Se ao longo do processo de sucessão do falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, o General Ossufo Momade, na qualidade de coordenador interino, influenciou a inclusão de critérios de exclusão nos ditames de elegibilidade a vigorar no último congresso, o “rasgo” mais recente das regras estatutárias do seu próprio partido no processo de revitalização dos seus órgãos de direcção, e transformar as eleições em meras nomeações, vem destapar a sua real face: ditador!

A verdadeira face do actual presidente da Renamo, Ossufo Momade, veio à tona pelas vozes dos membros e dirigentes de base do seu próprio partido, a partir de segunda-feira (11 de Fevereiro), no processo de revitalização das delegações da cidade da Beira e da província de Sofala.

Enquanto os delegados dos bairros para a conferência da cidade e dos distritos para o conferência da província cogitavam sobre os eventuais candidatos para as lideranças da Renamo a aqueles níveis, foram brindados com a “novidade”, via membros de brigadas centrais, com representantes da novel Comissão Política [feita à cara do novo líder] saída do último congresso, de que simplesmente vinham informar sobre os novos dirigentes nomeados pela direcção máxima do partido!

A revolta dos quadros da Renamo a aqueles níveis foi, quase, generalizada, por saberem que a institucionalização das direcções é via eleição como alegam vir plasmado nos estatutos do partido. Mas, como os mandatários do presidente Ossufo Momade estavam para cumprir ordens, mesmo sem os respectivos representantes das bases, fizeram os empossamentos. E, consta que iguais imposições tiveram lugar em várias províncias, mas as bases não tiveram voz como na “rebelde” Sofala.

Assim, na cidade da Beira foi imposto João Marata e, a nível provincial, Ossufo manteve, por imposição, Ricardo Gerente.

O surpreendente não se fez demorar, bases da Renamo reuniram-se entre si e elegeram os seus dirigentes, sendo que na Beira os votos reconduziram Luís Chiato e a nível provincial as bases elegeram Sandura Ambrósio. E, Jerónimo Malagueta, membro da Comissão Política da Renamo e quem orientou a cerimónia dos “empossamentos”, lamentou a atitude dos membros que optaram por boicotar o encontro e entrou em contradição, ora dizendo que ainda haveriam conferências eleitorais, ora que o presidente tinha mandato para fazer nomeações.

Os membros da Renamo nas bases davam assim um exemplo de democracia à sua liderança máxima e, como disciplina, garantiram lealdade aos órgãos superiores, incluindo ao presidente do partido, Ossufo Momade.

Todavia, o temperamento ditatorial do General Ossufo já despontava, desde os pronúncios do congresso que teve lugar em Janeiro, que visava, fundamentalmente, a eleição do sucessor de Afonso Dhlakama. Se apercebendo que poderiam emergir potenciais adversários à sua “natural” candidatura, aliás, Elias Dhlakama, irmão do finado líder, já fazia corredores para lançar a sua candidatura, quando um inusitado perfil de candidato presidenciável foi forjado.

Para além de se ser membro da Renamo, era imperioso que alguma vez, o interessado, tenha sido Secretário Geral, ter participado na guerra dos 16 anos, ter sido membro do Conselho Nacional e da Comissão Política Nacional. E, Elias Dlhakama, nunca chegara a dirigir órgão de direcção da Renamo, mas devido a sensibilidade da questão e pressão interna, em sede do congresso, analisados os prós e contras, abriu-se a “excepção’.

Visto, o irmão do finado conseguiu votos consideráveis para ocupar a segunda posição, deixando atrás outros dois candidatos, incluindo o secretário-geral, Manuel Bissopo.

Depois, Ossufo Momade, após eleito, manipulou a exclusão de potenciais quadros da Renamo na nova Comissão Política, assim nomes sonantes como Fernando Mazanga, António Muchanga, Ivone Soares, Eduardo Namburete,.. , que constituem a classe intelectual e questionadora a nível deste partido  ficaram de fora.

Adiante, quando se esperava pela eleição do secretário-geral, que segundo a movimentação local favorecia a Elias Dhlakama, simplesmente o assunto foi descartado da agenda. Fala-se que o próprio Ossufo Momade vai indicar o SG!

Tudo indica, que no processo de escolha dos cabeças-de-lista para as eleições que se aproximam a ditadura do actual presidente da Renamo vai-se vincar, caso a nata intelectual deste maior partido da oposição em Moçambique nada faça para freiar este espirito ditatorial.

Por Osvaldo Tembe

 

 

 

 

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