O líder da Renamo, Ossufo Momade, está a emitir sinais concretos de estar a ensaiar romper com o passado, e até agora parece estar a dar-se bem.

O mais recente e mais significado desses sinais foi a sua deslocação a Maputo, para se reunir com o Presidente da República, Filipe Nyusi, no âmbito do processo de busca de paz efectiva e definitiva para o país.

Como que a dar ao gesto de Ossufo Momade um significado mais especial ainda, o General aceitou ir à Presidência da República, onde o encontro entre ambos teve lugar.

São sinais que no passado não muito distante dificilmente podiam ser imaginados, muito menos esperados, a tal ponto que o Presidente da República, Filipe Nyusi, teve de “rasgar” a legislação, que determina que determinados assuntos do país devem ser tratados na capital do país, deslocando-se às matas de Gorongosa, na Província de Sofala, para ir dirimir assuntos da Nação com o antecessor de Ossufo Momade, Afonso Dhlakama.

O gesto de Ossufo Momade traduz alguma postura de humildade, ao pôr de lado qualquer orgulho que lhe podia embebedar, confiando na máquina de guerra que sempre foi usada para todo o tipo de chantagem, em detrimento dos interesses soberanos da Nação.

A manter esta postura, o que passa por convencer a família Renamo da necessidade de em definitivo enterrar o machado da guerra e marchar rumo à paz efectiva e definitiva, Ossufo Momade arrisca-se a ficar para sempre na história do país, como tendo sido determinante para o grande objectivo, paz efectiva e definitiva, coisa que Afonso Dlhakama recusou durante décadas, até ao seu último suspiro, nas matas de Gorongosa.

Colocando o orgulho de parte, este país já não estaria a perder tempo com a guerra, mas sim estaria empenhado em acções de desenvolvimento em todas as frentes, no interesse nobre da Nação, poupando-nos inclusivamente das chamadas dívidas ocultas. Não se pode negar que o espectro da guerra sempre iminente foi a janela que gerou oportunidades que culminaram com as chamadas dívidas ocultas. Sem ameaças constantes da guerra, dificilmente teria havido pretextos que justificassem preocupações com a segurança do país, pelo menos aos níveis que nos conduziram às chamadas dívidas ocultas. A ter havido, teriam sido pretextos de outra natureza, que não fosse o imperativo da guerra.

A guerra destruiu o suficiente o tecido humano, económico, etc. do país, a tal ponto que todos nós, moçambicanos, devemos dizer basta, e acarinharmos os sinais que Ossufo Momade vem emitindo.

A Renamo deve assumir que com a guerra não ganha absolutamente algo, tal como nenhum outro moçambicano pode chamar a si qualquer dividendo deste mal da humanidade. A guerra é sim usada também para actos de corrupção que dilacera o país. É uma fonte de enriquecimento imoral e desumano para alguns sectores em qualquer sociedade em guerra, o que deve ser travado.

Logo, impõe-se que a Renamo e toda a sociedade acarinhem as iniciativas de Ossufo Momade, que outra coisa não traduzem, que não seja algum espírito de compromisso com a paz efectiva e definitiva.

Já as mexidas de fundo que Ossufo Momade acaba de promover no seio da Renamo significam uma demarcação clara com a Renamo do passado e vai fazendo um alinhamento que garante lealdade absoluta, e que as pessoas com quem trabalha lhes devem ser fortemente leias. É nossa expectativa que as iniciativas de Ossufo Momade não sejam geradoras de qualquer espécie de crise interna, muito menos de proporções graves, e não resvalem para uma cisão na Renamo, porque inimigos a tais iniciativas não faltarão dentro da Renamo. Pelo contrário, desejamos que Ossufo Momade tenha apoio de toda a Renamo e de toda a sociedade.   

Esperamos que Ossufo Momade mantenha este fio condutor, para poder contar com o nosso apoio.

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