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Não estamos bem na política económica

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Moçambique precisa de repensar na sua visão sobre políticas conducentes ao desenvolvimento. Eventualmente precisamos de nos libertar de estarmos excessivamente mais focalizados na política monetária.

Não se esconde a grande preocupação das autoridades monetárias e do Fundo Monetário Internacional, em concentrar a atenção na estabilização dos indicadores de política monetária, em detrimento de política económica.

Deste ponto de vista não temos quase nada, ou se temos é muito pouco para aquilo que são os grandes objectivos que o país deve perseguir. Não se encontra algum estímulo, muito menos um sector nesse sentido.

A história do país esteve sempre ligada ao estímulo. Muitos estarão recordados de que por ai anos 1990 tivemos os famosos Rocks, com as estradas a consumirem muitos biliões de dólares e uma imensa procura, os grandes programas ligados ao HIV/SIDA, a Mozal, a criarem uma grande procura, os Millennium Challenge, que igualmente estimularam a economia.

Tudo isto representou sempre uma âncora que puxou por toda a economia. Infelizmente, nestes últimos anos fomos sendo e continuamos incompetentes para reeditar esta mesma âncora. Uma âncora que não gera procura de bens e serviços fora. A procura é apenas externa, a exemplo do carvão mineral, em mais de 90 por cento.

Em síntese, no ano que termina, mais uma vez, o país não esteve bem, na política económica. Estivemos bem, sim, na política monetária, mas este foco, na política monetária, tem impacto na política económica, porque quando se tenta estabilizar o câmbio e a moeda, apertando as medidas de financiamento às empresas, agrava-se ainda mais as dificuldades destas mesmas empresas, que querem financiamento e não o consegue.

Mais grave ainda é a situação das empresas que tendo conseguido financiamento, no lugar de pagar 10-11 por cento, são forçadas a terem de pagar 30 por cento de juros. Em consequência, muitas delas não tiveram como não declarar falência. Para uma empresa pagar juros de 30 por cento significa que deve ter lucros acima de 30 por cento. Numa economia em grande stress, como é a nossa, é absolutamente impossível!

Eventualmente seja excepção o sector financeiro como a banca, os seguros, os câmbios, os mercados de capitais, o gás, o petróleo, sobretudo porque o seu financiamento não é doméstico. Nesta lista de excepções podemos acrescentar as telecomunicações. Mas os outros sectores como construção, indústria, transportes, etc. estão numa autêntica travessia do deserto, pois estão sob enorme pressão.

É notável, nos últimos anos, o défice enormíssimo, que começa com o desaparecimento de um Ministério de Planificação e Desenvolvimento, que se concentra apenas na planificação e desenvolvimento, ou seja, somente na economia. A ausência do MPD representa um revés a ter em conta.

O Ministério da Economia e Finanças nunca será um bom combo, que em momento algum provou ser boa solução. No nosso combo as finanças talvez estejam bem, mas a economia não está bem, claramente.

Estamos muito mal no emprego jovem. Milhares de licenciados vão todos os dias ao mercado informal, que vai nos 84 por cento, o que confirma a nossa tese de que do ponto de vista de política económica Moçambique não está bem, diferentemente das políticas monetárias, cujos indicadores mostram bons sinais. São ecos de 2018 que lá se vai.

 

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