Baltazar Montemor

Entre os marcos de 2018 que termina haverá que destacar a consolidação fiscal, um dos indicadores importantes sobre o nosso estado de saúde económica.

O ano de 2018 testemunhou, igualmente, a consolidação de várias medidas macroeconómicas, que já começam a dar resultados visíveis.

Por outro lado, Moçambique termina o ano de 2018 com algum conforto, relativamente a três grandes acontecimentos.

A começar pela subida, ainda que ténue, do país no Doing Business, feito que renova alguma esperança na tracção do investimento estrangeiro.

A realização da conferência de Pemba, Cabo Delgado, seguida de várias réplicas, em que as empresas petrolíferas finalmente começaram a divulgar as necessidades de bens e serviços que serão de muita procura no mercado nacional. Já se sabe que logo de início, o nível de procura será de USD 2.5 milhões. O facto de a primeira procura começar já em 2019 gera uma expectativa enorme e justificada.

Um terceiro acontecimento é o fecho do ano com a visita, mais uma, desta vez claramente boa, do Fundo Monetário Internacional, que em princípio abre alguma esperança na retoma do programa de apoio, quiçá também com o retorno dos doadores.

Este quadro leva-nos a concluir que 2018 termina bem, a nosso ver. A nossa justificação é que o ano encerra com muitos pendentes de há longa data mais ou menos resolvidos.

Estamos a terminar um ano com uma situação de política monetária estável, em termos de juros, inflação e câmbios. Em termos fiscais 2018 termina claramente com alguma solidez. Os concursos voltaram a acontecer, à procura do Estado, ao mesmo tempo que o Estado promete pagar os 60 mil milhões de meticais em dívidas para com os fornecedores de bens e serviços.

Isto significa que o dinheiro há-de voltar a circular. Não estamos a assumir que 2018 foi um ano maravilhoso, mas o nosso pragmatismo e modéstia não significa que devamos ignorar que o ano testemunhou passos bastante significativos para que 2019 tenha uma embalagem rumo às nossas históricas taxas de crescimento e de expansão.

O ano encerra com um crescimento de 3.4 por cento, aparentemente insignificante, mas supera a média da região, onde a África do Sul contentou-se com uma evolução económica modesta de 2.2 por cento, até pelo menos terceiro trimestre do ano, declarando-se fora da recessão.

Mesmo ficando na casa dos 3.4 por cento, Moçambique nunca esteve em situação de recessão.

É verdade que 2018 trouxe boas notícias ao país, se bem que não são distribuídas de forma uniforme, ou seja, por todas as pessoas, empresas, etc.

O crescimento económico de Moçambique continua sustentado em poucos sectores, como a indústria extractiva. A estabilidade cambial tem a ver essencialmente com as exportações de carvão e redução de importações. As empresas continuam a sofrer, as falências estão ai e ainda em crescente, o desemprego continua a aumentar de forma exponencial.

Os 12 mil novos empregos que o Estado promete oferecer em 2019 representam muito pouco, num país que produz anualmente 400 mil novos candidatos ao emprego.

Todavia, apraz registar indicadores económicos encorajadores, a despeito de os benefícios do pequeno crescimento não serem distribuídos universalmente, colocando a maioria dos moçambicanos em grandes dificuldades e até piores.

 

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