Butsu Makhanda

A economia moderna dificilmente funcionaria se não existissem um sistema e instituições financeiras. É no sistema financeiro onde operam vendas e compras de seguranças financeiras e derivados, mercados de capitais, mercado de comodities, mercados monetários, câmbios, etc. Entre muitas das instituições que intervêm no mercado financeiro, se destacam os bancos, onde o cidadão comum guarda as suas poupanças, ou adquire empréstimos.

O cidadão comum, muitas vezes usa os bancos também como agentes pagadores dentro e fora do país. Para além dos bancos comerciais, o sistema financeiro tem outro tipo de instituições que funcionam como intermediários (bancos de investimento e corretores), como gestores de riscos (seguradoras), etc. Existem não raros casos em que a mesma instituição desempenha mais do que uma função, servindo por exemplo, como banco comercial, intermediário e seguradora.

É a existência e o funcionamento dessas instituições que se formam novos capitais que asseguram de certo modo o que se considera de crescimento e desenvolvimento económico. Se não existissem estas instituições pessoas individuais estariam em permanente risco de perder o seu dinheiro, e o empreendedorismo teria dificuldades acrescidas para operar. Mas, como diz o ditado popular “nem tudo o que brilha é ouro”. Há um lado do sistema financeiro que opera sem transparência, e que acaba mostrando uma face que para muitos é considerada como se fosse a lado monstro do sistema.

Conscientes de que o centro do poder da economia de mercado está no capital, e que o sistema financeiro é produtor, guardião e distribuidor desse capital, os bancos e outras instituições afins, procuram ser os centralizadores do poder que no fim afecta os destinos das sociedades. Trata-se de um poder acima dos poderes que não se preocupar com as questões de democracia, que fazem acreditar que o poder está no povo. E isto não pode ser visto de forma estranha ou conspiratória, pois o poder só pode ser poder efectivo se for controlado. Ou seja, se os bancos e as instituições afim detêm esse super poder, eles tem que controlar e consolidar esse poder, pois o descontrole reduz a sua eficácia, e pode levar a situações catastróficas. Quem tem poder procura inteligentemente mantê-lo, ampliá-lo e selecionar a forma da sua transmissão para que haja um desempenho o mais eficiente possível. O poder elimina ou reduz interferências que o podem enfraquecer ou reduzir o seu desempenho. O poder tem sempre o seu centro, a partir do qual se difunde para fazer sentir os seus efeitos e influência.

Ora, se o poder gira a volta do dinheiro, não pode ser mistério deduzir ou inferir que o verdadeiro poder da economia de mercado reside nos sistemas e instituições financeiras e não nas instituições democráticos.

A história dos bancos mostra que estas instituições sempre tiveram o poder de modelar as sociedades em qualquer regímen político, democrático ou não.

Embora pareça que o sistema bancário tenha nascido há mais de 4000 anos com os comerciantes dessa época que realizavam empréstimos em espécie entre produtores e vendedores, muitos historiadores assumem que o verdadeiro sistema bancário inicia entre o período medieval e a renascença, na Itália. As famílias Bardi, Peruzzi e Medici dominaram o serviço bancário com base em Florença e sucursais em muitas partes da Europa. Isto no século 14. O banco mais antigo do mundo (Banca Monte del Paschi di Siena, localizado em Siena na Itália) ainda em funcionamento, nasceu nessa altura. A família Bardi tinha poder de nobreza italiana na pessoa da Contessina de Bardi que casou com Cosme de Medici de uma família Medici. O casamento das duas famílias conquistou o poder financeiro e o poder político de Florença. Cosme de Medici, inaugurou a dinastia politica da família. Um outro membro de família (Salvestro) foi ditador de Florença e três outros (Joao, Júlio e João de Ângelo) foram Papas. Aqui já se vê um dos primeiros figurinos de domínio de poder por uma instituição financeira “casada” com o poder politico da nobreza que se estende ao poder religioso e espiritual.

Os aspectos que deram origem a banca moderna, que incluem serviços de depósitos e créditos, bem como a emissão de notas e moedas, emergem a partir do século 17. No início eram os comerciantes ricos que guardavam o seu ouro com os ourives e compensavam-nos por isso. No acto, os ourives emitiam um recibo que servia para testemunhar que o comerciante guardou certa quantidade e qualidade de ouro. Gradualmente os ourives, com base no ouro guardado, passaram a ter a função e a capacidade de fazer empréstimos em nome do dono do ouro. Essas duas capacidades (de aceitar depósitos e fazer empréstimos em ouro) enriqueceram os ourives que passaram a ter capacidade de investir.

 

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