O segundo maior banco da Suíça, o Credit Suisse, envolvido até ao pescoço na orquestração das famigeradas dívidas ocultas que transpõem 2 biliões de dólares e que puseram Moçambique na lista negra no concerto financeiro e de crédito internacional, foge com o rabo à seringa.

Com a recente abstenção das autoridades judiciais norte-americanas em acusar os bancos Credit Suisse e VTB, responsáveis pelos empréstimos ilícitos a empresas moçambicanas EMATUM, MAM e ProIndicus, os novos dirigentes do banco suíço sentem-se mais aliviados na sua fuga à responsabilidade no açambarcamento de centenas de milhões de dólares a credores de várias partes do mundo para investir em “causas” inviáveis.

Após a detenção dos três ex-dirigentes do banco, no dia 4 de Janeiro em Londres, o Credit Suisse distanciou-se completamente dos ilícitos, argumentando que os visados desrespeitaram os controlos internos no banco, agindo em nome de lucro próprio, às escondidas do banco.

Com esta posição, sacode o capote, endossando toda a responsabilidade fraudulenta que levou anos a ser operacionalizada naquele banco para os três ex-bancários que, em liberdade caucionada, aguardam extradição para julgamento nos EUA, país que se sente lesado nas suas leis bancárias e pelos investidores burlados em valores que ascendem a 600 milhões de dólares.

A administração do Credit Suisse defende que o banco exigiu o cumprimento de todas as normas internacionais intrínsecas à concessão de créditos daquela grandeza e natureza, alegando que os ex-funcionários no caso que está a ser investigado pelos EUA manipularam os sistemas de controlo bancário e violaram regras internacionais que eram seguidas pelos bancos.

Mas, os arguidos não eram meros bancários, mas sim dirigentes seniores e com poderes outorgados pelo próprio banco pelo que o representavam legitimamente.

Andrew Pearse, era director-gerente do banco e Detelina Subeva, foi vice-presidente do Grupo Global de Financiamento no Credit Suisse, cargo que deixou nos finais de 2013, enquanto Surjan Singh era director administrativo deste mesmo grupo, cargo que somente deixou em Fevereiro de 2017.

Por outro lado, o sistema de controlo deste banco suíço, um dos mais seguros do mundo e com mais de século de história, não se resumia a estes três para a gestão de tão complexas operações. Como sabemos, as dívidas ocultas do Estado moçambicano atingiram cerca de 2 mil milhões de dólares após várias transações no período entre 2013 a 2016, adquiridas ao banco Credit Suisse e ao VTB junto de investidores de todo o mundo, com realce para norte-americanos.

Isto significa que todo o sistema do banco entrou nesta cumplicidade, desde a componente decisória até à executora.

Pelo que, a acusação devia ser extensiva ao banco porque a sua administração não tem como estar alheia a estas falcatruas, não obstante a demonstração exaustiva da acusação sobre o papel dos três ex-bancários, detidos em Londres a pedido das autoridades norte-americanas.

Pelo que, apesar das detenções das pessoas acusadas de envolvimento neste desfalque financeiro internacional, onde se inclui o ex-ministro moçambicano, Manuel Chang, detido no dia 29 de Dezembro na África do Sul, e o intermediário libanês, Jean Boustani, no dia 5 de Janeiro, em Londres – como defende Tim Jones do Comité para o Jubileu da Dívida [ONG Britânica] – o Credit Suisse deve assumir a sua própria responsabilidade e os bancos em si é que devem compensar os credores pela burla e não com os pacatos impostos dos moçambicanos.

Por Osvaldo Tembe

 

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