Butsu Makhanda (2)

Ora todo o Banco Central de qualquer país, que se registe como tal, tem que aderir ao chamado “FX Global Code” que é discutido e determinado por um Comité do BIS. Embora a aderência ao “FX Global Code” seja voluntaria, a não aderência a este código, por um banco central, torna quase impossível a esse banco participar nos negócios financeiros ao nível internacional. Isto quer dizer que o BIS controla todos os bancos centrais, pelo menos através desta aderência.

Existem muitas teorias conspiratórias a volta da família Rothschield, e por isso algumas das coisas aqui mencionadas sobre essa família podem não ser tão verdadeiras. O que importa reter é que há um banco chamado BIS que exerce o seu poder em todos os bancos centrais do mundo (com a excepção de muito poucos). Ora o Conselho de Administração do BIS é constituído por até 18 membros, indicados internamente. Quer isto dizer que existem 18 pessoas que de facto controlam as finanças, a moeda e por consequência grande parte da economia do mundo. O poder de controle de emissão de notas pelos bancos centrais está nas mãos destas 18 poderosos que não foram eleitos por nenhum acto democrático conhecido. É poder de mais nas mãos de poucos, o que transforma os processos democráticos das eleições como actos de distração para o “Inglês ver” como diz a gíria popular. Mas os poderes antidemocráticos dos bancos não terminam com os bancos emissores. Com o tempo, o poder de emitir notas, estendeu-se dos bancos centrais também para os bancos comerciais, embora a sua actuação seja mais subtil. Embora não emitam papel moeda ou notas, os bancos comerciais, de facto criam dinheiro quando fazem um empréstimo, pois, como explica um banqueiro “quando um banco faz um empréstimo, simultaneamente cria um depósito correspondente na conta do mutuário”. Esse depósito criado funciona exactamente como se o banco tivesse criado papel moeda. O banco não precisa ter esse dinheiro que aparece no depósito e que se reflecte na sua contabilidade, que por sua vez é reportado ao Banco Central.

A acrescentar ao poder dos bancos comerciais  de “inventarem” dinheiro, eles usam politicas internas bancárias para decidirem sobre que sectores de economia eles estão mais pré-dispostos a emprestar dinheiro. Isto lhes confere maiores poderes do que os governos para a influenciarem o desenvolvimento de uma sociedade. E para o mal dos pecados da sociedade, grande parte do dinheiro gasto pelos bancos é para perpetuar o poder do sistema financeiros e, portanto, empréstimos não produtivos que não criam riqueza. Revelações de investigadores do funcionamento dos bancos constatam que 27% dos empréstimos bancários vão para as corporações financeiras, 50% para hipotecas de propriedades existentes, 8% para empréstimos de custo alto (cartão de créditos, overdraft, etc.), e somente 15% para a economia.

Os bancos chegam a ter mais dinheiro que os governos. Um grupo de investigadores e activistas conhecido por “Positivemoney” constata que 85% do dinheiro do Reino Unido está sob controle de cinco bancos que no total são dirigidos por 70 pessoas. O mesmo grupo mostra que entre 2003 e 2008, os bancos do Reino Unido disponibilizaram para empréstimos 3.6 triliões de dólares (gastos), enquanto que o Governo gastou 2.7 triliões de dólares. Este padrão se repete em muitas partes do mundo. Nos Estados Unidos da América esta discrepância parece ainda muito maior. Em 2018 os bancos Norte-Americanos gastaram em empréstimos mais de 50 triliões de dólares, enquanto que o orçamento federal para despesas públicas não chegava a 5 triliões de dólares. Quando os bancos podem criar dinheiro e ter a possibilidade de gastar mais do que o Estado, claramente que a influência da economia está mais nas suas mãos do que nos governos. Pior ainda, é que em vez dos governos influenciarem os bancos para o bem comum, são os bancos que influenciam os governos para os seus próprios interesses. Os bancos podem fazer eleger um Presidente, um Primeiro Ministro e membros do Parlamento de um país que seja do interesse deles. Podem ainda fornecer expertise aos Governos por oferecer a estes conselheiros ou até governantes. Na campanha eleitoral de 2014 nos Estados Unidos da América, os bancos financiaram directamente pelo menos 14 milhões de dólares Americanos, excluindo os montantes que chegaram aos seus candidatos favoritos via os famosos “Super PAC”[1].  Muitos dos Governadores dos Bancos Centrais dos paises desenvolvidos passaram por bancos, quer como seus membros dos corpos directivos, quer como consultores.

[1] PAC (Political Action Committee), é uma veiculo de financiar campanhas eleitorais nos Estados Unidos, que basicamente angaria os fundos de varias fontes e canalize-os para influenciar as eleições quer Estaduais, quer Nacionais (Federais).

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