O Governo, reunido em sessão de Conselho de Ministros, nomeou na terça-feira, 22 de Janeiro, Aly Sicola Impija, para o cargo de Presidente do Conselho de Administração da Electricidade de Moçambique (EDM). Quadro sénior desta instituição pública e engenheiro de formação substitui o economista Mateus Magala que esteve em frente da instituição por cerca de três anos e teve que regressar, de emergência, ao organismo de proveniência aquando da sua nomeação, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), para assumir funções estratégicas, concretamente a de vice-presidente de Serviços Institucionais e Recursos Humanos, sendo de ressalvar que este Banco é a quarta empresa mais atractiva entre os empregadores em África.

Na verdade Magala foi exonerado pelo Governo em Outubro de 2018, porém o executivo moçambicano necessitou de pouco mais de dois meses para encontrar o sucessor “ideal” para a árdua tarefa de continuar e implementar as reformas que já davam novo alento a este gigante energético no país e na região austral de África.

No efémero reinado de Magala, cerca de três anos, o desempenho da EDM sofreu uma rápida transformação, em parte graças ao recrutamento de pessoal melhor qualificado e recompensado, tendo conseguindo extrapolar as receitas desta empresa pública de electricidade de 150 milhões de dólares para 500 milhões de dólares nos primeiros dois anos.

Profundas reformas no processo de aquisição de bens e serviços combateram e desmantelaram esquemas de subfacturações e a terceirização desnecessária de alguns serviços (como simples trabalhos de substituição de cabos eléctricos e electrificação) somente para viabilizar o tráfico de influências e favorecimento de “amigos” em negócios.

Por estas e outras reformas, Mateus Magala, Doutorado em Economia, com três Mestrados em áreas económicas e de gestão e com grau igual em engenharia mecânica, foi condecorado pelo seu trabalho na EDM, com destaque o Prémio de Excelencia African Leadership Business em 2016, com o Prémio Personalidade do Ano de 2017 em Moçambique, além do Prémio Outstanding Contribution for Power, 2017/2018, pelo African Utility Week Industry Awards”.

Agora, o homem que o substitui, Aly Sicola Impija, não sendo expert em economia, conhece profundamente a “casa”, sendo quadro da EDM com cerca de 23 anos de experiência e, quando foi nomeado para PCA, exercia as funções de Administrador de Planeamento e Desenvolvimento de Negócios, o que lhe confere conhecimento e alguma experiência administrativa.

Engenheiro de formação, sendo Licenciado em Engenharia Electrotécnica, pela Universidade Eduardo Mondlane, está habilitado em vários ramos do saber, sobretudo técnicas, através de cursos dentro e fora do país, com realce para África do Sul, Zâmbia, Suécia e Estados Unidos da América.

A nível de experiência profissional, além da docência na UEM, liderou vários departamentos na EDM e Direcções, tendo trabalhado em vários pontos do país, pelo que conhece profundamente o Moçambique real e seus desafios em termos de electrificação, que constitui agenda nacional.

O engenheiro Aly Sicola Impija, na condição de PCA da EDM, está perante vários desafios, começando em não regredir nas reformas feitas por Magala, sobretudo as que já vislumbram efeitos positivos e reverter os cenários que ainda continuam sombrios.

O grande desafio nacional é imposto pelo programa governamental “Energia para Todos”, que preconiza o acesso universal à energia eléctrica a todo o país, finda a iluminação das sedes-distritais, atacar postos administrativos e localidades, até 2030!

Sobre a arrecadação de receitas da EDM, a equipa de gestão do seu antecessor, depois de triplicar o encaixe financeiro de 150 milhões de dólares para cerca de 500 milhões de dólares, nos primeiros dois anos do mandato, projectou duplicar esta fasquia para mil milhões, ou seja, 1 bilião de dólares, em 2020!

Com os avultados investimentos feitos, incluindo a contratação de quadros de alto nível e empréstimos, para as reformas de Magala, a EDM a saída do economista ressentia-se de algumas perdas, necessariamente relativo ao exercício económico de 2017, tornado público nos meados de 2018, que dava conta que a EDM perdeu receitas superiores a 2,1 biliões de meticais (cerca de 35 milhões de dólares), visto que haviam subido de 16,3 biliões de meticais para 29, 1 biliões de meticais, para descerem, em 2017, para 27,0 biliões de meticais.

Por outro lado, a dívida acumulada aumento mais de 3 biliões de meticais (cerca de 50 milhões de dólares) e os prejuízos ascenderam a 2.8 biliões de meticais (cerca de 46.6 milhões de dólares), situação endossada, em parte, aos baixos preços de venda de energia aos seus clientes, que alegadamente não cobre os custos de aquisição e distribuição, além das recorrentes vandalizações de infraestruturas de transporte e distribuição de energia.

Mesmo, estas notas de decréscimo, não regridem para o período anterior à gestão de Mateus Magala, pelo que o que está em causa é gerir o sucesso, de modo que os indicadores de desempenho sejam cada vez crescentes!

Esperamos que o engenheiro Aly Impija, actual líder da EDM, não seja capturado pela velha corja da casa e se assista a regressão desta empresa pública que estava a reposicionar-se para sua real dimensão e papel nacional e cimentar tentáculos internacionais na sua performance de gestão corporativa. E, sem se exigir que seja expert em economia e tenha a bagagem internacional de gestão do economista Magala, na qualidade de gestor de topo indigitado pelo Governo, deve levar a EDM a bom porto!

Por Osvaldo Tembe

 

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