foi das primeiras pessoas que inclusivamente criou suspeitas pela forma como soube da queda do avião presidencial e a forma como comunicou à contra parte moçambicana!
Para a infelicidade de todas as pessoas de bem espalhadas pelo mundo, os potenciais actores da época, dentro do regime da África do Sul, a exemplo do temível Magnus Malan, antigo Ministro de Defesa, Pieter Willem Botha, antigo Presidente, Pik Botha, propagandista morio e vendedor da imagem do regime do “apartheid” no estrangeiro, entre outros, acabaram partindo para o além, sem que soubéssemos quem foi que matou Samora Machel. Este é o arquivo humano que nos poderia ajudar a elucidar sobre este mistério, que corre sério risco de morrer mistério! Caminhamos para um ponto em que um dia se vai tornar irreversível a não divulgação das causas que levaram ao trágico acontecimento de Mbuzini.
Pelo sim pelo não Samora Machel vai permanecer uma figura incontestável, cuja dimensão ultrapassa as nossas fronteiras. Apraz-nos constatar a cerimónia que os sul-africanos dedicaram em Mbuzini, aos 32 anos da morte de Samora Machel. Foi uma cerimónia carregada da maior serenidade e solenidade que o acto determina, sem qualquer teatro.
Há que reconhecer que é extremamente difícil, se não impossível, num país estrangeiro, realizar-se uma cerimónia similar, 32 anos depois. A cerimónia só prova que a figura de Samora Machel é de um herói não só de Moçambique, como de toda a África, pois muitos povos do mundo admiravam e ainda admiram o Marechal, que ousou proclamar a independência de Moçambique em plena época das ditaduras da América Latina e muitos cidadãos da região, como chilenos, argentinos, brasileiros, vieram viver para Moçambique.
Samora vive em cada um de nós!

 

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