A Renamo veio a público anunciar a realização, de 15 a 17 de Dezembro, do seu Congresso, essencialmente para a eleição do sucessor de Afonso Dhlakama. O Congresso vai ter lugar no Distrito de Gorongosa, baluarte da Renamo.

Se o anúncio correspondeu positivamente às expectativas de muitos, que duravam desde a morte de Afonso Dhlakama, em Maio último, vítima de doença, na Serra de Gorongosa, Província de Sofala, o mesmo já não acontece com os termos de referência para se ser presidenciável, sendo que alguns deles representam um bloqueio total para que essa eleição seja a mais participada possível.

Pela voz de José Manteigas, porta-voz da Renamo, ficamos a saber, no termo da reunião do sexto Conselho Nacional, que para concorrer à sucessão de Afonso Dhlakama, para além de se ser membro da Renamo, é imperioso que alguma vez, o interessado, tenha sido Secretário Geral do partido, ter participado na guerra assassina, ter sido membro do Conselho Nacional e da comissão Política Nacional.

Claramente se vê neste perfil, a intenção natural de impedir que outros membros da Renamo se candidatem à sucessão de Afonso Dhlakama, no que só se pode entender como democracia à Renamo. É que a Renamo sempre nos intoxicou com o discurso de ter trazido Democracia para Moçambique, e que o seu líder, Afonso Dhlakama (Deus que o tenha), é o pai da Democracia.

Do perfil ditado para a sucessão de Afonso Dhlakama não se encontra o mínimo de clima que garanta uma ampla participação no processo, em contramão com os ensinamentos da humanidade, de que a democracia traduz-se na liberdade de participar.

Não estamos, aqui e agora, a defender que qualquer um devia candidatar-se à sucessão de Afonso Dhlakama, pois qualquer partido deve definir regras de jogo para exercício similar, mas isso não deve significar matar a democracia.

Não cola o argumento de José Manteigas, de que o Congresso vai deliberar sobre situações excepcionais, porque logo à partida está claríssima, como é água cristalina, a intenção belicista de formalizar, em moldes antidemocráticos e ortodoxos, o General Ossufo Momade, actual Coordenador Interino, para suceder a Afonso Dhlakama.

Por outras palavras, a Renamo não quer ver suceder a Afonso Dhlakama, alguém que seja da ala moderada, intelectual não belicista, um democrata.

É imperioso que enquanto o Congresso não se realiza, se faça eco a vozes de pessoas de bem, para que a Renamo alargue e suavize os elementos do perfil de eleição do sucessor de Afonso Dhlakama, para que finalmente tenhamos na Renamo um partido nacionalista, comprometido com o interesse nacional e não com interesses obscuros, como vem sendo desde a sua existência.

De contrário, estaríamos a falar de pessoas que já partiram para o além, sabido que durante os 38 anos que Afonso Dhlakama liderou a Renamo, só houve um Presidente, ele próprio, e secretários-gerais, sendo que dos que ainda estão entre nós desconhece-se em absoluto a sua actividade política na actualidade. São praticamente figuras politicamente “defuntas”, sem muitas hipóteses de entrarem no jogo.

Se este quadro prevalecer até ao Congresso de 15 de Janeiro, está sendo claramente aberto um espaço para uma única pessoa se fazer reeleger.

Basta de Democracia à Renamo, em que se procura um Presidente politicamente apagado, para que os homens armados continuem a comandar a Renamo, que mesmo não estando sentado na mesa presidencial, ficarão por trás da cortina a determinarem o rumo das coisas!

Aliás, o próprio Afonso Dhlakama dirigiu a Renamo como se ainda fosse a continuação de um movimento de guerrilha, precisamente por imposição dos tais homens armados, que hoje pretendem perpetuar o seu império, através da confirmação de Ossufo Momade.

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