Se se considera que Herói [para ambos os sexos] é um protótipo humano que serve como referência para a maioria da sociedade, que actua como modelo de comportamento, de coragem e comprometimento pela causa colectiva em detrimento da vida e interesses pessoais, mesmo exposto à morte, para Moçambique esse arauto é Eduardo Chivambo Mondlane.

Sem descurar as lutas de resistência à penetração e fecundação do colonialismo português, a gesta libertária pela independência de Moçambique, como um todo, e a implantação da Nação, é a obra que induziu e qualifica a soberania e a moçambicanidade, pelo que é meritório a exaltação de todos quanto participaram, de forma directa ou indirecta, nesta epopeia libertária, sobre o desígnio do Dia 3 de Fevereiro, data da morte de Eduardo Mondlane, fundador e líder da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e obreiro da Unidade Nacional.

Neste ano, o Dia dos Heróis Moçambicanos assinalou 50 anos da morte de Mondlane, vítima de carta-bomba, na Tanzânia, onde a FRELIMO estava sedeada, em pleno período da luta armada.
O Presidente da República (PR), Filipe Nyusi, quem dirigiu as cerimónias centrais, na Praça dos Heróis, na capital do país, exaltou a vida e obra deste herói de primeira linha, mas também saudou os demais heróis que investiram parte considerável de suas vidas, e outros a própria vida, na luta pela liberdade.
Explicou que o acto revelava o compromisso do povo moçambicano ao mundo e à nação, de imortalizar o legado do Eduardo Mondlane e de valorizar e honrar os feitos dos heróis nacionais que lutaram para a independência do país.
Por outro lado, o PR distinguiu personalidades moçambicanas, que não sendo necessariamente actores da luta pela independência nacional, contribuíram e contribuem para o fortalecimento da pátria moçambicana, dentro e fora do país, de forma abnegada, cada uma na sua respectiva frente ou trincheira de conhecimento. Tratou-se de mais de 140 personalidades distinguidas com títulos honoríficos e condecorações, cuja maioria dos quais as insígnias foram atribuídas nas respectivas províncias de origem, através dos governadores provinciais sob delegação oficial do Presidente Nyusi.

Trata-se de personalidades cujos feitos constroem a sua heroicidade, desde o domínio militar, politico, social, económico, cultural, desportivo até ao educacional e científico, num rol que abrange várias áreas, pois, os heróis de hoje e do amanhã, se constroem com várias e múltiplas facetas.

Em iniciativa inédita, o Presidente anunciou nesta data de heróis, o arranque de um movimento de condecorações a todos os combatentes da Luta de Libertação Nacional em todo o território nacional, com a medalha Veterano da Luta de Libertação Nacional.
Processo que irá ser criterioso e faseado dado o número vasto dos veteranos da luta armada a serem medalhados, num gesto de amplo e inclusivo reconhecimento dos filhos da pátria moçambicana.

Todavia, enquanto os nomes vão se perfilando na galeria memorial dos moçambicanos sobre os heróis moçambicanos, a divulgação de suas obras e feitos continua na poeira do tempo ou das gavetas, sendo necessário uma ampla campanha de sistematização de informação e sua divulgação, além de outras formas de divulgação, através de iniciativas de programas e projectos de artes visuais e de curtas-metragens, a exemplo de documentários.

É comum nas abordagens públicas sobre efemérides nacionais, mormente sobre o Dia dos Heróis, os abordados sobretudo estudantes, arrolarem os heróis que conhecem mas nota-se uma falta clara de conhecimento sobre as obras e os feitos relevantes desses mesmos heróis.

Mesmo a nível das personalidades recentemente distinguidas, com realce para as de grande mérito como a Ordem Eduardo Chivambo Mondlane, onde a nível do 1º Grau temos Hélder Martins [militante e primeiro ministro da Saúde pós-independências], Jacob Jeremias Nyambir [gestor e diplomata] e, João Munguambe [diplomata] que as pessoas se sabem quem são, muito poucas saberão que obras ou feitos os conferem o mérito.
Muitos devem conhecer o escritor Ungulani Ba Ka Khosa (Francisco Esaú Cossa), o único, este ano, atribuído a Ordem a Ordem Eduardo Chivambo Mondlane do 3º Grau, mais seus feitos e contributo para o engrandecimento danação moçambicana e sua projecção além-fronteiras poucos devem saber.

O Grau Eduardo Chivambo Mondlane, é uma das mais altas distinções do Estado, pelo reconhecimento de feitos extraordinários demonstrados no fortalecimento da Unidade Nacional e construção da Nação moçambicana, pelos actos heróicos de patriotismo, pelas acções de grande mérito a favor da paz, amizade e solidariedade entre os povos e pelo progresso da humanidade, bem como por altos serviços prestados à consolidação, aperfeiçoamento e desenvolvimento do Estado e da economia.

Mas, muitos de nós, não conhecemos as obras e feitos destas e doutras figuras que perfilam na galeria dos “laureados” deste e doutros anos, pelo que impõe-se a exaltação, através da divulgação, das obras que constroem os nossos heróis.

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