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A vez do galope do camaleão?

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A província de Gaza, tida como bastião do partido governamental, ainda mostra-se na cauda do desenvolvimento do país, não obstante o seu potencial na área agropecuária e turística.

Esta região do país, que a história a reservou o epiteto de grande foco de resistência anti-colonial, a lembrança de celeiro da Nação e berço dos primeiros três “cérebros” da FRELIMO, nomeadamente Eduardo Mondlane, Samora Machel e Joaquim Chissano, por décadas pareceu ter ficado esquecida no tempo, arrastando-se pausadamente ou de forma indiferente, como um camaleão, no seu passo lento, sem pressa de chegar e contornada por investimentos de vulto.

 Mas, parece que as coisas querem mudar de cenário, com o despertar colectivo dos gazenses e dos seus mais diversificados intervenientes, com destaque para o Governo local e agentes económicos. Pois, as Areias Pesadas de Chibuto poderão dinamizar a indústria extrativa e o Aeroporto de Xai-Xai, em implantação, poderá estimular a movimentação de pessoas e bens, dinamizando o turismo e outros negócios, sem necessitar de depender do trânsito de Maputo.

Mesmo assim, Gaza nunca apresentou uma estratégia global e visionária de desenvolvimento, o que foi quebrado com a mais recente conferência internacional de investidores, realizada em Bilene, um incontornável destino turístico desta província.

Nesta conferência, o Governo de Gaza “vendeu” um plano estratégico de desenvolvimento orientado para os próximo 10 anos, tendo na tríade agricultura, turismo e pecuária a engrenagem para o galope da província rumo a um desenvolvimento socioeconómico da região, sendo receptáculo de grandes investimentos. Aliás, as vantagens comparativas desta província podem ser convertidas em vantagens competitivas, resgatando o simbolismo histórico da província e capitalizando as potencialidades turísticas, situação que torna esta região do país “muito especial e única”, como a qualificou a governadora da província, Stella da Graça.

Esta conferência internacional, há-de ter sido um grande passo, perante uma montra de potenciais investidores, sendo de destacar o interesse manifesto, por memorando de entendimento, de Botswana para o desenvolvimento de uma indústria de carne nesta província. E, a expressão do ministro da Agricultura e Segurança Alimentar do Botswana, Patrick Pule Ralotsia, não seria mais prometedora: “Gaza tem características similares às do Botswana. O potencial agro-pecuário está presente, pelo que vamos ajudar a província a atingir patamares internacionais”, vincou.

E dando fé às promessas do Governo central, perante cerca de centena de potenciais investidores, de concessão de incentivos fiscais e aduaneiros, estabelecimento de zonas económicas e especiais, simplificação de procedimentos burocráticos para abertura de empresas e concessão de licenças, apoiar no incentivo e atração de investimentos, Gaza pode apartar-se do passo de camaleão e seguir à galope rumo ao desenvolvimento sócio-económico e soterrar a pobreza extrema que ainda constituí o seu estigma.

 

Por Osvaldo Tembe

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